Amalgamad’ up

Deitado no meio do chão. Parado. Apenas fotos, uma melodia estranha, quem sabe. Não importa. Veja, veja isso. O inatingível, o impossível, a desolação, a angústia pelo nada que separa aquilo que eu quero e o que ela não quer. Ah! mas quanta filosofia! O que importa a filosofia? Que tipo de amigo é esse que destroi tanto algo? Pouco me importa a filosofia, filosofia destroi a si mesma. Não há amizade alguma com conhecimento algum. Mas e daí? Todo movimento é um novo e outro erro, e tudo parece estar em buracos. Virei um queijo. Barata coisa nenhuma, sou casca mole, uma ameba.

Ela é bonita. Admito, nunca fui capaz de ver a idade alheia – talvez isso seja uma criação do cristianismo –, o que sempre me importou foi como a pessoa era capaz de se mostrar e por que ela se mostrava, através de que ela se via e se jogava na vida. Nesse ponto, talvez, algum outro escritor diria: “porque a vida é mar”. Que vá pro inferno ele com todas essas descrições. A vida…verbo…complemento. Não importa. A vida a vida. Nome completando nome. Mas por que não sei escolher uma pessoa com quem posso ficar? Por que sou tão ruim nisso? Sou incapaz de qualquer escolha boa, de qualquer coisa. Mas por que isso te importa?

Ela é bonita. Tem bons cabelos cor de rosa, algo de rebelde, algo de belo, novo. Mas não, não era uma beleza de fazer o mundo parar, de fazer com que os homens (trouxas) quisessem olhar para sua bunda. No máximo olhavam para o rosto e percebiam qualquer coisa de beleza. Mas não importa o que eles pensam.

“Mais uma história romântica, amorosa, boboca.” Sim, talvez seja. Não me importa o que você também pensa. Pare de ler aqui. É tudo buraco, amálgama. Ela era boa amiga, de muito tempo. Ela sempre soube que eu tenho certa inclinação por ela, que eu a admiro como algo mais. Ela gostava disso, pois assim era mais fácil de conseguir o que queria. Eu sempre me dispus, afinal, somos bons amigos. É tudo triste, tudo horrível aqui. Saia.

Sempre que eu me aproximava mais dela, como que para deitar minha cabeça em seu colo, tais quais outros amigos meus faziam, ela estranhava, ela não gostava, ela pedia licença e saía. Deixava-me ali, simplesmente. Sempre vinha uma certa vergonha olvidante. Por quê? Porque eu me esquecia da vergonha e me lembrava da dor. Dor de impossibilidade, dor de incapacidade, de distância, de insustentabilidade. Era como se amalgamado por inteiro encontrasse-me. Não há nada a ser lido aqui que possa ajudar-te em algo. Há nada além de um tufo de cabelo que juntei com o passar dos anos. Senti-lo em meu rosto me conforta, tais quais as fotos que dela guardo. É a história de uma cobra que morde um dragão, para que depois este exige que aquela lamba o veneno de volta.

O esquecimento bate à porta. Abraço-a como se a uma amada que tanto quis. Ela me aceita como nenhuma outra. Mas outra não basta, a volta é o destino do mar movente. Movendo apenas eu não estou. Mas para que tentar se eu não consigo tê-la? Mas ter o quê? O que há nela para ser tido? Todo movimento a ela é erro.

Neblina. Tudo o que era para ser visto não é passível de visão. Nada de procura do ver, isso é ânsia. Sozinho vim, sozinho vou. Ela é fogo. Um elemento tão alto, tão lá de cima, tão inatingível, impossível. Mas ele me atinge, me machuca, queima, arde, pela. Eu sou água, sou fácil, passivo, raramente ativo, ameba. Todo meu desejo se direciona pra cima, mas eu precipito depois. A distância é de uma realidade.

Apenas não posso ir mais abaixo. Não há mais nada ali. Sim, eu sou o nada ali. Agora eu devo cavar em mim mesmo. Fazer buracos em mim. Começando por dentro. Mas tudo ali é amálgama.

Ela costuma a me fazer carinho, às vezes, mas ela ainda assim recusa o colo. Quando vou cavar em mim mesmo, já não há mais lugar para cavar, já não há mais o que ser descoberto. Qualquer manto foi retirado. Muitos, muitos buracos em mim.

Saia, saia daqui.

Aproximações são como palavras, mentirosas. Aqui não houve cuidado.

Vou aproveitar a dor.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s