Pensamentos aleatórios #62

Sobre a intervenção urbana, arte e a desconstrução das relações sociais.

Onde eu estava? Bem, eu estava ausente.

Por quê? Porque eu estava com preguiça.

Leia mais, sei que você estava com saudades de mim.

Originalmente eu pretendia escrever sobre sexualidade, mas ninguém liga pra sexualidade e um assunto mais interessante fácil acabou surgindo: Intervenções nas ruas.

Só de ouvir falar de intervenções normalmente pensamos em intervenções armadas tipo UPP ou guerra do Iraque, porém raramente pensamos em intervenções urbanas.

O que são essas coisas coisas urbanas ai?

Intervenções são manifestações artísticas de qualquer tipo, geralmente expressas com mensagens pintadas nas paredes, grafite, estátuas vivas e pandas vestidos de humanos, talvez, até por meio de flashmobs.

Dois exemplos (os únicos que me vêm em mente) são os gêmeos:

e o Banksy (aliás, veja o livro dele “Existencialism”):

e, o ponto central do post:

But it changed, my friend, it changed

Bem, estava discutindo calorosamente com a companheira sentimental enquanto esperávamos o ônibus, não com aquela vontade de jogar gasolina no parceiro e acender o fósforo, sabe? Mas com os ânimos muito acima do que deveriam estar. Até que a tal companheira para por um instante, encara uma das pilastras do ponto e fala:

“Olha lá o que tá escrito”

E o que estava escrito? Bem, a pilastra dizia: “Já deu seu abraço hoje?”

Santa.

Mãe.

De.

Deus.

Acabou que demos um abraço e a discussão acabou, mas eu fiquei pensando aqui com os meus botões:

Por que estamos tão frios?

É verdade, por que estamos tão frios?

Diabos, o que está acontecendo de errado? Seria Nietzsche?

Hoje li na volta do ônibus, dentro do metrô, uma crônica do W.Carrasco dizendo que já se rendeu às redes sociais e descobriu que produzia menos por que estava ligado nelas.

Não seria esse o problema com a sociedade? Não conseguir se desplugar?

É um ‘must’ de todo smartphone ter conexão para a internet, mas, curiosamente, essa conexão só isola as pessoas fisicamente. Muita gente conhece ou é alguém que conversa com um membro da família que está a 10 metros de distância pelo msn/facebook/orkut ao invés de falar.

Nas ruas,  não olhamos para o lixeiro como um prestador de serviços, mas como um serviçal, como uma pessoa a ser ignorada justamente por ser inferior. Será que é correto ignorar o lixeiro do seu prédio como ele ‘não tem estudo’?

Em Portugal existe um ditado que diz que se queremos ver como um homem trata seus iguais devemos dar a ele um chicote e ver como ele trata seus inferiores. Será que o problema é o homem ou o chicote que o torna assim?

Cego, orgulhoso e ignorante?

6 thoughts on “Pensamentos aleatórios #62

  1. Não comentarei nada meu, deixarei apenas um quote de um amigo:

    “Colocaram entre mim e eles todas as faltas e todas as fraquezas humanas – é o que eles chamam, em suas casas, ‘andar falsamente’.

    Mas, apesar de tudo, meus pensamentos se movem acima de suas cabeças, e até se me faço levar por meus próprios defeitos, eu me encontraria ainda acima de suas cabeças.

    Pois os homens não são iguais. E o que eu quero, eles não têm o direito de o querer!”

  2. Essa arte “arrebatadora, desconcertante e anárquica” esta espalhada por toda metrópole do caos… e essa arte vai muito além dos muros puros de uma sociedade sem valores… louco o Blog!
    Provos Brasil

    • Sim, me dói o coração ver alguma delas sendo apagada ou pixada por cima pelos haters ou coisa parecida.
      Prefiro ver um desenho do banksy do que uma parede branca no meio da avenida.
      Aliás, isso me lembra de um projeto de um brasileiro que tirava a poeira dos túneis de São Paulo e pintava caveiras com panos, muito interessante – depois ele misturou a poeira dos panos na água e pintou um quadro.

  3. Além disso, trata também da intolerância, do não querer saber daquilo que acontece fora dos nossos muros.

    • Sim, converso com o meu irmão eventualmente sobre arte e ele sempre diz que arte é subjetiva, e é verdade. Se isso é arte por que eu não posso considerar uma frase como “É nóis” também como arte?
      Dai surgem perguntas como o que é arte, quem sabe eles estão errados por serem intolerantes ou nós estamos por não respeitar o que eles consideram arte e por que ‘pixamos’ o muro deles.

  4. Pingback: Paredes divisórias – um breve pensamento « Era uma vez Chaplin…

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