O normal #11

Tenho andando com uma certa grande angústia de ficar na internet. Antigamente eu via muitos textos como uma possibilidade de aprender algo – talvez eu ainda fosse muito ignorante, ou apenas uma criança pouco vaidosa. Mas o que aconteceu com esses textos? Grande maioria deles era de jovens, pessoas ativas, ou que ao menos o desejavam ser, de pessoas com ideias, vontades etc. Talvez eu fosse ignorante ainda – uma criança que ainda não sabia o que queria direito. Mas aos poucos essa criança cresceu, não de tamanho, mas de algum tipo de maturidade, alguma vaidade invadiu seu peito e seus desejos. Aos poucos essa criança começou a abrir seus brinquedos e analisar com certa atenção lúdica os mecanismos que moviam ou que permitiam a existência do brinquedo. Quando ela abriu muitos desses brinquedos, ela percebeu que os brinquedos não possuíam nenhum tipo de mecanismo de engrenagens, não possuía algum tipo de bateria – nem sequer algodão ou outro tipo de estofamento tinha lá. A criança percebeu que o que dava aquela pomposidade e fofura ao brinquedo era somente…o vazio! Pois é! O vazio parecia, ali, preencher algum tipo de espaço que permitia o movimento dos átomos, um movimento tão incrível que dava enchimento ao bichinho de pelúcia, ou fazia mover o boneco. Mas como o vazio podia dar vazão à matéria? A criança enxergava aquilo e não entendia, não compreendia como o vazio daqueles brinquedos podia não ser um vazio! Então ela deixou de lado aqueles brinquedos e foi dormir. No dia seguinte, quando foi ver os brinquedos novamente, ele percebeu que estavam vazios. Mas agora totalmente, não havia mais nada até mesmo fora dos brinquedos – o que aconteceu dessa vez? A criança começou a comparar os brinquedos e viu que alguns tinha um preenchimento verdadeiro, possuíam engrenagens complexas. Então a criança teve um pensamento. BUM! Ela imaginou o seguinte: como eu nunca os tinha aberto, as coisas que estavam nesses brinquedos nunca tinha saído, logo, quando ela os abriu, elas sumiram, pois não eram engrenagens reais, não eram nada! O que preenchia os brinquedos eram gases! A criança percebeu que aqueles brinquedos eram somente falsidades, cópias das engrenagens complexas – e cópias muito mal feitas, diga-se de passagem. A criança então, vendo todos aqueles brinquedos, começou a rir e a se divertir tanto: começou a pegá-los e os jogar para cima, rasgá-los, mordê-los, babar neles e fez todas as coisas mais loucas com esses brinquedos. E também brincou muito com aqueles de engrenagens verdadeiras, pois não é justo que só os falsos se divirtam. Após tudo isso, ele pegou esses brinquedos esvaziados e os botou em sua caixa junto com os brinquedos reais – como poderia ela se livrar desses brinquedos? Só porque eram falsos? Após uma ótima noite de sono, ela acordou e foi brincar novamente. Dessa vez, ela brincou bastante com todos, mas parou para aprender mais com os brinquedos preenchidos. E nossa, como aprendeu! Foi percebendo os porquês de cada engrenagem estar em seu lugar, percebendo o motivo de cada parte de cada engrenagem até! Ela passou a tarde e a noite inteira com esses brinquedos preenchidos. No dia seguinte, após sair para brincar no parque, ter caído, empurrado outros, brincado de lutinha e muito mais, ela voltou para casa, esquecendo-se de tomar banho, com um pouco de lama no rosto. Ela tirou seus brinquedos do baú, começou a vê-los e começou a ver diferenças imensas entre um e outro, entre o vazio e o preenchido. Não via mais a possibilidade de brincar com tais brinquedos, ela tentou, mas nenhum pôde ser nada além de chão em que os preenchidos passavam. Não podia mais imaginar com eles. O que ela podia fazer agora? Nada. Ou os deixar no fundo do baú ou botar fogo neles. O que uma criança poderia querer mais com essas duas opções? Ah sim, essa criança sempre se impressionou com o fogo, ainda mais quando ela é a causa dele, ainda mais quando é em prol do objeto que não faz rir mais. – Após um pouco mais de amadurecimento da criança, ela começou a perceber que aquilo que diferenciava os vazios dos preenchidos era que estes possuíam movimento – sim, movimento, eles também possibilitavam o movimento. Aqueles não possuíam nada, eram nada mais nada menos que calmaria. Ora, mas uma criança como esta que sou não quer nenhum tipo de calmaria, ela quer a melhor “wild rumpus“. Ela deseja um mar com ondas tsunâmicas – esses mares calmos acabam por definhá-la; como e por que deveria ela aguentar essa situação? Desde então, a criança tem conseguido tantos outros e melhores brinquedos, tantas novas fogueiras também fez! Desde então a criança não conseguiu mais parar de se divertir – e ela não conseguia fazer isso sem um pouco de lama no rosto.

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