In meta-naturam orationes

Se um homem vigoroso se atrevesse a perguntar no microfone do mundo quais dos presentes vivos são metafísicos, de certo apenas uma ou duas mãos se levantariam e estes diriam “nós, com orgulho, somos metafísicos”. Uma ou duas mentes já no leito de um hospital, prontas para seu derradeiro fim. E aí, pensaríamos: “O mundo já está livre da metafísica”. Crasso engano. Nos intelectuais e nos filósofos e nos pensadores a metafísica já jaz sepultada no cemitério da história. Mas, nas mentes outras, nos homens que sempre sabem e conhecem pelo famoso telefone sem fio, a metafísica vive, e vive esplendorosamente. É que o modo metafísico de encarar o mundo já está tão enraizado no Ocidente e no mundo ocidentalizado que sequer há a possibilidade de perceber este enraizamento. Daí ouvirmos aos montes todo um repúdio pela metafísica e estes repudiadores serem tão metafísicos quanto Platão! Nega-se, então, a metafísica sem saber o que é metafísica. A negação pela negação. E não seriam esses separadores sedutores os metafísicos de hoje? Estes que separam o mundo entre real e ideal, inteligível e sensível, em prática e teoria. Estes que chamam tudo de metafísico e usam a própria metafísica para isso! Um certo alemão disse uma certa coisa: “A crença fundamental dos metafísicos é a crença na antítese dos valores.” Eu estenderia e diria que a crença fundamental dos metafísicos é a crença na possibilidade de divisão! Brava metafísica, imortal como a ignorância!

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