Algumas considerações #7

A positividade do inconsciente

Botar o inconsciente como antro dos recalques e qualquer outro tipo de falha do inconsciente não só é errado como também é reducionista, pois ele nunca se definiria apenas por tais afetos. É preciso antes de tudo perguntar se tais “recalques” e “falhas” são, de fato, algo pertencente ao negativo, pois não é porque há um fonestema “n” que podemos afirmar ser pertencente ao negativo. Continue

Magma Series: IV (pt. II)

Fontes do Inconsciente, pt II

Abordarei com peso na parte dois do meu ensaio acerca da inveja, ciúme e voracidade o processo de cisão.

Experiências desagradáveis e emoções associadas a objetos externos e introjetados são dissociadas de experiências e emoções agradáveis através de um processo de cisão.

Considero o processo de cisão uma pré-condição para a estabilidade da criança: durante os primeiros meses, ele predominantemente separa o objeto bom do mau, e assim, de uma maneira fundamental conserva-o  – a segurança do ego. Ao mesmo tempo, essa divisão primitiva só tem êxito se existe uma capacidade adequada de amor e um ego relativamente forte. A predominância do “bom” e “mau” pode, ao mesmo tempo ser tão ruim, quanto boa. O motivo que me faz crer em tal hipótese é que, a predominância paradigmática do “bom” e do “ruim”, ausentando-se de um objeto idealizado (ou desejável), me remete novamente à inveja e voracidade, logo, tornam-se portas abertas para tais sentimentos. A inveja excessiva, manifestação de impulsos destrutivos, interfere na cisão primária entre o seio bom e o mau e não pode ser conseguida a formação de um objeto bom. Entramos em uma nova fase do processo de cisão.

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Magma Series: IV (pt. I)

Fontes do inconsciente:

Neste post pretendo falar sobre as origens mais arcaicas de atitudes como inveja e gratidão. Voltando um pouco no tempo e analisando vários experimentos realizados por psicólogos, psiquiatras e até mesmo teses por, principalmente, Freud, que é o que estou lendo muito ultimamente.

“É inerente às descobertas de Freud ser a exploração do passado do paciente, de sua infância e de seu inconsciente, uma pré-condição para se compreender a sua personalidade adulta. Freud descobriu o complexo de Édipo no adulto e reconstruiu, a partir deste material, não apenas minúcias do complexo de édipo, mas, também a época de seu surgimento.” – Fontes do Inconsciente (Melanie Klein)

É importante lembrar ainda que, segundo Freud, a parte consciente da mente evolve a partir do inconsciente. Continuar a leitura