Agora entendi!

O porquê do Brasil não ser merecedor da cultura erudita

Ontem e hoje (11/12 e 12/12, respectivamente) eu fui no Teatro Dom Pedro para assistir ao belíssimo concerto de balé da Cia Brasileira de Balé que apresentou o “Quebra Nozes”. Foi algo muito belo, algo digno de ser assistido todos os dias desse mês. Fui ontem, fui hoje e iria amanhã, se tivesse. Simplesmente não há palavras para definir o que eu vi e o que eu ouvi (Tchaikovsky).

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O que me deixou puto, o que me desconcentrou diversas vezes da delícia audiovisual que estava sendo apresentada foi o povo. Sim, as pessoas não têm respeito algum pela obra e pelo trabalho daqueles bailarinos que ensaiaram diversas semanas e deram vida para aquela peça; o desrespeito foi algo comuníssimo nessa peça. Exemplos?

  • Conversas incessantes;
  • Aplausos fora de hora;
  • Desrespeito às regras do Teatro, levando comidas e câmeras fotográficas para dentro do teatro, por exemplo.

Isso só me levou à uma conclusão: brasileiros não sabem apreciar cultura erudita (apesar das exceções estarem no todo, excluemo-las, por favor). Pois é cara,  brasileiro ainda não está preparado para ouvir, ver e sentir o que é a música clássica, não há uma educação que ensine isso a eles. São pessoas que não tem o menor senso de “chiqueza” e que não merece estar vendo tal peça, afinal, pela educação que recebem, eles devem achar que aquilo ali é apenas um monte de pessoas pulando de um lado para o outro, um monte de homossexuais que estão “soltando a franga”. É algo muito triste e deplorável.

Primeiro, tudo isso me veio a cabeça quando eu fui, nos dois dias, para a fila para pegar ingressos. Cheguei onze da manhã para pegar ingressos às catorze horas. Eu estava guardando lugar também para amigos e familiares virem pegar ingressos para eles. Tudo certo até aí. Porém, a fila começou a engordar e as pessoas a se mobilizar, chamaram até POLÍCIA para denunciar que estavam furando fila! Porra! Foi uma gritaria, uma feira, uma algazarra de pessoas gritando “OW, OW, OW! A FILA É LÁ ATRÁS!”. Aí eu paro pra pensar: “cara, é esse o tipo de pessoa que está querendo ver o balé ‘Quebra Nozes’? Como que elas podem querer assistir a tal se elas não possuem a menor sensibilidade para um raciocínio mais pleno?”. Tinham trezentos ingressos, cada pessoa podia pegar dois, logo, se cada pessoa pegasse dois ingressos, cento e cinquenta pessoas conseguiriam. As pessoas que estavam reclamando, não estavam nem um pouco perto de ser a centésima quinquagésima pessoa! E é estranho como as pessoas que estavam lá no fundo da fila, não estavam reclamando! Ou seja, são pessoas mesquinhas e ridículas que estão reclamando, pessoas de barriga cheia reclamando! E o mais incrível? TEVE CADEIRAS SOBRANDO! Aí as pessoas que não conseguiram pegar ingressos, conseguiram os lugares daqueles que não compareceram.

Depois isso me veio à cabeça durante a própria peça.

Não sei, é algo que não entra na minha cabeça o por quê de o povo brasileiro não ser educado para ouvir, sentir e saber apreciar tal tipo de música. Talvez a resposta esteja na lei que afirma o funk como um patrimônio cultural brasileiro. Não sei se culpo o governo atual por não se esforçar para que tal educação musical seja realizada, ou se culpo o próprio povo brasileiro, por ser uma raça de ignorantes ignóbeis, que se recusam a aprender e se interessar por uma música rica em cultura e história, e preferir uma música pobre, suja; tenho nada além de um escárnio total a tal.

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Enfim, só queria mostrar minha admiração ao balé clássico da “Cia Brasileira de Balé” e meu desprezo total ao povo tolo que entope o Brasil de ignorância e faz manter o rótulo de terceiro mundo.

Trilha do dia:

Óbvio que eu não podia postar nada além de “A suíte quebra-nozes”! Tchaikovsky é mágico, é uma delícia! Essa é uma das músicas que eu mais gosto da suite.

3 thoughts on “Agora entendi!

  1. No mínimo, um pouco elitista… Acho completamente natural que este tipo de coisa aconteça em um país com desigualdades sociais bizarras, onde a cultura é extremamente controlada por uma mídia burguesa. O que essa mídia vai fazer? Vai espetacularizar a babaquice, pois é a única cultura que pode ser imediatamente assimilada pela grande massa, e através dessa identificação, é feito um controle e manipulação do senso-comum.

    • Pelo sangue de Gandalf, o que o Melz faz aqui?

      Realmente, Melz; a mídia tem como função extrair o grosso da informação e filtrar (‘parcializar’) a notícia.

    • Concordo contigo. A mídia é ao mesmo tempo boa e ruim. Pena que são poucas as vezes que, para mim, ela é boa.

      Mas o fato que também me aflige é que tais concertos, pelo menos grande parte de nessa época do ano, são de graça, mas mesmo assim o povo não se esforça nem um pouco para ter um gosto mais refinado, uma cultura além do senso comum. E mesmo os que são pago, são no máximo uns vinte reais. É triste ver esse monte de pessoas se contentando com o que já são/têm.

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