Acostumei-me

Palavras, apenas palavras ditas da boca pra fora.
Muito mais do que as rudes, doem as de falso amor.
Lágrimas que borram minha obra à acrílico e a descora.
Não mais perfeita, parecendo aquarela, desfaz-se a flor.

Murchou meus sentimentos, a tua falta dos mesmos.
Desagüei em teus rios e teu corpo amado possuiu-me.
Desesperei-me com a tempestade e deixei cair os remos.
Afoguei-me nas lembranças e o vento gélido ruiu-me.

 

Minha canoa agora furada leva-me a caminho de uma fossa abissal.
Meus olhos agora secos já não brilham, mas se fortalecem.
Já não me assusto com o breu e com o silêncio desigual.
Qualquer ruído soa como um trovão mas é puro como o Jardim do Éden.

 

Há quem diga que todo grande amor só é bem grande se for triste,
Discordo do grande Vinicius de Moraes, o criador dessa frase.
Meu amor é enorme, belo e apesar de triste, ele terminantemente insiste,
Em ser feliz apenas por ser amor. E se assim eu não amasse,

 

Não seria quem sou. Talvez eu tenha, afinal, acostumado-me à tristeza.
Mas de tal modo a não mais me surpreender nem me decepcionar,
Apenas aprendi que nela também há beleza,
E que, chorando ou sorrindo, pra ser feliz, basta amar!

 

Poema escrito em 20 de janeiro de 2011


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