Crítica aos Arrogantes

Dizia-se por aí, através de linhas virulentas, que alguém precisa arrogar o que lhe é próprio para ser o que se é. Como se ser o que é fosse algum tipo de requisição necessária a qualquer princípio de identidade: dizer o que se é só pode ser um enganar-se duas vezes. Não há, como os nobres e senhores, detentores dos sumos valores que não dependam da corja escrava e servil, não há senhor sem escravo e não há escravo sem senhor, só existe um fluxo entre o qual o chicote e o pelourinho são tão íntimos e próximos como a unha e a carne. Resumir ou pretender compactar a individualidade de qualquer um é reduzir à condição servil, à condição escrava, isto é: escrava de sua própria ontologia. Assim sendo, a que finalidade serve escravos e senhores quando se equiparam em sua ontologia?

A identidade, a condição de existência do “ser” não pode nunca fundamentar-se numa tentativa frustrada de equiparação por um princípio, de fato, escravo: a busca por um regimento verdadeiro e absoluto que jamais pode ser abalado. Um cartesianismo maquiado com ares dialéticos, com uma roupa justa, adequada, bastante galante através de um rigor primoroso através de origens etimológicas, entretanto, no reino da realidade aparente, não se cabe a um sujeito uma demonstração daquilo que por si só já é arte. A arte de manifestar a identidade através da linguagem é o promover da metáfora de uma metonímia. As condições do falar, do exprimir e do afirmar-se enquanto individualidade são tão artificiais quanto às roupas dos homens e, portanto, pretender usar-se de fundamento a etimologia de um falar é tão fantasioso quanto que “estar envolvido pela bile” ao ponto de não distinguir o sonho da vigília. A identidade prevalece a todos e seu conflito promove necessariamente a moralidade entre o senhor e escravo, jamais o contrário. Portanto, a condição que “arroga” não é tampouco nenhuma das apresentadas: não se arroga o que nos é próprio e é indiferente o promover linguístico do que se faz aparente.

Tentar aproximar-se a todos ao ramo ontológico, isto é, das mais diversas manifestações conflitantes que se espraiam, afunilar-lhes através de um discurso que promove a submissão dos valores como que escravos e senhores não fossem no fim ambos uma tentativa de apresentação de valores sem necessariamente transvalorá-los é, pois, deveras crucificação da própria vida. Pretensa arrogância daquele que leva para si o peso de medir e de apreciar.

3 thoughts on “Crítica aos Arrogantes

  1. Se isto foi uma tentativa de diálogo com o “homem arrogante”, outra resposta não se faz necessária além desta: leia-o direito…porque a ausência de diálogo é tamanha que nem há possibilidade de resposta para algo que, ao pretender criticar uma coisa, critica outra.

    Estou no sincero aguardo de um diálogo.

    • Amigo,

      Se seu trabalho não corresponde à minha crítica, ou, como se refere, não “dialoga” com ele, queira me mostrar, por gentileza, no que seu ponto se distancia. Afinal, acredito plenamente que eu possa estar enganado, não tenho pretensões de “arrogar” seja o que for, apenas apresentar algo que me parece sensato, mas não impede de toda maneira que eu possa estar enganado ou então com um ponto de vista equívoco em relação ao que pretende me dizer. Em segundo ponto, ler “direito” para mim é arbitrário: é se recusar a dar qualquer tipo de explicações acerca do que seu texto se refere. Ademais, acredito que seria muito fácil que eu simplesmente lhe dissesse que “lesse” meu texto “direito” também, afinal, seria fácil para mim partir desse pressuposto e ignorar seu comentário que aparenta ares de gratuita hostilidade. Mas, caso o senhor não o deseje, favor ignore essa mensagem, entretanto digo-lhe que jamais houvera intenção de fazê-lo furioso ou ofendê-lo, apenas o pensar e refletir acerca de um tema que me pareceu por si só bastante polêmico.

      Tenha uma excelente tarde!

      Tarik.

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