Devir-poeta: Poemas Quebrados I

Dos Humildes

Lançaram-me à lama, impavidamente, com um sorriso cínico nos lábios!
Eles [todo mundo], com ódio e rancor, forçaram-me a esconder todos os meus tesouros;
disseram-me que eu não era o melhor, que eu… não… podia… ser: nunca!
Nada deve elevar-se acima dos porcos [deles]. É o que disseram também.

Há neles crueldade – e paixão – o bastante para fazer o mundo inteiro arder em chamas;
afirmo-vos: nem o próprio Deus seria capaz de empreender vingança mais sublime.
Ceifam vidas puras e belas e protestam: ímpios! diabólicos! maudites!
Os mais alegres morrem em suas fogueiras sob a marca da bruxaria e da imoralidade.

Eis o seu imperativo categórico: sejais o mais baixo e assim será o mais feliz,
ponha-se à humilhação diante do teu ideal [Deus], execre-se, mortifique-se.
Lambuze-se com as pútridas águas da moral dos exíguos
e afastai de ti todo sentimento de superioridade: ele é mau!

Torna-te pequeno,
torna-te rato,
torna-te inseto,
torna-te bicho.

(Raony F. Moraes)

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