O caminho

Pensar os caminhos, eis algo que, talvez, a psicanálise não tenha feito, salvo algumas exceções, mas que se mantiveram num nível de análise superficial demais. Podemos perceber isso no exemplo de Hans: Freud se esforça em mostrar (de maneira risível, como na maioria das vezes) os encadeamentos do inconsciente; Hans sai de casa, Hans vê um cavalo apanhando, como Hans reage a estas coisas. No entanto, Freud não se aprofunda o suficiente para saber como o próprio caminho, e não apenas elementos isolados desse caminho, se relaciona com Hans. Árpad, o “menino-galo”, é exatamente a mesma coisa; Ferenczi se mantém em um nível que não é o suficiente. É dificílimo achar qualquer preocupação com o meio, e é por isso que o empreendimento de Deleuze e Guattari é tão importante e necessário, pois entender os meios permite entender o todo, quem sabe. Clique aqui e continue a ler

Amar se aprende inquietando-se

O CONCEITO DE INQUIETAÇÃO¹

“Antônio atento às áreas de silêncio entre as palavras,
nelas distinguindo a misteriosa ressonância
do inexprimível afinal expressado, […]”

(ANDRADE, 1987:47)

A partir das obras de Drummond compostas em determinada época, a saber, de 1935 até 1959, Antônio Cândido tenta traçar as múltiplas facetas das linhas de fuga que ele denomina inquietação. Essas linhas de fuga são tentativas do autor de pensar o mundo através de vários segmentos, do subjetivo, em “José” e “Rosa do Povo”, até o global, em “Sentimendo do Mundo”, como traça o autor.

Continue a ler. O texto é bem chatinho, pois tem um cunho muito acadêmico, mas é que foi um trabalho de teoria literária III que tive de fazer.

Jean-Paul Février fala Sobre a Filosofia da Diferença e Sua Irredutibilidade em Relação a Um Ideal Orgíaco Pós-modernista

Prelúdio Poético-filosófico a Uma Mentira: o Traidor e a Consciência Feliz

Bom, resolvi contar-lhes uma mentira; a saber: esta entrevista que nunca acontece e que, no entanto existe, segundo uma certa lógica que é a do pensamento que ela mobiliza em sua mentira fundamental. Trata-se de uma brincadeira, de um jogo de verdades sombrias ou de um baile de máscaras onde, para a surpresa de qualquer curioso incauto, só há mascara por detrás de máscara, “o segredo é que não há segredo”. Há, igualmente, um quê de traição; e assim faz-se uma comédia: finjo ser quem não sou, ou antes, disfarço-me sob a máscara de um outro, de um estranho – um francês que não é francês, que nem mesmo escreve em francês, mas que fora aluno e orientando do Deleuze, escreveu um livro, consagrou-se como filósofo e viveu em Lyon (uma grande cidade francesa). A entrevista tem uma data que não passa de outra faceta da mentira e o entrevistador não passa de um disparate. Nada é o que aparenta ser, ou nada chega mesmo a ser – metamorfoses de Dioniso, o deus mascarado, o deus da multiplicidade. E aí este texto já se torna também uma tragédia. Eu, que vos escrevo, não sou mais do que minhas personagens fictícias; eu sou como eles, minha personalidade é uma máscara que não esconde uma essência, uma natureza, mas dá testemunho de uma verdade cintilante: não há essência ou natureza a ser revelada. Tudo o que há para ver encontra-se na superfície das máscaras sobrepostas, “o mais profundo é a pele”. Quem sou eu? Não importa! Só o devir conta, afinal.

 

 

Jean-Paul Février fala Sobre a Filosofia da Diferença e Sua Irredutibilidade em Relação a Um Ideal Orgíaco Pós-modernista1

 

 

Pierre: O senhor buscou sempre enfatizar que suas pesquisas giram em torno de um conceito como o de Diferença, tal como Deleuze, que foi também seu professor e orientador, o concebia. Todavia, alguns críticos vêem no senhor a marca de um desvio: haveria, aí, uma aproximação perigosa entre a filosofia da diferença e o pós-modernismo. A que se deve tal desvio (se é que se trata de um)?

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