Sobre a Polêmica da Descriminalização do Aborto

Chega-me uma notícia de gravidade, referente à postura do governo brasileiro em relação a alguns tópicos do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que vinha já causando certa polêmica entre o governo e, principalmente, a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana, para quem não sabe). Para falar com mais exatidão, os tópicos dizem respeito à união civil¹ entre casais homossexuais (a Argentina saiu na frente no Brasil nesse quesito, basta procurarem pela web por notícias) e do debate acerca da descriminalização do aborto. Eu optei por colocar a questão da união civil homossexual de lado e tratar unicamente da descriminalização do aborto – por mera questão de preferência.

Bem, no PNDH-3 constava a inclusão um plano dedicado à questão do aborto (a aprovação de um projeto de lei que ampliaria o leque de legitimidade do aborto, posto que atualmente o aborto só é permitido legalmente sob duas circunstâncias; a saber: 1) caso de estupro 2) caso de risco de vida para a mulher). Era praticamente consenso que a polêmica do aborto seria tratada agora com a devida importância pelo governo brasileiro, e acredito que os grupos de defesa ao aborto contavam com isso para que suas questões fossem ouvidas, também, com a devida importância (i.e. sem que fossem silenciados, ridicularizados ou alvo de reações hostis pelos preconceitos e dogmatismos religiosos). No entanto, o “excelentíssimo” Governo Federal recuou, retirando então o plano que incluía o supracitado projeto de lei que versava sobre a descriminalização do aborto (constava no plano: “apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”), do PNDH-3.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: qual a razão de tal atitude covarde e mesquinha? Clique e continue

Dos valores do Ocidente e do Oriente

Olá caros leitores, chamo-me Raony F. Moraes (vulgo Rico).  Me dispus a participar deste Blog em parceria com outros colegas pensadores. Abordarei diversas temáticas, tendo como estrutura textual a linguagem filosófica. Para quem não sabe, sou um futuro estudante de Filosofia (fascinado por Nietzsche e pela filosofia contemporânea francesa – que tem suas raízes em Nietzsche). Aprecio por demais a boa leitura e a boa escrita.

Em se tratando de leituras filosóficas, nutro enorme admiração não só por Nietzsche, mas também por Rousseau – um dos pensadores que fomentaram os ideais Iluministas e por conseguinte, a Revolução Francesa de 1789 -;  Sartre – o “pai” do existencialismo e um dos mais polêmicos pensadores do século XX -; Foucault, conhecido principalmente pela originalidade de sua analítica do poder; Deleuze, o filósofo da diferença e do acontecimento; Maquiavel, autor de um dos mais célebres manuais de política; Spinoza, criador da teoria dos afetos; faço também várias outras leituras “menores”, como Platão, Descartes, Kant, os pré-socráticos, escolástica etc.

No âmbito da literatura – tanto estrangeira quanto brasileira – gosto de Kafka, Charles Bukowski, Milan Kundera, Fernando Pessoa, Marquês de Sade,  Sir Arthur Conan Doyle, João Antônio, Machado de Assis, Ferreira Gullar, Gracilliano Ramos, Clarice Lispector, entre tantos outros que no momento, fogem-me da mente – minha memória, às vezes, prega-me peças por demais maldosas. Abomino o regime dos best-sellers, a literatura medíocre, a literatura de vitrine alavancada pelo fio da vaidade, pelo exibicionismo, que quer tão somente vender, vender e vender, e que nunca diz nada de fato (eu, particularmente, não hesitaria em queimar ou rasgar um livro da saga Crepúsculo). Minha literatura não é a literatura da academia, a literatura castrada, separada de sua potência revolucionária e criadora. Para mim, só há literatura voltada para a vida, que suscita novas formas de ser e de sentir, de interpretar o mundo, as pessoas etc. É isso.

Após essa breve apresentação – afinal, esta será a minha primeira postagem neste Blog -, penso que já podemos ir “direto ao ponto”. Mas sobre o que, mais precisamente, eu pretendo falar? O título deste post dá uma breve idéia do que se trata, mas, não é o suficiente, sendo de muito bom grado uma explicação preliminar. Não pretendo falar sobre as diferenças entre os valores ocidentais e orientais, também não pretendo estabelecer critérios de superioridade – como se costuma geralmente fazer -, nem mesmo quero realizar um exame genealógico em paralelo com cada um. O que almejo é, mais precisamente, discorrer acerca da visão moral que o ocidente tem do oriente, e em como essa visão moral é hipócrita, autoritária, esdrúxula e tão somente demonstra a prepotência ocidental em relação às suas verdades.

Clique e continue a leitura