Algumas considerações #7

A positividade do inconsciente

Botar o inconsciente como antro dos recalques e qualquer outro tipo de falha do inconsciente não só é errado como também é reducionista, pois ele nunca se definiria apenas por tais afetos. É preciso antes de tudo perguntar se tais “recalques” e “falhas” são, de fato, algo pertencente ao negativo, pois não é porque há um fonestema “n” que podemos afirmar ser pertencente ao negativo. Muitas coisas daí proveniente foram afirmadas com grandes festas, que perduram até os dias de hoje. Algo que eles não levaram em conta: por mais que digam que ele é aquilo que forma o homem, a parte submersa do iceberg, não há possibilidade alguma de que ele saiba que é o que é. O inconsciente só pode ser formador de algo se levarmos em conta que ele o é inocentemente. Exatamente, também, por isto que não podemos afirmar que o inconsciente já é algo dado; que devemos discordar de praticamente tudo o que diz Melanie Klein e Anna Freud ao tratarem de bebês com menos de um ano de idade dizem, pois elas, como pioneiras de tais estudos, nunca pensaram que o inconsciente anda de mãos dadas sempre com o consciente. Formação conjunta. Quando, então, poderíamos dizer que a inocência é negatividade? Na verdade, ela é a maior marca da positividade, que sequer sabe o que é positividade: a maturidade do homem.

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A evolução do ritornelo

Ao falar de ritornelo, devemos levar em conta que por muito tempo ele foi sempre aquilo que causava a música, era o centro dela. A música se desenvolvia a partir do ritornelo. Não que isto tenha mudado, mas aconteceu algo, com o advento da música eletrônica e (até!) do concretismo. Como? Simples, o ritornelo se tornou a música. Isto era impensável até menos de um século atrás. Basta notarmos, com alguma seriedade, as letras dos funks carioca e das músicas eletrônicas (lembro, ainda, que estas, como se vê em seus clipes, fazem uso, com alguma frequência, de versos concretistas para ilustrar).

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A ideia de morte na modernidade

Ouso lançar a hipótese: a ideia da morte de todas as coisas hoje em dia é proveniente de Nietzsche. Ou melhor, por causa de Nietzsche. Por quê? Ao zombar de todos os filósofos, por não ter acabado seu Zaratustra, sendo que é sabido que na sexta e última parte da obra o personagem morreria, Nietzsche acabou por provar-nos mais de seu espírito brincalhão e dionisíaco: a morte que todos os moradores do negativo do século XX procuram é um modo de completar este que é um dos maiores livros do ocidente. Querem achar a morte de Zaratustra! Morte do autor, da arte, da música, do pintor, do livro… Onde será que ele se esconde? Ah, mas não nos esqueçamos de suas palavras: “Den Vernichter der Moral heissen mich die Guten und Gerechten: meine Geschichte ist unmoralisch.” (“O destruidor da moral me chamam os bons e justos: minha história é imoral.”)

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