Preço justo, mas para quem?

Texto de um amigo meu chamado Antony. Ele se prontificou a fazer um artigo sobre algo que estava incomodando-o. Eis o texto; aproveitem a leitura.

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Preço justo?
Recentemente tanto na blogosfera quanto no twitter, e em outras redes de relacionamento, fala-se especialmente em algo: Preço Justo.

Um protesto criado com a intenção de um projeto de lei para uma possível reforma tributária, em especial pelo que é apresentado no vídeo, eletrônicos, tendo se inspirado em um manifesto no inicio de janeiro: Jogo Justo.
Meu questionamento é: Será certo tal manifesto?

Clique aqui para ver mais um “Brasileiro Revolucionário” com a bunda grudada no sofá cumprindo seu dever de ser um bom hipócrita verde-amarelo.

Pois a meu ver, digo que não.

Não sou formado em administração, nem em Direito (ainda) ou em economia, muito menos especialista em tal área, porém entendo que se existem tais impostos, é para uma razão maior.

A primeira coisa que digo (e repetirei) é que SIM, os impostos são abusivos. Porém o grande problema é a administração destes. Veja bem, em alguns países com alto IDH, como a Noruega, arrecadam 50% do salário dos cidadãos para eles obterem a melhor qualidade de vida possível para eles se matarem no final. O imposto é útil – como todos deveriam saber – para a manutenção do Estado, para a balança comercial, a proteção do mercado e para gerar empregos.

Primeiramente, como diria Hobbes, o Estado é como o Leviatã, um monstro indestrutível que precisa ser alimentado, porém é ele que nos defende de “monstros” ainda maiores e garante a nós a segurança – tanto no direito público interno quanto no internacional – e visa o bem comum e a justiça. Seu alimento seria os impostos. Em uma visão mais democrática, são os impostos que nós pagamos para que seja devolvido a nós nas seguintes formas segundo a receita federal: Educação, saúde, programas de transferência e estímulo à cidadania, plano de reforma agrária (utópico, mas enfim), saneamento, segurança pública, entre outras. É necessário também para a proteção do mercado interno, visto que, se for ver, primeiro que podemos até produzir mídias graváveis como o blu-ray na Zona Franca de Manaus, porém, em relação ao quesito cultural (no caso dos filmes) e na tecnologia empregada no software (no caso dos videogames), é produzida no mercado externo, ao abaixar estes impostos, haja vista que não possuímos um mercado concorrente, tais produtos entrarão com força no nosso mercado, gerando grandes benefícios para as multinacionais, todavia nem tantos para nós (especialmente se tais produtos vierem a inflacionar…). Portanto, tais impostos sobre os produtos citados no protesto são necessários, até que o Brasil possa produzir tecnologia o suficiente para nós mesmos produzirmos nossos videogames em larga escala, para que assim possa haver concorrência com o produto externo.

Os grandes problemas dos tributos – além da administração que falarei mais tarde – são dois :
Primeiro é que alguns não possuem grandiosa utilidade, como é o caso do famoso CPMF (que hoje é outro e não me pergunte qual é porque não lembro) e em certos casos, é cobrado de forma, DE FATO, abusiva, sem justificação adequada, como é o caso no que diz respeito, por exemplo, aos alimentos e roupas. No ano de 2010, possuíamos a alíquota média de 16,9%, bem acima da média de outros países como os Estados Unidos que possui apenas 0,7%. O automóvel é outro bom exemplo, que além dos juros – que neste eu concordo para que reduza as chances de inflação – uma taxa que em 2008, antes da crise, chegava a 40% do valor original, tributo que é de fato, abusivo.

Sobre a administração, este é de fato o MAIOR problema existente no Brasil.

Quando digo administração, incluo a forma que o imposto será devolvido a nós, cidadãos brasileiros, e também incluo o fator da piada mundial: Os salários dos nossos representantes nas Câmaras e seus inúmeros auxílios que apesar de não existir a Realeza no Brasil desde a queda do império em 1889, é um ultraje, pois estes vivem e desfrutam como se fossem lordes absolutos. Segundo o Dep. Federal José Antonio Reguffe, as mordomias de um deputado chegam a mais de 3 milhões gastos dos cofres públicos. Na Suécia, onde existe o sistema parlamentarista, seus parlamentares não possuem absolutamente nenhum luxo (para mais informações, veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=3aC4A7bSnXU)

O Segundo tem mais relação ao problema da taxa alfandegária de importação ainda alta, para países com acordos internacionais para zona livre comércio, ou seja, a zona aduaneira como é o caso do MERCOSUL. Apesar de proteger a balança comercial, evita o crescimento de um todo, o que é uma enorme dificuldade tal forma de equidade e apenas dificulta o comércio. Segundo o acordo, ocorre-se a eliminação dos direitos alfandegários e tarifas, mas quem faz aquele descaminho quando vai ao Paraguai, sabe bem que não ocorre essa “eliminação”.

O retorno para os cidadãos existe, porém é pouco, porque são muito mais evidentes os problemas existentes na infraestrutura, na educação, saúde e segurança pública, porém o que mais me chama atenção é na manutenção das estradas, que tanto pelo poder público quanto por certas indústrias privadas, não ocorre tal fato como deveria. No poder público existem inúmeras estradas podendo ser citadas, especialmente na região norte do país. Já nas privatizadas, dou destaque a BR-101 em Santa Catarina que possui a alcunha de “Rodovia da Morte” no estado e “está sendo reformada” há apenas 12 anos. É através desse retorno de merda que podemos ver que nós estamos contribuindo, porém não nossos representantes.

É através disso que percebemos o governo de merda que existe em nossa “federação” e é através disso que temos que protestar. Não é em si o “preçojusto” dos videogames e outros eletrônicos que fará nossa economia e nossa qualidade de vida crescer, mas sim um “direitojusto”, uma reforma no código penal, no Direito Administrativo; o #precojusto, no que diz respeito aos alimentos, roupas, automóveis, entre outras coisas que são indispensáveis para o ser humano. Somente um protesto visando algo verdadeiramente certo e justo, fará que o Brasil possa ter, finalmente, A ORDEM E O PROGRESSO.

3 thoughts on “Preço justo, mas para quem?

  1. Vi o texto como algo extremamente vago, comparações mirabolantes, e um fundamento só:

    – Vocês estão se preocupando com games, quando no fim o país é um caos por completo?

    E é exatamente isso. Mas não só.

    Há um tipo de sangue que corre diferente. Finalmente o povo Brasileiro está se mobilizando, seja lá ou não pelo envolvimento de um ícone fútil – que é o Felipe Neto – ou ainda mais por se tratar de uma cultura divertida, que é absorvida, sobretudo, em um sorriso que diverte.

    O preço justo não para por aí, dá oportunidade de enfraquecer uma cultura fraca de ética; a pirataria – que infelizmente, só surge pelos altos impostos que rolam por aí. Como alguém que trabalha com jogos, posso afirmar-lhe que o povo está se tornando cada vez mais adepto ao que é original, desde a vontade de ter algo extremamente impecável, ao “simples”: coloca o jogo e joga.

    Acho que há uma visão superficial, e sobretudo, uma explicação superficial batendo defronte ao Preço Justo. Acho que ele é mais do que isso – e não é tão pouco assim.

    • De fato fui um pouco superficial no assunto devido ao pouco tempo que tive para produzir o artigo. Concordo que o Brasil está se mobilizando, mesmo não concordando com esta mobilização. Quem sabe um dia possamos ser mais ativos na esfera política tanto quanto os Franceses.

      • Exato. Talvez isso se torne um incentivo; mas de uma coisa duvido: que as pessoas iriam às ruas por isto. Quer dizer, é só um manifesto onde você preenche com o seu CPF e nome. Mas, não custa sonhar que um dia o Brasil se torne um pouquinho mais ativo na política.

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