Pensamentos aleatórios #61

Bem, depois mais de 90 luas volto a esta cabana, vindo diretamente do interior de uma baleia, um incidente que custou minha perna direita e me rendeu um novo apelido: Corsário Barbossa, a serviço da Vossa Majestade, o rei e da Coroa Britânica. Não, espere, não estamos no set de Piratas do Caribe 4 e não era uma baleia.

O homem ‘quebrou’ a perna apenas (a preça azul parece uma bota ortopédica), o CG vai tratar de amputar e troca-la por uma perna de pau.

Bem, nada mais importa, hoje venho falar não de mulheres tatuadas, de filosofia, de religião ou política, venho falar de ensino e aprendizado.

Aliás, vou falar de religião, política e filosofia, quem sabe surjam mulheres tatuadas, nunca se sabe… Hoje conversava com um amigo no cursinho que pediu para irmos comprar folhas de fichário, eu disse que deveríamos correr à papelaria muito rápido pois iria ensinar uma garota que senta do meu lado a marcar forças na matéria de física. Você, criatura que está no cursinho, sabe que marcar forças é  primordial e que é matéria das primeiras apostilas. Aliás, sabe também que marcar forças é a base de inúmeros exercícios de dinâmica.

E então o amigo vira e fala: “Nossa, essa menina vai prestar medicina? Não né?!”

Digo que não, pergunto o por quê e ouço que a menina deveria ser muito burra e o por que é que ela não sabia algo trivial como marcar forças.

Quando fui falar com ele que as pessoas tinham dificuldades, ele diz que a menina teve dois meses para aprender aquilo e não aprendeu, que não valeria nada explicar isso às vésperas da revisão.

Santo Deus.

Começamos a discutir, mas o garoto simplesmente ignorava que as pessoas tem dificuldade com as matérias e tem um ‘bloqueio’ para exatas (normalmente) justamente porque essa matéria é absurdamente abstrata. Considerava-me uma falha em exatas até que nos exames do terceiro ano tirei 10 em matemática e 9,5 em física. De lá até hoje vi que a matemática é útil e inventei métodos para driblar essa aparente ilogicidade da matemática e da física. E enquanto falava isso o garoto me olhava e no final dispara: “Não, por que pra mim isso é um dogma”

Momentos de dor.

Dogma?

DOGMA?

-DOGMA?!?!-

“ARRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR! Seu cão selvagem sarnento!”

Senti-me como um Ateu frente a frente com um Evangélico criacionista, me senti como um cientista frente a frente com um dinossauro que insiste que não foi extinto milhões de anos atrás e deseja me almoçar, me senti como um Libertário frente a frente com um Liberal.

Deus, onde foi que você errou?

A teoria do conhecimento não é uma crença, a teoria do conhecimento e do aprendizado são uma ciência, tem bases, tem teorias, tem um motivo de ser, elas não são um dogma,  não são uma verdade absoluta, o aprendizado no Brasil é uma maldição, as escolas de base são horríveis, estão dilapidadas, e um cão me diz que “o método dele funciona para ele”. É claro que funciona, mas não funciona para todo o mundo porque você não é a última célula viva de um cérebro. Uma coisa que aprendi é que muitos alunos detestam uma matéria porque o professor não dá autonomia para o aluno aprender como acha que deve, tive um professor de matemática que exigia que os professores copiassem o que ele falava; curiosamente um outro professor de biologia meu não consegue copiar e ouvir com atenção, por isso deixava que alguém fizesse isso para ele na faculdade e não exige que ninguém copie o que ele escreve na lousa – um exemplo de que os métodos de aprendizado são diferentes e a imposição ao aluno de um método não é necessáriamente o melhor. Isso me leva a pensar em política, por que diabos não há uma reforma no ensino médio? Uma flexibilização dos currículos e uma melhoria acentuada na qualidade dos cursos e estímulo aos melhores alunos das salas a ensinar assim como acontece na Dinamarca ou Noruega? Quem sabe por causa dos sindicatos? Quem sabe por causa dos políticos? Quem sabe por causa dos salários baixos?

Não importa, vou voltar a estudar, afinal, é uma verdade absoluta que ensinar de nada vale.

3 thoughts on “Pensamentos aleatórios #61

  1. Aleatoriamente Genial, caro Cure. Espero que um dia essa situação possa mudar, mas quem sabe também há de piorar…

    Tudo que podemos fazer é pensar na nossa própria carcaça e esperar que o resto olhe para baixo e realmente veja que estamos deitados no meio da merda.

    • Irá piorar enquanto algumas pessoas achem que ensinar alguém que está perto do fim é jogar pérolas aos porcos.

  2. Terrível verdade. Ainda lembro, quando lecionava para um curso noturno que, durante o intervalo, os demais professores degustavam a “sátira aos burros”, era a orgia dos “intelectuais” sobre a “ralé”. O melhor era vincular a feição cansada (de quem trabalhou o dia todo), com as perguntas “sem noção”. Enojava. Permanecia em silêncio. Como abrir aqueles cérebros murados pela verdadeira ignorância? Só mesmo a ceifadas.

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