Conto silencioso do amaldiçoado #1

05:30 AM. Olho pela janela. Há sinal do sol por detrás das montanhas. O céu começa a ficar rosa. Quantos pássaros cantando…afinal, porque eles cantam tanto durante a manhã? (bum) Será que é porque este é o único horário que eles se encontram dispostos a cantar, levando em conta que há gente para ouvir, por conta do pouco barulho? Ou é instinto? Ou será que eles são narcisistas e querem apenas ouvir o próprio canto? É estranho pensar sobre eles…mas estranho ainda os outros acharem isso bonito, não que eu não ache bonito…eu não acho nada.

Ali perto do padaria…o que seria? Ah sim, um mendigo coberto com um cobertor um tanto quanto podre. Ele está acordando…oh! Ele é um mendigo vaidoso! Olhe quão grande é a leveza com a qual ele passa as mãos em seu cabelo, tentando ajeitá-los. Pena ele não ter um espelho, assim ele veria que ele não precisa ajeitar o cabelo crespo que nunca sai do lugar que ele possui; pena não possuir um espelho, assim ele poderia perceber que ele precisa é de um banho, de uma casa, de uma família, de uma vida pela qual vale a pena ser vivida, não uma vida medíocre e preguiçosa a qual leva. Tenho repúdio por mendigos desta classe. Um escárnio à evolução humana. Pena ele não merecer…

Oh! O Sol já mostra seus primeiros raios belos, nuvens rosas em um degradê ao laranja. Nuvem estranha aquela…tem um tom verde…meio amargo, diria.

Os pássaros não se tornam mudos.

Estou ficando irritado com esse reflexo da janela, quero ver com mais nitidez ainda. Abro a janela, e faço um esforço para me acostumar ao frio da manhã. (bum) Nossa, o frio da manhã tem um cheiro muito diferente do frio da noite ou do da tarde. Muito estranho…tem um cheiro mais limpo, mais belo.

Estou aqui por três razões: não consigo/quero dormir, quero ver o Sol nascer, quero ver como o jornaleiro chega a sua banca. Sempre vou comprar jornal ali, mas sempre tive a curiosidade de ver como este jornaleiro chega à sua banca.

O mendigo está mijando numa parede. Retardado. Mas, afinal, onde mais ele faria? Ele está dobrando seu cobertor, um mendigo organizado, presumo eu. Mas para onde ele vai? Maldito seja este muro de meu condomínio; impede-me de ver para onde o miserável se desloca. Sumiu.

Nossa, que ar gelado e delicioso que bate em meu rosto. Olho para o céu e pondero se há algum instrumento musical que possa transmitir tanta beleza quanto essa visão. Penso em Ravel.

Um Fiat branco para em frente a banca. Dali então é de onde vem o jornaleiro. Mistério (ridículo) resolvido, enfim.

Dirijo-me à cozinha. Sempre amei a cor do sangue na luz da lua cheia, o sangue fica preto…um preto único e muito belo. Quero ver como ele fica na luz do raiar do Sol. Corto meu dedo polegar e…nada, ele fica normal, a bela cor rubra do sangue. Deixo o sangue escorrer da altura de três andares (moro no segundo, três andares por causa da garagem). Sangue…sempre foi algo que me fascinou. A cor rosada de algumas nuvens me lembram de sangue diluído em água.

Sempre estranhei esta padaria…os funcionários dormem ali. Eles não saem de lá, dormem e acordam lá. Deve haver algum rodízio, creio eu. Precisa ser um bom salário…dormindo no emprego (não por desmazelo). A essa hora os pães devem estar quentes, bastante, aliás.

Vou a cozinha, lavo a faca que tinha um pouco de meu sangue, aproveito para fazer um cappuccino…para mim, não há nada melhor que uma grande e deliciosa xícara de cappuccino! Amo sua leveza e cremosidade, muitos amigos me invejam pelo cappuccino que faço. Sento-me à sala, cortinas abertas, cappuccino bem quente, estômago vazio e um controle remoto na mão, ingredientes perfeitos para começar mais um dia.

E assim começo o meu…

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Trilha do dia:

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Citação do dia:

“Eu fiz tudo isso por mim. Puramente egoísta. Adorei a arte e o ato da morte repetidamente. Simples assim. Depois foi tudo confusão sexual, simbolismo, excitação ao ‘caído’. Eu estava exaltando a mim mesmo. Odiei a decadência e a dissecação. Não houve prazer sádico em matar. Eu os assassinei como eu mesmo gostaria de ser morto, aproveitando a extremidade do próprio ato da morte. Se eu fizesse isso comigo, experimentaria apenas uma vez. Se eu fizesse com outros, provaria do ato da morte várias vezes.”

Dennis Nilsen

13 thoughts on “Conto silencioso do amaldiçoado #1

    • E você é um troll tão incapaz que não consegue obedecer o primeiro princípio dos trolls:
      Nunca perder a compostura e chingar quem se quer trollar.

      • Inclusive:
        Chingar o meu colega sem atacar qualquer ponto fraco do texto não vai tirar ele do sério, Troll :3

    • Humm…acho que ou eu escrevo apenas merda, ou você entende apenas merda. Você deve ter sequer entendido qual o tipo de narrador que eu exploro neste conto (homodiegético). Não vou excluir este comentário, é até legal ter comentários inúteis de vez em quando ^^

    • ‘Chingar’ e ‘Xingar’ são maneiras válidas de escrever a mesma palavra (se precisar procure no google ou no dicionário); problems?

      P.S.: Por que eu seria um barbudo mentiroso?

      • Nossa senhora, quanta inutilidade em um artigo que eu fiz com cuidado e carinho. Pare troll ^^ Ou então seja um troll mais racional.

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