Entrevista com Diapokskov

Tive a grande honra de entrevistar um dos maiores filósofos da pós-modernidade, nosso querido Diapokskov. Bastante conhecido por seus ensaios não-convencionais e que abalaram, decerto, toda a cultura que hoje conhecemos. Abaixo segue minhas perguntas, em negrito, seguido pelas respostas, em itálico, de nosso grande filósofo.

Ent.: Olá, Diapokskov. É um grande prazer conseguir uma entrevista contigo: um dos mais importantes filósofos nos dias de hoje. Gostaria de começar a entrevista perguntando sobre o que te inspira.

Olá, Felipe. Bem, obrigado pelos elogios, antes de tudo. Agora, quanto a tua pergunta, vamos lá: o que inspira meus ensaios e escritos são justamente ações do cotidiano: qualquer coisinha já está sujeita a uma reflexão aprofundada. Ontem mesmo, eu comecei a fazer um ensaio acerca do fumar tabaco com cachimbo: é interessante, pois eu gosto dessa liberdade de deixar passar pelos pulmões a nicotina e todas as outrras substâncias químicas, gosto de liberar aquele ar: faço isso desde meus sete anos! Não me privarei de tal ato por causa das outras pessoas. Mas é basicamente isso que me inspira: qualquer coisa.

Ent.: Que interessante esse novo jeito de pensar, seria uma quebra daquilo que foi instituído por milhões de anos, desde os pré-socráticos, de pensar em coisas menos subjetivas, como o ato de fumar. Conte-nos mais acerca do teu ensaio recentemente publicado.

Ah sim, o meu novo ensaio, “De bostam”¹, foi escrito enquanto eu percebia, lembrando de Freud e sua teoria sádico-anal, como o excremento sai de meu esfíncter anal: é algo que merece reflexão! Porque nós passamos tempo de nossa vida lá, nós precisamos pensar acerca disso: o defecar como defecar é somente defecar ou há algo por trás desse defecar? Essa linha lógica foi algo trabalhado por milhares de filósofos antes de mim: o próprio Kant, por exemplo, quando começou a se questionar acerca da causalidade e da razão: a razão é somente paixão ou há algo por trás disso? Eu procuro buscar as respostas das coisas que, a priori, são mais simples, mas que, no fundo, não são tão simples. É como aquele meu ensaio acerca do pegar o papel do fichário, afinal, você faz aquilo só porque você precisa do papel ou porque o papel precisa de você? Procuro ver se há alguma relação acima do normal; o supranormal é o que busco.

Ent.: A sim, isso é verdade, lembro-me de ter lido tal ensaio. Gostaria que você me contasse mais sobre as tuas influências, afinal, o que é que faz com que você tenha essas reflexões?

Tenho uma grande bagagem teórica, que vem de Melisso, Parmênides, Xenófanes; passa por Epicuro e Sócrates; vem aqui um pouco por Santo Agostinho; vai ali pelo Descartes e Spinoza; esbarra em Kierkegaard , Schopenhauer, Goethe e Nietzsche; tira uma lasca de Agamben, Sartre, Walter Benjamin, Freud, Jung, Melanie Klein, Foucault e Deleuze; e, finalmente, passa pelos pós-modernistas, como os que você já conhece. Gosto muito de ler para poder provar que sou bom aos outros; fora que eu leio rapidamente, pois, assim, eu não perco muito tempo.

Ent.: Vejo aí mais uma quebra do tabu de ter de ler devagarmente para ruminar cada partícula. É como naquele ensaio acerca dos estudos de Francis Bacon, quando ele diz que há três tipos de livros. Aliás, não pude deixar de perceber que você tem mais influência dos filósofos do século XIX para cá do que os mais antigos. Pode nos explicar mais o porquê disso?

A sim, digamos que eu considere a filosofia pós-nietzscheana como a verdadeira filosofia, em que é, finalmente, declarada a morte de Deus. (risos) Sou muito fã de Zaratustra, sigo todas as suas leis à risca, por exemplo: se você me ofender uma vez, eu tenho de te retribuir com dez pequenas injustiças. Eu também tenho de me vencer, perdoar-me e rir dez vezes por dia, para que eu possa dormir bem. Eu também não gosto da compaixão, vejo-a como o maior pecado do além-do-homem, que é o que eu já me considero.

Ent.: Desculpe-me interromper-te, mas nossa! Mais uma bela quebra de tabu, uma vez que Zaratustra não queria discípulos!

Verdade, quebrar tabus é o meu lema; afinal, sou pós-modernista!

Ent.: Muito obrigado por essa maravilhosa entrevista, Diapokskov. Gostaria de falar mais alguma coisa?

Sim, gostaria. Vejo que há, ainda, um certo conservadorismo por parte de muitas pessoas. Não caiam em tais armadilhas, meus jovens! Desejo que vocês possam continuar o meu legado, desejo que não caiam nas armadilhas que nossos primevos caíram. (risos) Não se esqueçam, também, de comprar o meu mais novo livro: “De bostam”.

Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei.

¹ Acerca da bosta.

_

Trilha sonora do dia:

Não é música, mas é que eu estou curtindo “Moral Orel”.

_

Citação do dia:

“É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja.”

Demóstenes de Atenas

3 thoughts on “Entrevista com Diapokskov

  1. Antes de mais nada, parabéns pelo conteúdo do blog. Eu achei simplesmente fantástica a imagem do topo; sou uma grande fã do trabalho de Chaplin; e quanto a entrevista: foi tão bem conduzida, que se tivesse mais 3,4,5 páginas, certamente eu leria até o fim.

    Até mais!

    • Agradeço pelo comentário. Espero que tenhas entendido que tal entrevistado é apenas fictício e que isso foi mais uma crítica à pós-modernidade ^^

      E obrigado pelo incentivo, quem sabe na próxima “entrevista” eu faça algo mais longo e desenvolvido? haha

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s