Pensamentos aleatórios #55

Sobre a rotina e erros.

Você e Eu, meu filhote, hoje iremos embarcar numa aventura mágica que o LSD nem Merlin Ele mesmo poderiam proporcionar a nós , ó sim, meus druguinhos! Sairemos de uma explicação absurda para uma idéia de um parágrafo.

Estava no banho,pensando na vida, mais especificamente em um post que eu li em um blog interessante, nele o escritor Bolívar afirma:

“O espiritismo, por exemplo. Uma doutrina criada por um francês charlatão e fascista que pregava que o branco europeu é psicologicamente e “espiritualmente” superior às outras etnias. Além de ser tão picaretagem quanto astrologia ou tarô, é uma religião RACISTA.”

Entenda, filhote. Eu, enquanto ser racional quase agnóstico e eventual desejoso de ver em vida uma refutação plausível do Espiritismo não consigo olhar esse argumento-achismo e rir com prazer ao ver a ‘doutrina do Hippolyte Léon Denizard Rivail‘ ser refutada.

“Por que?”

Por que o homem está errado, oras. Os dois ainda por cima!

“WTF? Se explique!”

Primeiro, creio que Bolívar nunca leu o livro onde o homem afirma isso pois o contexto da mensagem é enviada pelo Hippolyte  (que não é um messias/unico salvador da tal religião, apenas o primeiro “telefone de lá pra cá” famoso [famoso, não conhecido]) em pessoa e não por um espírito superior (isto refuta a opinião do homem de que a religião é racista, o que por si só leva um terço do texto pra caixa de tentativas de refutações falhas, para a minha tristeza).

Segundo,  tal religião afirma que cada um escolhe se quer encarnar e o corpo em que se quer encarnar é o com as melhores oportunidades pra ‘se colocar nos trilhos’, então Allan-Hippolyte erra ao dizer que a Europa (assim como errou ao dizer que o homossexualismo poderia atrapalhar o espírito) é o lugar com melhores possibilidades para evoluir o espírito visto que encarnar é sinônimo de “estar no melhor lugar que há” segundo o Espiritismo (isso refuta outro terço do texto).

O problema, e o que me levou a escrever o outro texto é “ser tão picaretagem quanto astrologia ou tarô”, Eu aprendi com esses anos que revistas astrologia tem 10 vezes mais publicações que uma revista de astronomia e tarô é um jogo e nada mais – se virasse aqui e dissesse que recebi uma carta do além, que não tive contato com o médium e ela estava repleta de referências que não poderia ser deduzidas a maioria dos céticos repetiria um mantra:

(convencido)

“Foi leitura fria,você vazou algo”

Eu responderia que disse apenas um nome e uma idade.

(incomodado)

“Ele teve acesso aos seus dados ou conversou com outros membros da família”

Estava sozinho no lugar, só conversei com ele; impossível.

(exaltado)

“Deus não existe, existem respostas para isto, jogo de espelhos, fumaça, drogas da verdade, bla bla bla”

Entenda, minha crítica não é a essa conversa que aconteceu comigo e um colega ou a sua ausência de fé, minha crítica é em relação a frase de abertura disparada com absoluta certeza:

“Foi leitura fria,você vazou algo”

Bem, a cartilha da refutação diz que sempre que a palavra médium surge uma planilha de respostas com fluxogramas que indicam o caminho a ser tomado. Essa cartilha é utilizada com tanta frequência que nem se toma a discussão por outro ângulo, apenas se inicia a conversa pelo “psiu, comece a refutar por aqui”, se atribui n características a uma pessoa que não se conhece e se assume (sem provas) que ela é o Sócrates do novo mundo, uma pessoa que escreve a carta e um outro alguém (aqui também sempre representado por um desesperado, irracional; sem provas) que crê que recebe esta de um lugar cheio de nuvens, luz divina e suicide girls andando por todos os lados – é difícil refutar algo sem fazer estudo de campo, sem conhecer os rituais, sem estudar os casos, sem aturar uns “religiosos fanáticos e RACISTAS” para se chegar a uma conclusão.

Isso, essa ‘cartilha’ adotada pelas pessoas é, acredito, por um processo de padronização:

Seu médico faz isso quando vê 2 ou 3 características e diz que sua febre é uma reação a uma infecção quando é lupus, você faz isso quando vê um cubo todo riscado e fala que o exercício é difícil, quando vê aquela mulher com um corpo maravilhoso suicide girl robusta e diz que ela deve ser safada quando na verdade a mulher pode ser absolutamente recatada e comportada.

O problema da maioria das discussões não está, quem sabe, no que se considera um argumento, mas em desconsiderar que cada caso é um caso e “É um erro imenso fazer teorias sem dados suficientes. Inevitavelmente, você começa a deformar os fatos com a lei as teorias em vez de alterar as teorias como a lei aos fatos”.

[S. Holmes]

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