Pensamentos aleatórios #35

Ia escrever sobre política, mas quero escrever sobre qualquer outra coisa – cansei de politicagem.

[Ah: Não gostei do teor dos meus textos antigos, acho que eles estavam ficando muito formais, então vou tentar me soltar – o que significa que os meus pseudo comentários dos leitores voltarão com força total, conforme meus críticos aguentam ‘gostam’ de ler – estou tentando agradar vocês, me amem!]

“Vês, lá longe, o campo de trigo?”


Bem, hoje falarei primeiramente sobre relações sociais e massificações – pretendo acabar falando sobre dificuldades na relação intrapessoal e da banalização dos sentimentos.

“E como Tu pretende juntar tudo isso?”

Mágica, Filhote 😀

Bem, todos sabem que vivemos em uma sociedade de massas, onde o indivíduo, e o seu ‘Eu’ é diluído no caldeirão da sociedade individualista.

O que nos leva a fazer muitas perguntas, a primeira delas é ‘o que causa a massificação de algo?‘ a segunda é ‘quais os processos que estimulam a massificação de determinado tópico?’, o que nos leva a terceira questão: ‘Por que ligar para alguém que eu não conheço?’ o que nos leva a pergunta bônus: ‘como combater a massificação?’.

Começaremos então:

“O que causa a massificação de algo?”

Bem, o que causa a massificação de determinada coisa é a extrema oferta de algo, oferta essa que acaba sendo engolida pelo povo e que acaba se incorporando a cultura do povo.

Claro, existe um preço a se pagar pela massificação:

a) Ela não é verdadeiramente igual como se pensa.

Quando gostamos de determinado livro podemos ter inúmeras versões e opiniões sobre ele.

Vamos pensar em um livro com final ‘aberto’ como História Sem Fim (M. Ende, você é o cara):

 

 

 

 

 

Se você já teve a chance de ler o livro vai se lembrar que o Ende deixa milhares de opções em aberto, dizendo apenas vagamente qual o final que se dá para essa personagem distinta (ainda encobrindo os detalhes deste final), isso me dá possibilidade imaginar um ‘spin off‘ completamente diferente do seu spin off. Canalha, efetivamente é uma história sem fim.

“Tá”

b) Ela acaba ocasionando algo ruim, que é a banalização de determinada coisa, vejamos:

Todos ouvem cine, você ouve cine, Deus ouve cine.

E ai que isso nos leva a segunda pergunta: “quais os processos que estimulam a massificação de determinado tópico?”

Cine vira algo comum e repetitivo, você (e todo o resto do universo) passa para outra coisa legal por que aquela merda peça original de conhecimento superior/original já cansou com suas calças coloridas, seus amplificadores coloridos e seus óculos coloridos – algumas pessoas viram outra coisa (zumbis radioativos, talvez?), algumas pessoas continuam amando cine e serão tachadas sempre como ‘imbecis que não estão atentos a nova tendência da semana’.

“Ai, mais Eu SOU a moda, benhê :3”

É, filhote, e você simplesmente acordou, teve uma epifania e criou o novo estilo do momento. Estamos todos nos influenciando agora:

Eu estou te influenciando, não resista e doe muito dinheiro para minha conta! – Não.

Então nesta sociedade de consumo, com suas gravadoras tentando tornar visível a todo momento a o ‘artista do ano’ desta semana para tentar vender o máximo que podem para depois jogar esse cara nos porões (onde os grunges gravam), onde ele poderá escolher se quer fazer ponta em reality shows, se deseja virar político ou qualquer outra coisa semelhante – o final é sempre o mesmo:

‘É o Tchan? Bonde do Tigrão? Qiso?’

Esquecimento.

O que nos leva a terceira pergunta (que finalmente engloba a parte do subtítulo que diz ‘ relações sociais‘) :

‘Por que ligar para alguém que eu não conheço?’

Não sei. Eu também penso nisso todo o dia: Por que vou ligar pra uma pessoa que eu sei que nunca vou cruzar mais na rua?

“Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…”

Hoje fiz prova da Vunesp, fui bem e conheci uma moça (uma fiscal) chamada Valquíria, que inclusive decorou meu nome só por que eu fui o único numa sala lotada que chamou ela pelo nome.

Haha, até pediu pra eu atender os netos dela de graça, que moça gentil ela- se deu ao trabalho de LER a ficha de alguém que provavelmente ela nunca mais vai ver na vida só por que essa pessoa disse seu nome, teve curiosidade de  ler qual a profissão que o estranho com piercings que cumprimentava ela como um ser humano e não como um subalterno – algo que deveria ser comum.

Enfim, tudo isso veio de um nome proferido. Eu poderia falar da Eva, a mulher que eventualmente me atende quando eu tenho dinheiro pra comprar um Bauru. Ou o cego que eu ajudei a guiar até o outro lado da rua que me explicou o que era uma drenagem linfática. Ou quando eu fui até o final da linha do metrô para ajudar uma cega que eu descobriria mais tarde ser a dubladora da Wanda dos padrinhos mágicos, foram momentos interessantes falando de estúdios brasileiros e sua baixa qualidade em relação aos “mighty” estúdios da Disney com seus microfones para cada instrumento da orquestra. Ou a Cristiana que me atendeu quando ia ao cardiologista onde ela era recepcionista. Ou a Fabiana, que me ajudou a inscrever minha irmã no cursinho – creio que nomes devem ser lembrados, são importantíssimos.

Meu amigo Dale Carnegie infelizmente discorda de mim, coloca sua visão gosta de utilizar nomes para manipular pessoas e utiliza-las como objetos.

Eu não sou partidário deste uso dos nomes e do conhecimento, acho que devemos nos utilizar do diálogo para nos expressar e não transformar os outros em joguetes – deixemos isso para os políticos.

Bem, devo voltar ao que estava dizendo antes:

Pessoas – Pessoas existem aos montes, existem bilhões de pessoas no universo e eu sou só um outro alguém na sua vida de outro alguém- fomos ensinados a pensar que devemos extrair o máximo de tudo, que devemos ter os maiores prazeres e porres numa mesma noite, que devemos ter os melhores e mais engraçados amigos e ir para as melhores festas – e como existem milhares de festas e bilhões de pessoas então tanto faz quais as características da festa que eu irei nem quem vai lá, o que importa é que eu faça ‘amigos’ (temporários) e tenha ‘amores’ (idem) que me divirtam – ferramentas – gado,etc… Até o final da noite eu terei esquecido o nome desses caras ai e rumado para casa pra acordar de porre.

A essa idéia da existência de “muito de algo” chamamos de ilusão de multiplicidade (e que é a razão de eu ter abandonado o msn e me ‘exilado’ por aqui);

Na verdade Eu imagino que existem milhares de amigos no meu msn, mas na verdade eu tenho uns Dois,Três – confesso que sinto saudades de certas PESSOAS, mas não tenho saudade alguma do MSN e do Orkut – trocaria o msn pelo prazer de poder falar com essas pessoas todos os dias sem hesistar.

“-Me vê uma sprite, odeio alimentar o capitalismo burguês da coca cola e seu império do mal

-Ah, a sprite é da coca.

-Então vê uma fanta.

-Também é da coca.

-Água gaseificada então, pode ser?

-Schweppes também é da coca.

-…”

Essa Ilusão nos faz outro grande (des)favor: Ela nos impede de ver QUEM tem algo a se aproveitar (no sentido de ter algo a adicionar), ver quem são nossos verdadeiros amigos:

São tantas pessoas e tantos pensamentos (twitter?) ao mesmo tempo que eu já não sei mais quem eu realmente conheço.

“Os homens compram tudo pronto nas lojas… Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos.”

-A.S.Exupery

O que nos leva a pergunta extra:

“Como combater a massificação?”

Simples não é, e Eu não acho que tenho resposta correta para isso, mas acredito que está em associar determinado valor único a pessoas que você considera importantes e que te faça lembrar delas:

Poodles com buracos na tosa,Estátuas de Buda,Piercings,Piratas, bolas de demolição.

Exemplo:

Assim como a minha lapiseira existem milhares de lapiseiras. MAS a minha é A da sorte por que  eu gabaritei duas provas de matemática com elas (tem idéia de como é difícil de aceitar uma coisa dessas? Tirar mais em matemática do que em biologia ou história?!) – isso torna ela uma lapiseira especial, dotada de propriedades fantásticas que me possibilitam resolver exercícios complicados com maestria e soluções geniais, sem ela eu claramente seria um derrotado condenado ao “infeliz-mundo-das-faculdades-de-medicina-pagas-com-ressalvas-as-faculdades-de-Jundiaí-e-a-Santa-Casa”.

Ai sim entendemos por que a rosa no trecho acima diz: “Então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti.”

Pois toda vez que Eu pensar em provas de matemática vou lembrar da lapiseira e suas propriedades sobrenaturais e depois que eu decidi por associar a lapiseira a prova – não há mais ‘undo’, não tem como voltar atrás e ‘desassociar’ determinada coisa de algo.

“Ai, mais eu juro que eu esqueci!”

Freud diz que você apenas escondeu no fundo do baú, mas a associação ainda está presente e será feita justamente nos piores momentos numa oportunidade propícia.

Quem sabe por isso muitas pessoas tem medo de agulha (tirar sangue), de cachorro, de ter relações sexuais depois de serem abusadas e mesmo depois de consideradas reintegradas a sociedade sofrem com o trauma por que associaram determinada coisa (no caso, a dor) a determinado sentimento/acontecimento.

A mente humana é algo curioso, devo confessar. Enfim, falarei mais de estímulos e associações futuramente, acho.

Por isso vale a pena singularizar determinadas pessoas e objetos, pois essas coisas nos fazem esquecer da inércia da sociedade (do mundo, da natureza, para falar a verdade) em relação a nós, nos faz sentir em sintonia com alguém, mais do que apenas um contato no msn ou outro dos 60.000 candidatos da prova, nos faz sentir verdadeiros humanos.

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