O normal #8

Últimos meses do ano, muita correria para o vestibular, muitas preocupações e afins. As pessoas estão se mostrando cada vez mais querendo um futuro melhor para si, querendo e ansiando por um futuro que lhe provenha boa comida na mesa e belos carros na garagem. Porém, há uma certa hipocrisia nisso tudo, é algo que as pessoas estão se esquecendo muito e algo que já foi falado aqui em um dos “Pensamentos Aleatórios” do Cure: as matérias não-específicas.

Creio que não exista nada que eu odeie mais do que ter a ideia de que eu preciso saber mais de X porque Y é inútil pra mim. Na minha opinião não devia existir algo assim, todas as matérias são importantes para todos os cursos!

Ah, Felipe! Eu vou fazer engenharia civil, pra que eu vou querer saber de geografia?

Bom, crie um prédio num local nada propício onde a geografia do local não seja apropriada para tal material, aí quem sabe um bom processo não te abra os olhos?

Ah, Felipe! Eu vou fazer geografia, por que preciso saber de matemática?

Ah, claro! Greenwich não tem nada de matemática! Altitude, latitude e afins tudo foram criados por pessoas que nada tinham a ver com matemática.

Eu poderia dar vários e vários exemplos aqui de como as suas matérias não-específicas são tão importantes quanto as específicas. E o pior são os vestibulares estimularem tal atitude de alunos. Criaremos Einstein’s analfabetos! Patch Adam’s ignorantes sobre política do próprio país! Mozart’s que não sabem de ondas!

É meio incrível para mim que eu, talvez, seja o único da sala que gosta das aulas de eletromagnetismo. Sei lá, aprender um pouco sobre como funciona a própria Terra, esse imã gigante, talvez ainda me seja interessante saber que “Fmag = BqV”, ou, mudando um pouco pra campos, que “F=Kq1q2/d²”, ou, mudando pra ótica, saber um pouco de refração, que “n1 sen i = n2 sen r”, ou, mudando pra botânica, saber um pouco sobre a auxina, ou a sobre a reprodução das pteridófitas, sabendo que seu ciclo de reprodução que começa com a fase esporofítica é a dominante ao contrário do que ocorre nas briófitas, que a fase dominante é a gametofítica, e assim por diante. Mesmo eu querendo ter uma vida baseada na música, a música não será minha única paixão, será minha única vocação (talvez), mas eu ainda quero fazer várias faculdades (até agora tenho 5 em mente, incluindo música).

Normais são geralmente as pessoas que não conseguem aprender aquilo que não é de sua área. São normalmente as pessoas que falam: “Eu pago o colégio para aprender matérias que eu goste! Não pra aprender essa merda que ele (professor de Matemática) ensina” (eu ouvi isso, de fato)(e o assunto no quadro era divisão de polinômios). São pessoas desprovidas de capacidade de conectar as coisas, que não conseguem enxergar que tudo está de alguma maneira conectada.

Anormais são as pessoas que querem aprender, que pedem silêncio para um sala cheia de acéfalos, que simplesmente não possuem mais a esperança de conseguir algo de útil para suas vidas, e simplesmente, jogaram a toalha. São pessoas que admiram a sabedoria de seus professores, que amam aquilo que ele está ensinando, mesmo que nunca vá cair na porra de um vestibular, mesmo que ele nunca use aquilo na vida dele. Ele consegue entender que aprender nunca é ruim, e simplesmente nunca será.

Trilha do dia:

Será que os grandes gênios eram focados apenas naquilo que eles trabalhavam? Einstein somente em física? Bach somente em música? Monet somente em pintura? Da Vinci somente em…ops, mau exemplo.

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