Contra o instinto de rebanho

Contra o instinto de rebanho – Todo homem é de uma natureza distinta, superior; um tipo altivo, que está – que deve estar para a preservação de seu tipo – para além de toda a canalha, não deve jamais se enganar quanto ao caráter pernicioso do elogio, da bajulação; sejam eles [elogio e bajulação] poucos ou muitos, deve-se suspeitar. Mas por quê? Ora, o homem superior afirma a si mesmo e põe em si mesmo seu centro de gravidade. Aquele que procura elogios, que quer ser elogiado – e só terá certeza de seu tipo após receber esses elogios, após receber a aprovação do rebanho -, é um tipo decadente. Não há nada mais contrário à uma moral nobre do que o instinto de rebanho que se esconde por detrás de toda necessidade interior de elogios, de bajuladores. “Por todos os lados procurei partidários, mas não os encontrei; seria eu realmente grande, então?” assim fala o decadente par excellence. É verdade que todos nós temos direito a nossos detratores e discípulos, apreciadores, mas que não sejam eles o motivo pelo qual sentimos em nós a grandiosidade, a altura do nosso espírito ímpar. O homem nobre deve dizer “eu sou bom”, “eu sou superior”, e jamais buscar nos outros aquilo que ele deve procurar e encontrar em si mesmo – somente em si mesmo. Assim fala, pois, toda sabedoria superior.