Sobre a Polêmica da Descriminalização do Aborto

Chega-me uma notícia de gravidade, referente à postura do governo brasileiro em relação a alguns tópicos do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que vinha já causando certa polêmica entre o governo e, principalmente, a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana, para quem não sabe). Para falar com mais exatidão, os tópicos dizem respeito à união civil¹ entre casais homossexuais (a Argentina saiu na frente no Brasil nesse quesito, basta procurarem pela web por notícias) e do debate acerca da descriminalização do aborto. Eu optei por colocar a questão da união civil homossexual de lado e tratar unicamente da descriminalização do aborto – por mera questão de preferência.

Bem, no PNDH-3 constava a inclusão um plano dedicado à questão do aborto (a aprovação de um projeto de lei que ampliaria o leque de legitimidade do aborto, posto que atualmente o aborto só é permitido legalmente sob duas circunstâncias; a saber: 1) caso de estupro 2) caso de risco de vida para a mulher). Era praticamente consenso que a polêmica do aborto seria tratada agora com a devida importância pelo governo brasileiro, e acredito que os grupos de defesa ao aborto contavam com isso para que suas questões fossem ouvidas, também, com a devida importância (i.e. sem que fossem silenciados, ridicularizados ou alvo de reações hostis pelos preconceitos e dogmatismos religiosos). No entanto, o “excelentíssimo” Governo Federal recuou, retirando então o plano que incluía o supracitado projeto de lei que versava sobre a descriminalização do aborto (constava no plano: “apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”), do PNDH-3.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: qual a razão de tal atitude covarde e mesquinha? Clique e continue