Os latinos foram sábios ao terem duas preposições de saída de um local diferentes: ex e ab. O primeiro se define por uma saída de fora de um lugar, estando inteiramente dentro de tal lugar. O segundo, no entanto, se define por uma saída das margens de um local; ou seja: o primeiro é uma saída do território; o segundo, da borda do território. Deste modo, define-se todo movimento ao exterior como uma saída do território. Já o movimento absterior se define pela saída de um território através da borda. Dois movimentos, dois momentos. O primeiro, chamado de desterritorialização territorial; o segundo, desterritorialização de borda. Como, no entanto, passar de um ex para um ab? Daí, entende-se a diferença, pouco discutida, porém mencionada, por Deleuze e Guattari, entre o devir-infância e o devir-cósmico da infância. Devir-infância se define como um movimento para a borda; devir-cósmico da infância, como um movimento da borda. No fundo, por mais que os dois mencionados queiram definir o cósmico como uma desterritorialização da Terra, compreendo que todo movimento humano de devir seja, intrinsecamente, da terra.