Pensamentos aleatórios #29

[Welcome to the intermission]

A Concorrência

Estava um dia no msn quando a namorada do meu irmão (que também quer fazer medicina) manda uma mensagem:

“Olá concorrente, tudo bom?”

Então, hoje, vou falar de algo que muito me desagrada no país tupiniquim em que nasci: Ensino.

“Não, mas temos a USP, que é a melhor melhor faculdade da américa latina (estatísticas de 2010) e a 232ª melhor do mundo!11!1”

E dai? Temos um dos piores ensinos fundamentais (e pagamos dobrado por ensino – pagar escola particular não me isenta de pagar impostos que vão para as escolas públicas), com as piores notas em provas de matemática e português básicos também.

E São Paulo tem o pior ensino público do país, diga-se de passagem – mas calma, o povão que votou no palhaço está fazendo USP — não, espere ai, só entra em Medicina, Direito e Engenharia quem tem dinheiro para pagar um cursinho ou fazer uma escola de Elite como o colégio Bandeirantes ou outros com sistema Poliedro, mas temos a USP não é, meu estúpido amigo?

Falando um pouco do Bandeirantes: Existe uma concorrência extrema entre os alunos desde cedo, separando as respectivas salas destes pelas notas; é uma instituição de Elite (Ignoraremos a pressão constante, o desespero dos alunos pra passar em carreiras concorridas – pelomenos os alunos não se matam quando vão mal na prova como no japão – pelomenos não até agora).

Lembre-se disso para o próximo texto que eu escreverei, filhote:

Tudo depende de onde investimos tempo e dinheiro e do rendimento desse dinheiro.

Estava lendo nessa veja do dia 13 de outubro de 2010 em um artigo na página 100 do Gustavo Ioschpe (G.I.) sobre como não era possível ter um ensino público de qualidade no brasil, já que “no mundo em que (felizmente, diga-se) o feminismo fez grandes avanços, mulheres que estariam condenadas a optar entre a vida doméstica e a carreira de professora hoje podem ser médicas,advogadas,jornalistas,etc…”; como se a liberdade de ser médica ou qualquer outra coisa implicasse na impossibilidade de ser professora e que os professores da rede pública (dos EUA e do Brasil) tinham péssima qualidade por causa dos “sindicatos-comunistas-comedores-de-capital-esquerdistas-de-satan”  tornavam os professores criaturas que pouco rendem.

Qual o erro no raciocínio? Apenas um:

Meu grande amigo G.I. esqueceu de considerar que a profissão de professor geralmente é aceita só pelos piores alunos, que não veem outra opção – os melhores alunos não querem tentar construir carreira em um lugar que paga mal e não tem respeito algum pela sociedade (em alguns países nórdicos todos os alunos entre os 30% melhores da sala querem ser professores, no Brasil são 2~3%); isso implica em professores com uma péssima formação e, quando são professores bem formados geralmente não tem didática.

“Canalhas…”

Pois é, bem vindo ao meu mundo.

Outro ponto: O problema não são os sindicatos, nem a estabilidade do emprego depois de dois anos, o problema é que o professor trabalha ‘bem’ e depois de dois anos relaxa – deveriam ser tomadas medidas rapidamente  (Ah, a eficácia e política antiburocrática do Estado me faz sorrir) para manter empregados somente os professores com melhor didática, para aumentar seus salários e trazer espectativa da possibilidade de construção de uma carreira (outro caso interessante é o caso da polícia civil brasileira: para subir ao posto de delegado eu preciso ser formado em advocacia. Se não tenho dinheiro ou estudo de qualidade não tenho motivos para me empenhar e começo a tentar arranjar maneiras para conseguir mais dinheiro… Hm,isso explica muita coisa…), com possibilidade real de eu sair de professor a reitor de faculdade ou diretor do  colégio.

Portanto não depende de QUEM controla a escola (capital público ou privado), mas sim quem MELHOR administra (repito, lembre-se disso para o próximo texto);tanto que hospitais e escolas públicos do Reino Unido por exemplo tem um ótimo padrão, com  médicos e professores recebendo muito bem (segundo o documentário “Capitalism: A Love Story”, um médico lá ganha £ 200.000/ano e rende muito).

Voltando a competição, falo de outra coisa para ai sim falar de concorrência:

Aonde vai o capital empregado.

Vejamos alguns exemplos de história, Você gosta de história, não?

Veja a relação entre

[ País e        Maior área de investimento produtivo em Educação:

Brasil            Ensino Superior
Rússia          Ensino para a Nobreza

Alemanha  Ensino de Base

E agora veja os resultados:

Brasil: Temos um ensino relativamente bom, alguns profissonais mesmo com USP no currículo não sabem escrever um texto ou dar uma aula, mas releve.

Rússia: Produziu alguns dos maiores gênios da história como Dostoieviski, Tchekhov e Tchaikovsky; mas manteve a população na ignorância.

Alemanha: Reunificou a Alemanha em 1871, Apanhou em duas guerras mundiais, teve seu país partido em ‘dois’ (quatro, a rigor) e sua indústria destruida. Hoje é o país que mais produz na União Européia.

Mas calma, a USP – a escola dos pobres- é motivo de orgulho nacional…

Ler teus textos é cansativo, dude...

Mais outra:

A faculdade pública deveria ter vagas para todos no mundo do faz de conta utópico da minha cabeça (só eu penso assim?) – as vagas não aumentam nunca – medo de entupir o mercado de profissionais talvez?

Alguns (meu irmão, principalmente) fala em selecionar os melhores para a vaga. Mas vamos comparar dados:

Medicina e Filosofia – qual o curso com maior taxa de desistência e concorrência?

O senso comum diz que a medicina (corte geralmente flutua entre 72 e 73 [dados para a USP apenas]) tem desistência maior que a filosofia – porém, fontes internas garantem que é o contrário:

Filosofia (corte 43, em 2010) tem 50% de desistentes enquanto medicina tem 9% de desistentes por ano.

“Por todos os monstros que habitam a terra plana e o além mar, por que isso?!”

Por que é muito difícil, meu caro colega; por que os alunos pensam que é fácil manter o curso de filosofia e dão com a cara na parede – Darwin dá as cartas novamente e usa sua ferramenta de seleção a todo momento (eu deveria estar estudando e não escrevendo ._.’); o velho é cruel.

 

Darwin: Biólogo, Deísta e, eventualmente, Caçador de vampiros...

Professores, faço um apelo, apertem os alunos e parem de fazer corpo mole quando olham os alunos colando, não precisaríamos de vestibulares se algumas medidas citadas fossem tomadas – os profissionais poderiam fazer provas de tempos em tempos para  reavaliar sua atualidade e os que estivessem abaixo de determinada faixa poderiam ter seu número do CR’X’ (conselho regional de tchanan) cassado por inaptitude. Infelizmente em vez de investir em manter a quantidade do profissional alguns gostam de investir em fazendas…

Por essa péssima qualidade de ensino somos obrigados a passar por stress desnecessário por causa da concorrência (quem usa antidepressivos pra aguentar a carga do vestibular me entende); precisamos parar de encarar os outros como concorrentes por vaga, parar de confundir a causa com o efeito – a causa é a péssima qualidade do ensino público que gera o sentimento de concorrência irracional de certas pessoas; que deixam de ver o outro como um colega e passam a encarar o outro com um inimigo a ser derrotado; quem sabe por ver nossos iguais como moinhos de vento a serem derrubados a vida humana vale menos que um punhado de moedas na carteira, um baque de heroína ou mais alguns milhões na sua conta nas ilhas Cayman em detrimento da sociedade.

O que nos espera no próximo número? Politicagem, claramente – até mais ver, Filhote.

5 thoughts on “Pensamentos aleatórios #29

  1. Rússia em relação à músicos é brilhante! Quem dera fosse Tchaikovsky o único gênio da música russa. Procure por: Mussorgsky, Rimsky-Korsakov, Borodin, Balakirev e César Cui! Eles formaram o famoso Grupo dos Cinco. E como curiosidade, pela ousadia de Tchaikovsky em não fazer uma música especificamente russa, ele foi bastante sabotado pelo grupo.

    Ah sim, e ensino é uma coisa foda no Brasil. Só vejo a Dilma e o Serra falando de consumo, comprar, viver melhor, e afins, mas não vejo ninguém falando em educação. Por isso que há tantas crianças ingressando nas drogas, falta de família e falta de educação.

    Ah, como invejo a Europa e suas escolas de período integral, onde de manhã é aula, almoço, e depois aulas de extracurriculares, como música, carpintaria, danças e etc.. Será que o Brasil ainda será assim algum dia? =/

  2. E só ressalve:

    É estranho o Grupo dos Cinco atacar Tchaikovsky por ele não fazer música especificamente russa…mas eu queria encontrar uma música MAIS RUSSA que essa! Nem mesmo “Night On Bald Mountain” de Mussorgsky (que até passou no filme “Fantasia” da Disney) é mais russa que essa de Tchaikovsky!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s