Pós-modernismo

O que vos aconteceu seres da leveza?

Aqueles que ouvem música erudita, sabem do que falo: o que aconteceu com a música erudita? O que há na mente dos músicos que insistem em usar de dodecafonia em demasia? Seria isso, para eles, uma tentativa de revolução? Mas uma revolução necessita de ideais, quais são seus ideais, músicos pós-modernistas? Seria um de seus ideais deixar os ouvintes surdos? Ou mostrar que tendes uma mente conturbada? Ou quebrar os valores da música tonal e conotar uma música superior? Mas o que é ser superior? Em relação à quê?

Ei-lo! o músico contemporâneo! Olhe vossas partituras, quantos cromatismos, quantas tentativas falhas da diferença! Quanta vontade de ser além!

A música erudita pós-modernista está dividida em dois grupos: os eruditos revolucionários e os compositores de trilhas sonoras (filme, jogos e afins).

Os compositores de trilhas sonoras são o sustento da nossa música erudita atual! São eles os grandes responsáveis de disseminarem a música erudita como música; sentimos prazer ao ouvir suas músicas, a expressão do sentimento se eleva ao máximo e mostra que a música tonal ainda há muito para ser criada, não há a necessidade de revoluções falsas, invisíveis e esdrúxula. Vejamos tais como a abóbada da música erudita atual, vejamos tais como o alicerce que se alonga, torna-se mais fina e mais forte, junto a Mozart, Ravel, Tchaikovsky, Debussy, Dvořák, Bach, Hendel e todos os outros mestres da música tonal e que fazem o uso belo e máximo do cromatismo pensado e belo; hão de estudá-los, mas nada absorvem, estudam apenas para não passarem por hipócritas, apenas para apresentar um eu a-culto.

Ousar a revolução é promover o avanço: teria sido o nazismo apenas anti-semitismo? O anarquismo, apenas mais uma forma de acabar com a igreja? Onde há revolução, deveria haver pensadores, mas não consigo ver isso em vós, revolucionários. Quereis propagar a destruição dos valores tonais, aqueles os quais, por milênios, foi passada para o papel de forma única e bela, quereis destruir a música como música. Além de tudo, ouso reconhecer o esforço, ouso reconhecer que não foi com má intenção que destruistes o espírito da música, reconheço que houvestes de criar uma nova maneira de expressão porque, afinal, o que é música senão expressão do ser? Mas como ousais compor sobre a natureza? Ó! Krzysztof Pederecki, como ousas criar De Natura Sonoris sendo esta uma obra que deveria representar os sons da natureza? Como ousas demonstrar a natureza como em seu último?! Não há a manifestação da natureza e nem do espírito da terra, há a dessacralização daquilo que temos como o é. Se a natureza é assim vista por Penderecki, então eu terei de afirmar que o mundo está, de fato, em seu apocalipse, 21 de maio será o dia do arrebatamento e vinda de Jesus cristo.

A quem havemos de culpar pela destruição da música?

Stravinsky? Schönberg? Ou os dois juntos?

Nenhum dos três. É bem óbvio que os três foram os que marcaram e criaram a linha que separa o romantismo do modernismo, mas não são os totais culpados!

Podemos culpar a sociedade?

Qual sociedade?! A populaça?! O último-homem?! Temos de culpar àqueles que tinham o poder e apoiaram a destruição da música, a estes chamaremos de doutos da música. Sim, digo-vos que os doutos da música são os culpados, eles que botaram a a-música como música.

E a dança? Será que ela seguiu o mesmo caminho da música? Teria ela se sujeitado ao poder da a-música e ter se transformado em a-dança? Podemos ver isso no “ballet” de “Le Sacre du Printemps“, sendo a música de Stravinsky e a coreografia de Vaslav Nijinsky. Há de se perceber que o ballet contemporâneo sofreu uma transformação mais esdrúxula do que a música.

Há quem diga que eu vos profiro tais palavras pelo simples fato de eu não conseguir entender a pós-modernidade. Digo-vos que já estudei bastante músicas pós-modernistas, já vi muitos recitais de ballet contemporâneo pelo tv. O mais curioso de todas essas músicas é a capacidade de elas conseguirem lhe levar ao ócio, a estranha capacidade de fazer com que a tua atenção não seja para eles e nem deles, mas que seja tua. Poucas foram as coreografias pós-modernistas, e pós, que me encantaram, poucas estas. O sentido inexiste nessas obras, tal qual a revolução falha pela destruição do espírito da música.

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Trilha do dia:

Comparai!

Ambas as obras possuem o mesmo contexto histórico! Qual das duas te toca mais? Qual das duas ouviste até o final? Qual das duas elevou-te a mente? A qual das duas sentiste repulsa?

Lembra-te, porém, que nem tudo é um mal completo! Há obras dos revolucionários que fazem isso, mas em sua maioria, são tonais e não dodecafônicas. Penderecki é um exemplo disso – tanto que hoje vive sua fase de música tonal. Ouça as músicas antes de querer criticá-las, afinal, música não é matemática.

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Citação do dia:

“Então me responderam como um murmúrio: ‘São as palavras mais silenciosas que trazem a tempestade

Os pensamentos que vêm com pés de lã são os que dirigem o mundo.'”

Friedrich Wilhelm Nietzsche

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