Dos valores do Ocidente e do Oriente

Olá caros leitores, chamo-me Raony F. Moraes (vulgo Rico).  Me dispus a participar deste Blog em parceria com outros colegas pensadores. Abordarei diversas temáticas, tendo como estrutura textual a linguagem filosófica. Para quem não sabe, sou um futuro estudante de Filosofia (fascinado por Nietzsche e pela filosofia contemporânea francesa – que tem suas raízes em Nietzsche). Aprecio por demais a boa leitura e a boa escrita.

Em se tratando de leituras filosóficas, nutro enorme admiração não só por Nietzsche, mas também por Rousseau – um dos pensadores que fomentaram os ideais Iluministas e por conseguinte, a Revolução Francesa de 1789 -;  Sartre – o “pai” do existencialismo e um dos mais polêmicos pensadores do século XX -; Foucault, conhecido principalmente pela originalidade de sua analítica do poder; Deleuze, o filósofo da diferença e do acontecimento; Maquiavel, autor de um dos mais célebres manuais de política; Spinoza, criador da teoria dos afetos; faço também várias outras leituras “menores”, como Platão, Descartes, Kant, os pré-socráticos, escolástica etc.

No âmbito da literatura – tanto estrangeira quanto brasileira – gosto de Kafka, Charles Bukowski, Milan Kundera, Fernando Pessoa, Marquês de Sade,  Sir Arthur Conan Doyle, João Antônio, Machado de Assis, Ferreira Gullar, Gracilliano Ramos, Clarice Lispector, entre tantos outros que no momento, fogem-me da mente – minha memória, às vezes, prega-me peças por demais maldosas. Abomino o regime dos best-sellers, a literatura medíocre, a literatura de vitrine alavancada pelo fio da vaidade, pelo exibicionismo, que quer tão somente vender, vender e vender, e que nunca diz nada de fato (eu, particularmente, não hesitaria em queimar ou rasgar um livro da saga Crepúsculo). Minha literatura não é a literatura da academia, a literatura castrada, separada de sua potência revolucionária e criadora. Para mim, só há literatura voltada para a vida, que suscita novas formas de ser e de sentir, de interpretar o mundo, as pessoas etc. É isso.

Após essa breve apresentação – afinal, esta será a minha primeira postagem neste Blog -, penso que já podemos ir “direto ao ponto”. Mas sobre o que, mais precisamente, eu pretendo falar? O título deste post dá uma breve idéia do que se trata, mas, não é o suficiente, sendo de muito bom grado uma explicação preliminar. Não pretendo falar sobre as diferenças entre os valores ocidentais e orientais, também não pretendo estabelecer critérios de superioridade – como se costuma geralmente fazer -, nem mesmo quero realizar um exame genealógico em paralelo com cada um. O que almejo é, mais precisamente, discorrer acerca da visão moral que o ocidente tem do oriente, e em como essa visão moral é hipócrita, autoritária, esdrúxula e tão somente demonstra a prepotência ocidental em relação às suas verdades.

Há algum tempo atrás uma notícia chocou o ocidente, deixando a quase todos horrorizados. Uma mulher iraniana foi sentenciada à morte por apedrejamento devido a um crime de adultério. A organização dos direitos humanos ficou num reboluço que só; as pessoas clamavam por justiça, por compaixão, por humanidade, por amor à vida,  por respeito à dignidade humana etc. Todos estavam muito exacerbados e embriagados com suas defesas apaixonadas da moral ocidental. No entanto, deveríamos agir de tal modo? Quem somos nós ocidentais para meter o bedelho lá, no oriente, um local de cultura muito diversa, com suas próprias tábuas de valores? O ocidente detesta quando outros tentam dar-lhe lição de moral, quando outros põem em discussão sua tábua de valores, mas em se tratando do ocidente dar lição de moral a outras culturas, não há problema? Nós somors melhores moralmente? Somos mais humanos? Menos cruels (parece piada… haha)? Quem o ocidente pensa que é  para ditar verdades a qualquer outra cultura que seja? Tais casos extremos são esclarecedores nesse aspecto. Logo a hipocrisia generalizada do ocidente vem às claras: todo o relativismo cultural e antropológico, todo o pomposo – e enfadonho – discurso de respeito à diversidade cultural, cai por terra, perde completamente o sentido – se é que já teve alguma vez sentido essa meleca.

Os militantes da organização dos direitos humanos são, entre todos, os mais impertinentes, os mais hipócritas e desgraçados – além de completos imbecis, retardados e idealistas (sim, estou com raiva e não gosto dos direitos humanos). Nós, do ocidente, não estamos num patamar superior de valores, não somos os detentores de uma verdade universal pela qual devemos subjugar toda cultura com uma verdade contrária. Não se apedreja mulheres até a morte no ocidente, é verdade; não compactuamos com tal punição, outra verdade inquestionável; mas nada, repito, nada, nos autoriza a apontar o dedo para a cultura alheia e dizer que ela está errada; que ela é menos humana que a nossa; que eles deveriam tomar-nos como exemplo moral; o ocidente está muito longe de servir de exemplo para qualquer cultura que seja; não somos melhores, não somos superiores – somos, em bem da verdade, porcos imundos chafurdando na própria lama. Esse é um típico sinal da prepotência ocidental. Se é preciso que haja revolta – e eu estaria totalmente a favor de tal revolta  -, que haja mudanças lá no oriente, são, no caso, as mulheres que se sentem agredidas que devem levantar a bandeira e se voltar contra a ordem vigente. Nós aqui não temos nada que ir lá levantar bandeiras dos direitos humanos como se fôssemos messias levando a verdade e a salvação a um povo perdido nos tortuosos caminhos do pecado.

É preciso refletir sobre essa questão com mais profundidade. O ocidente, quando se levanta contra supostas injustiças, nada mais pretende que exercer a sua dominação sutil sobre outras culturas. Não é, em bem da verdade, a justiça, a compaixão – ou seja lá o que for -, que move o ocidente nessa luta contra a barbárie oriental, e sim, o seu desejo incessante de dominação, de pintar o mundo à sua imagem – nada além do velho ideal da universalidade, um tipo singular de imperativo categórico à la Kant. O ocidente deveria calar-se, colocar-se em seu devido lugar, abaixar o dedo, olhar para si próprio, para depois falar o que quer que seja a respeito da cultura oriental. O ocidente não dispõe de uma verdade que seria válida globalmente. Parafraseando Nietzsche: há tantas e tantas morais, como poderíamos eleger uma que fosse superior a todas? Pensar para além do bem e do mal, superar as dicotomias do pensamento, é o que precisamos.

3 thoughts on “Dos valores do Ocidente e do Oriente

  1. Concordo com tudo que dizes. Foi que nem como você disse na sua entrevista na minha pergunta sobre a questão da Palestina. Abomino a idéia de alguém se achar melhor que o outro, ninguém possui tal direito, somos nada mais que animais, como podemos nos sentir mais que os mesmo? Tem vezes que acho que seria mais interessante conversar com uma árvore/formiga/marimbondo/cachorro/mula, etc. do que conversar com algum amigo (a) meu (minha); é muita falta de informação, pessoal hoje só quer saber de bunda, buceta, sexo, e afins, ir pra escola e aprender, parece ser algo humilhante pra eles, ou algum tipo de circo; o pior é quando eu respondo as questões de forma certa, ninguém acreditar que eu o faço, porque eu sou bagunceiro, me sento sempre lá atrás e etc.. Mas enfim, viajei demais aqui, bom artigo, continue! XDD

  2. Eu sempre fui o típico “aluno do fundão”, e meus colegas, igualmente. Entretanto, minha genialidade sempre foi notória. Nunca gostei do colégio – por isso era o aluno do fundão -, mas sempre fui autodidata, sempre corri atrás daquilo que me despertava curiosidade. Me iniciei em Filosofia por interesse próprio – nunca tive Filosofia no colégio, mal sabia o que era a Filosofia -; simplesmente peguei os livros e li. Eu sempre achei graça de quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer… Eu respondia “quero ser paleontólogo”, e as pessoas faziam um semblante de “hã? Isso é chinês?” (rsrs). Já teve casos em que até mesmo professores desconheciam essa profissão. Atualmente acontece algo bem semelhante. Quando digo que pretendo me formar em Filosofia, as pessoas fazem um sembante de “não sei o que é mas vou fingir que sei”. E quando me indagam sobre o que seria isso (Filosofia) e eu respondo “é o conhecimento por conceitos”, é mais desastroso ainda, posto que essa é a explicação mais estranha para eles. Muitos, por conhecerem superficialmente a Filosofia, pensam que ela está ligada à reflexão, à contemplação – maldito seja Platão… hehehe -, aí, quando eu dou uma resposta dessas, fica tenso… hehe

    • Ah sim, essa definição de Deleuze ainda me intriga haha. Ainda procurarei saber mais sobre isso😄

      E caraca, inacreditável existe professores que tão baixo conhecimento, ainda bem que na minha escola eu descobri que os professores são inteligentes XDD

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