A busca da expressão em “O tubo”, de Carlito Azevedo

1. O QUE É A EXPRESSÃO NA MODERNIDADE

Tendo em vista que o desenvolvimento da tecnologia, da alta globalização e das grandes guerras ocorridas no século XX, é de se esperar que toda a configuração, todos os modos de comunicação, de fazer poema, de escrever algo, também sofrerão mudanças, uma vez que a arte sempre andou de mãos dadas com sua época. Clique e continua vossa leitura.

Entre a infância e o cósmico

Os latinos foram sábios ao terem duas preposições de saída de um local diferentes: exab. O primeiro se define por uma saída de fora de um lugar, estando inteiramente dentro de tal lugar. O segundo, no entanto, se define por uma saída das margens de um local; ou seja: o primeiro é uma saída do território; o segundo, da borda do território. Deste modo, define-se todo movimento ao exterior como uma saída do território. Já o movimento absterior se define pela saída de um território através da borda. Dois movimentos, dois momentos. O primeiro, chamado de desterritorialização territorial; o segundo, desterritorialização de borda. Como, no entanto, passar de um ex para um ab? Daí, entende-se a diferença, pouco discutida, porém mencionada, por Deleuze e Guattari, entre o devir-infância e o devir-cósmico da infância. Devir-infância se define como um movimento para a borda; devir-cósmico da infância, como um movimento da borda. No fundo, por mais que os dois mencionados queiram definir o cósmico como uma desterritorialização da Terra, compreendo que todo movimento humano de devir seja, intrinsecamente, da terra.

Algumas considerações #7

A positividade do inconsciente

Botar o inconsciente como antro dos recalques e qualquer outro tipo de falha do inconsciente não só é errado como também é reducionista, pois ele nunca se definiria apenas por tais afetos. É preciso antes de tudo perguntar se tais “recalques” e “falhas” são, de fato, algo pertencente ao negativo, pois não é porque há um fonestema “n” que podemos afirmar ser pertencente ao negativo. Continue

Um conto de Tchékhov

A Palerma:

        Dias atrás mandei chamar a governanta dos meus filhos, Iúlia Vassílievna, ao meu gabinete. Precisávamos acertar contas.

― Sente-se, Iúlia Vassílievna! ― eu disse. ― Vamos acertar nossas contas. A senhora provavelmente necessita de dinheiro, mas tem cerimônia demais para pedir… Vamos lá… Nós combinamos trinta rublos por mês…
― Quarenta…
― Não, trinta… Eu tenho aqui escrito… Eu sempre paguei trinta para as governantas… Então, a senhora ficou aqui dois meses… Continue a ler o conto

Algumas considerações #6

Psicanálise, esquizoanálise e o cósmico

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza
Porque a Natureza de ontem não é a Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

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