Magma Series: IV (pt. II)

Fontes do Inconsciente, pt II

Abordarei com peso na parte dois do meu ensaio acerca da inveja, ciúme e voracidade o processo de cisão.

Experiências desagradáveis e emoções associadas a objetos externos e introjetados são dissociadas de experiências e emoções agradáveis através de um processo de cisão.

Considero o processo de cisão uma pré-condição para a estabilidade da criança: durante os primeiros meses, ele predominantemente separa o objeto bom do mau, e assim, de uma maneira fundamental conserva-o  – a segurança do ego. Ao mesmo tempo, essa divisão primitiva só tem êxito se existe uma capacidade adequada de amor e um ego relativamente forte. A predominância do “bom” e “mau” pode, ao mesmo tempo ser tão ruim, quanto boa. O motivo que me faz crer em tal hipótese é que, a predominância paradigmática do “bom” e do “ruim”, ausentando-se de um objeto idealizado (ou desejável), me remete novamente à inveja e voracidade, logo, tornam-se portas abertas para tais sentimentos. A inveja excessiva, manifestação de impulsos destrutivos, interfere na cisão primária entre o seio bom e o mau e não pode ser conseguida a formação de um objeto bom. Entramos em uma nova fase do processo de cisão.

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A poesia Alemã

Landscape, de Hesse

Há alguns dias, comecei a ler uma breve antologia que mostrava poucos dos milhares de poemas Alemães. Na capa, a dócil aquarela de Hesse que pintou a delicadeza das casas alemães em 1919.

Entretanto, a dor lancinante da segunda guerra mundial de ver uma pátria que já não existe mais, uma Alemanha dividida e diminuida. Brecht foi um dos que sobreviveu; fora banido pelos Nazistas, consideravam sua obra decadente. Brecht voltou à Alemanha em 1946, e neste período começou a escrever suas melhores obras. Com linguagem forte, ele desenvolveu um estilo peculiar misturando o lírico e o popular, a balada com o folclore, inspirado nas filosofias orientais e na doutrina do Marxismo.

Brecht dedicou um poema a nós, “os que viemos depois dele”

A aqueles que vêm depois de mim Continue para ler o poema

Magma Series: IV (pt. I)

Fontes do inconsciente:

Neste post pretendo falar sobre as origens mais arcaicas de atitudes como inveja e gratidão. Voltando um pouco no tempo e analisando vários experimentos realizados por psicólogos, psiquiatras e até mesmo teses por, principalmente, Freud, que é o que estou lendo muito ultimamente.

“É inerente às descobertas de Freud ser a exploração do passado do paciente, de sua infância e de seu inconsciente, uma pré-condição para se compreender a sua personalidade adulta. Freud descobriu o complexo de Édipo no adulto e reconstruiu, a partir deste material, não apenas minúcias do complexo de édipo, mas, também a época de seu surgimento.” – Fontes do Inconsciente (Melanie Klein)

É importante lembrar ainda que, segundo Freud, a parte consciente da mente evolve a partir do inconsciente. Continuar a leitura

Magma Series: II

A Quietude

Quando se fala na quietude, algumas pessoas associam ao ócio. Não é um pensamento certo, mas, não deixa de ser um pensamento errado.

Soa paradoxal, porém, falo de mais uma vez: o magma.

A quietude, o silêncio ou calmaria remete à uma situação muito diferente do ócio usual, aquele que lemos tanto por aí… pessoas reclamando do tédio e o quão ruim a vida é, simplesmente por isto.

Na quietude, encontrei as respostas mais importantes para momentos de minha vida, pois, na quietude não procurei a fuga do ócio, tampouco a sabedoria dos livros. Na quietude procurei ouvir o que realmente nos falamos por dentre suspiros, que tornam-se audíveis e tangíveis na quietude.

Na real quietude, a qual me pus nos momentos que realmente procurei respostas, me vi por instantes, segundos, minutos ou eras, feliz e sereno nos pensamentos.

Como exemplo plausível dou a música Clique

Magma Series: I

O magma: a mais pura textura do fundo de um lugar que cobiçamos, porém nunca vamos. O medo nos impede, assim como faz com o resto do indolente mundo em que vivemos.

O medo não é superado, pois a coragem já mora numa gruta desconhecida, quase uma eremita, introvertida em seu próprio esquecimento.

O que esmorece é ver que o mundo já se perde no paradigma, não se cobiça o que está atrás da cama, não se cobiça o que é promissor, pois o promissor é sempre temido.

Herói nenhum venceu batalha sem devanear-se como Julio Cortázar, nos detalhes mais rotineiros se encontram as respostas e não são respostas promissoras, pois o promissor está muito além: naquilo que sequer temos consciência de. Clique e continue ^^