Algumas considerações #9

Por uma outra música clássica, mas que já devem ter inventado ou falado sobre, então não é tão outra nem tão nova, e agora não sei mais como denominá-la, mas vai assim mesmo, né.

Correspondência entre conteúdo e expressão – característica de Beethoven, pelo menos até seu ocaso, quando as formas de ambas explodem, quando a surdez se torna saúde e século XX. Justamente o que faz pensar que todos os criadores de uma forma nova, que se tornará majoritária, são os mesmos que a explodem (Garrett e sua ironia em relação ao romantismo português junto aos pré-românticos, como Sterne). Explodir as formas de conteúdo e expressão – é necessário que aqui isso se faça compreendido: o conteúdo, poderíamos dizer, se relaciona com a partitura, tangenciando-se por impansão; a expressão, com a técnica, o tocar, tangenciando-se por expansão – significa o salto por sobre o abismo que trouxeram essas formas, denominando-se a partir de então “antigas”. Do “barroco” ao Renascimento, deste ao Romantismo, deste ao Modernismo. E daqui para onde? Óbvio que essa linha só é possível por questões didáticas. Bach já mostra cenários românticos; Beethoven por vezes faz barroquismos e explode em jazzismos; Händel quer se desafixar da terra alemã e vai pra Inglaterra. Não existe essa linha, vaivéns de gangorra na música, na literatura, nas artes, donde a criança se joga e pode ficar presa numa árvore, no chão, o rosto sangrando, mas a criação se lançou e os grandes souberam colher seus saltos. Não que haja uma produção a partir de um sujeito que se arrojou, mas estamos aqui a falar de forças componenciais. E que não se duvide que um Haydn ou Mahler as tiveram; mas há quem tem a coragem (a famosa parrhesia, pra bem nos situarmos) que estes não tiveram de jogar no papel o que este não lhe permitia. Quebrar ao meio as notas de ordem de uma época. Assim se pode dizer que Mahler foi o Freud da música (seguiu direitinho o espírito de seu tempo), sendo sua própria figura o pai, sua batuta, a mãe, e os instrumentistas, os filhos que, se malcriados, apanhavam como uma criança que mostra a língua pros pais na mesa de jantar. “Segue a partitura! Quem manda aqui sou eu! Que feio!” – E daqui para onde? Clique e continue sua leitura

Algumas considerações #4

A psicanálise em e para as marcas

Se Dolto está certa, e acredito que esteja, a criança, em seus estados pré- e edipiano, tem a fantasia fundida com o pensamento. Porém, e isso é algo que eles não viram nem nunca conseguiriam/conseguirão ver justamente pela superficialidade de seus conceitos, se a criança tem essa característica, então por que diabos eles pensam que as coisas acontecem nela ou são vistas por ela do jeito que eles relatam, com os conceitos que eles usam? Por que diabos a analidade é a consciência de morte na criança? Como poderia a criança relacionar as intensidades do excremento a sair com as intensidades da morte? Se o argumento é que a bosta é perdida pela criança e que essa perda se relaciona com a perda da morte… ora, como afirmar que a criança vê a própria bosta como perda? É o mesmo, me parece, que afirmar que a criança vê a saliva como perda, logo, uma criança que saliva é aquela que se relaciona com a morte, aquela que sente a morte. Haverá agora o argumento do cheiro da bosta que se diferencia do da saliva (se é que esta tem cheiro): muitas crianças se relacionam com a própria bosta como se fosse um brinquedo; cada brinquedo possui seu cheiro – cada um deles possui sua intensidade, seu devir misturado ao pensamento da criança, que é também fantasia, o que explica, aliás, a capacidade da criança se relacionar de modo especial em e com os cheiros da mãe. Se a criança possui consciência de morte, de modo algum ela está ligada com a analidade, que de modo algum é o indício de sua mortalidade para ela. Talvez a consciência de morte venha mais a partir do encontro de corpos ou na visão desse encontro – não que, aqui, eu esteja admitindo a alteridade, coisa que pra mim não existe, mas sim o sentido (por mais que as ciências kantianas de hoje a deplorem) –: a criança mata uma formiga; a criança vê um animal se alimentando de outro; a criança vê que a abelha morreu após picá-la. Três modos de encontros bem cotidianos e que permitem à criança a possibilidade de ter um encontro com a morte e traçar seus caminhos.

Há mais duas!

Pensamentos aleatórios #35

Ia escrever sobre política, mas quero escrever sobre qualquer outra coisa – cansei de politicagem.

[Ah: Não gostei do teor dos meus textos antigos, acho que eles estavam ficando muito formais, então vou tentar me soltar – o que significa que os meus pseudo comentários dos leitores voltarão com força total, conforme meus críticos aguentam ‘gostam’ de ler – estou tentando agradar vocês, me amem!]

“Vês, lá longe, o campo de trigo?”


Bem, hoje falarei primeiramente sobre relações sociais e massificações – pretendo acabar falando sobre dificuldades na relação intrapessoal e da banalização dos sentimentos.

“E como Tu pretende juntar tudo isso?”

Mágica, Filhote 😀

Ler, Ler, Ler mais até a total exaustão!