Pensamentos aleatórios #30

Discursos sobre a liberdade e o respeito: Política

“Ele era um Anarquista amigável: Dinamitava trilho de trem, roubava a igreja: que apoiava o regime Fascista na guerra civil espanhola – todos davam o dinheiro pra ele guardar, por que sabiam que ele não ia roubar (…) depois ele foi perseguido por Paris até chegar no Brasil, onde teve um filho: Que foi esse meu amigo”

– Professor Gildo

Era uma vez um modelo binário que regeu a sociedade por muitos anos: Socialismo X Capitalismo

De um lado temos os Russos: Criaturas Barbadas, Alcoólatras, Fedidos e comedores de criancinhas e do outro lado os Americanos: Demônios exploradores, transformando tudo em produto e buscando o lucro acima de tudo.

Porém, felizmente (?) com o final da guerra fria o mundo se tornou mais fácil, né?

O perigo Socialista foi afastado e o livre mercado manda — o Capitalismo Liberal está instaurado e o Estado não intervém na economia.

Não? Como assim não?

Como assim o Estado ainda sim intervém? Mesmo nos EUA, a terra da liberdade, o País mais ‘FREE MARKET’ do mundo intervém e tem medidas protecionistas ainda por cima?

SOCORRO! PERIGO VERMELHO A VISTA!

Salvamos os bancos? Salvamos montadoras? E o livre mercado? ADAM! ADAM SMITH, ME SEGURE QUE EU VOU AGARRAR ESSES COMUNISTAS!

Bem, desde novo eu sempre fui considerado uma criança esquisita, por favor, não pense que eu era anormal e tinha síndrome de Savage, só pensava diferente da maioria. Também não pense que eu era um Einstein, eu só era observador e inventivo.

Desde o começo eu queria ser rico, rico por um motivo – não queria trabalhar. É verdade, eu tinha lá meus 8 anos e não conhecia o mundo; mas tudo mudou assim que eu descobri que existiam pessoas pobres e miseráveis no mundo; larguei a idéia de ser rico- então um amigo me apresentou o Comunismo:

Um mundo igualitário, onde todos teriam as mesmas possibilidades e viveriam em paz (só não sabia como chegar lá).

O tempo passou e cresci, vi que existiam problemas sérios com o comunismo e com o acúmulo de poder na mão dos homens/do Estado; desde então resolvi mudar de estratégia e me declarei desde então um Libertário e até hoje.

Entenda, você que leu Veja e é preconceituoso:

Eu não quero entrar na sua casa, explodir sua casa e levar seu cachorro pra nunca mais voltar; Não quero assaltar sua igreja; Não quero matar o Maluf, o Tuma, o Lula.

Meus motivos são muito mais simples:

Quero liberdade, quero a MINHA liberdade e me responsabilizo pelos meus atos.

 

“Mas Tio Cure, ser essa coisa ai, libertário, não implica em viver sem Estado?”

Sim, legal né? 😀

“E quem botaria ordem na casa?”

Eu e quem quisesse sair desse sistema, claramente; criaríamos leis próprias que nos regeriam, com democracia direta.

Não boto fé em vocês…

Ok, não bote fé e viva feliz.

O problema do Capitalismo e do Socialismo Stalinista/Trotiskista/Leninista/Marxista/Fidelista/Maoista é que os dois gostam de mudar as regras do jogo; por isso não quero nenhum dos dois.

“?! Não saquei…”

É simples, meu caro filhote: O Liberal é neoliberal quando o mercado pode dar lucros altos em pouco tempo e é Keynesiano quando tudo está espatifando — no começo da crise li um ECONOMISTA liberal falando que o Estado tem que intervir, por que existem bancos tão enraizados que se quebrassem levariam junto todo o sistema — SENHOR E ELE É LIBERAL! — para ver um bom exemplo disso é só olhar para a crise do café e entenderemos como funcionam as coisas para eles. O livre mercado total é lindo, até eu, mesmo sendo anticapitalista tenho que reconhecer:

Se você faz besteira você quebra a cara; cada um investe como quer e compete ao máximo, todos saem ganhando!

Ah, mas e a chance de subverter isso com o Estado para obter vantagens é tão fácil…O Estado tem controle da emissão de moeda, tem controle sobre taxas, tem controle sobre a qualidade da mão de obra do país, céus, que tentação!

Do outro lado temos o Socialismo com o Estado imenso, também reconheço que uma política social também é muito interessante:

Todos iríamos, em teoria,  viver amparados pelo amigo Estado, os Camaradas sempre me ajudando!

Ah, mas a chance de subverter isso com o estado pra obter vantagens é tão fácil…O Estado tem controle de todos empregos — e se um Camarada ficar irritado conosco e não encontrarmos mais emprego?

Nenhum dos dois é ruim em teoria, o problema não é o dinheiro ou o estado. O problema é a cobiça que ambos podem despertar:

Usar subterfúgios fiscais, explorar mão de obra chinesa como os caras da Nike (que pagam 3 centavos de dólar por tênis produzido) ou evitar que os seus funcionários vão ao banheiro não é justo — é muita cobiça produzir remédios que causam câncer e obter lucro o mais rápido possível, paciência.

 

Nem 12 dólares de custo de mão de obra, é o sonho de qualquer fabricante de gadgetsE na outra via usar seu povo como mão de obra barata, jogar o valor da sua moeda no chão e tirar a liberdade (na cara dura– se pelomenos aparelhasse a mídia pra enganar um pouquinho que fosse!)  do seu povo também não é legal.

A solução seria impedir que qualquer pessoa que tivesse acesso a Capital pudesse se eleger, mas isso seria anticonstituicional! Cada cidadão pode se eleger. Poderia ser também evitar que a economia mandasse nas decisões do Governo, mas a economia é muito forte, ora ou outra ela VAI aparelhar o Estado ou vice versa.

Céus, e qual seria a saída? Ser Anarco Capitalista?

Não, pois o Anarco Capitalismo tira o Estado (que deveria regrar a economia) e substitui ele pelo dinheiro.

“Ai, mas existirão empresas que regularão a concorrência”

E quem regula essas empresas? E como se regula as outras empresas?

Haha, Parece Brasil: CPI’S para averiguar outras CPI’S.

O Capitalismo não pode viver sem o Estado, por isso ai está o grande amigo Estado, pra dar vantagens para certas empresas e proteger o mercado interno do mercado externo, por ninguém jogar dentro das regras que não gosto de nenhum dos dois.

Qual a minha proposta?

Simples: Tire os dois poderes (do capital e do Estado) e concentre-os nos indivíduos, então eles decidem o que querem para si.

Se quiser um Estado, tenha ele. Se quiser capitalismo freemarket, tenha ele. Se não quiser nada disso, não tenha.

Meu desejo é um só: que todos joguem com regras justas, que possam ser comunistas em sua ilha sem retaliação dos homens de preto que vivem logo acima; também quero que todos possam discordar do governo da ilha. Que possam expressar o que sentem, que possam viver como querem, que se representem ou que dividam o país aonde vivem se acharem que não tem a mesma pátria que os vizinhos (nesse momento me lembro dos versos de Carlo Giuliani:

“O teu Cristo é judeu;
O teu carro é japonês;
A tua pizza é italiana;
A tua democracia é grega;
O teu café é brasileiro;
As tuas férias são turcas;
Os teus números são árabes;
A tua escrita é latina;
Os teus sapatos são portugueses;
O teu perfume é francês;
A tua música é americana…

E…
Tu censuras o teu vizinho
Por ser um estrangeiro…!?”)

Que o façam se querem viver divididos; contanto que a Veja e outros meios parciais não digam que os Estados Unidos nos salvaram da crise, que os governantes parem de mentir para nós, que parem de invadir nossas casas e nos silenciem, que nos respeitem enquanto seres humanos e seus iguais, que não nos tratem como máquinas, como gado; senão teremos de deixar a gentileza de lado para conseguir o que merecemos.

Respeito, é tudo isso que quero.

3 thoughts on “Pensamentos aleatórios #30

  1. Assiste ” A Turista Espacial ”

    Se não já tiver visto.

    Parece que somos iguais, não sou nem capitalista, nem socialista, nem o que for, sou a favor da liberdade.

    “Bem, desde novo eu sempre fui considerado uma criança esquisita, por favor, não pense que eu era anormal e tinha síndrome de Savage, só pensava diferente da maioria. Também não pense que eu era um Einstein, eu só era observador e inventivo.”

    Olha eu ai, haha.

    • Said:
      “A turista Espacial”?
      Nunca ouvi falar, é de quando? Qual o País? Qual o título na língua natal do filme?

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