Tao te King

O livro de Lao Tsé, Tao te King, contém oitenta aforismos que traduzem a sua filosofia e suas crenças. O nome do livro significa, em nosso português: “O livro que revela Deus”, mas não deixe isso afetar a leitura, pois nela, não moram apenas sabedoria relativa à Ele, ou ao Alguém. Esse homem foi um sábio.

Postarei alguns dos oitenta aforismos aqui para incitar a leitura deste belíssimo livro.

[Pg. 23, do aforismo: O uno e o verso do universo]

“A diferença entre Ser e Existir
É apenas de nomes.
Misterioso é o fundo
Da sua unidade.
Eis em que consiste a sabedoria suprema”

[Pg 26, do aforismo: Síntese das antíteses]

“Só temos consciência do belo,
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
Porquanto, o Ser e o Existir
Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age
Pelo não-agir
E ensina sem falar.
Aceita tudo o que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza – e nada considera seu.
Tudo faz – e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos de sua atividade
Termina a sua obra,
E está sempre no princípio.
E por isso prospera.”

[Pg 34, do aforismo: Todos os vivos nascem e morrem – mas a vida é imortal]

“Imperecível é o espírito da profundeza,
Como o seio profundo da maternidade.
Céus e terra radicam no seio da mãe.
São a origem de todos os vivos,
Que espontaneamente brotaram da Vida.”

[Pg 40, do aforismo: Fazer o necessário e não o supérfluo]

“Só se pode encher um vaso até a borda –
Nem uma gota a mais.
Não se pode aguçar uma faca,
E logo testar sua agudeza.
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas,
Sem ter lugar seguro para guardá-los.
Quem é rico e estimado,
Mas não conhece a sua limitação,
Atrai a sua própria desgraça.
Quem faz grandes coisas,
E delas não se envaidece,
Esse realiza o céu em si mesmo.”

[Pg 41, do aforismo: Rumo à profundeza da vida]

“O poder do espírito
E a harmonia das forças
Preservam da dispersão a vida.
Assim procedendo, se torna o homem
Semelhante à criança,
Clarificando sempre sua visão
E purificando sempre sua vida.
Segue as suas veredas
Sem jamais aberrar.”

[Pg 43, do aforismo: A atuação do invisível no visível]

“Trinta raios convergentes no centro
Tem uma roda,
Mas somente os vácuos entre os raios
É que facultam seu movimento.
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.
Paredes são massas com portas e janelas,
Mas somente o vácuo entre as massas
Lhes dá utilidade –
Assim são as coisas físicas
Que parecem ser o principal
Mas o seu valor está no metafísico.”

[Pg 47, do aforismo: Atitude reta, suposição para atos corretos]

“Favor e desfavor geram angústia.
Honras geram dissabores para o ego.
Por que favor e desfavor geram dissabores?
Porque quem espera favor paira na incerteza,
Sem saber se o receberá.
Quem recebe favor também paira na incerteza:
Não sabe se o conservará.
Por isso causam dissabor
Tanto o favor como o desfavor.
Por que as honras geram dissabor?
Todo dissabor nasce do fato
De alguém ser um ego.
E não é possível contentar o ego
Se eu pudesse libertar-me do ego,
Não haveria mais dissabores.”

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