O normal #6

Estava saindo da escola, mais cedo que o previsto. Tivemos apenas 3 aulas, tendo a última durado quase que 2 aulas. Sou um garoto muito despercebido, e ao sair da escola percebo que estava chovendo. Eu sabia que estava sem guarda-chuva. Eu procurei antes de sair de manhã, nessa maldita manhã de horário de verão. Mesmo assim eu resolvi procurar meu guarda-chuva, e só provou o que foi dito, sou muito despercebido, meu guarda-chuva estava ali na mochila, debaixo do fichário e meu caderno de pensamentos. Peguei-o, abri-o e fui em rumo à minha casa. Foi então que eu percebi que todos na rua estavam com guarda-chuva, aqueles que não o tinham, corriam e/ou se espremiam em lugares onde a chuva não os afetava, um lugar cheio de pessoas com receio d’água. Foi então que eu percebi a máxima! Fechei meu guarda-chuva, fiquei com ele na mão, andando devagar e vim saboreando a água que caía em meu rosto. Um grande paradoxo, não? Ou uma antítese talvez. Um garoto segurando um guarda-chuva fechado num dia de chuva. As pessoas passavam por mim, uns com olhar de pena, outros com de reprovação. Ouvia pessoas dizendo – que pareciam não ver meu guarda-chuva – “Pobre garoto, todo molhado”. Ouvi vizinhos dizerem “Putz, tadinho! Está todo molhado!”. Mas é estranho, muito estranho, de fato. Eu ouvi todas essas pessoas, mas ninguém foi capaz de ouvir o que falei:

– Pobres normais, estão todos secos.

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O normal não vê a riqueza na simplicidade. Não consegue enxergar o poder do simples, de uma simples chuva, de uma grande tempestade, de uma risada. Não pode haver simplicidade em suas vidas complicadas, afinal, tudo tem que ser rápido, tudo tem que ser difícil, complicado, estranho, de difícil resolução, e afins. Mas nada pode ser.

O anormal é a antítese. O paradoxo em pessoa. Que aprecia, ama e vê a beleza do simples. De uma simples gota d’água até uma tromba d’água. Qual o problema disso?

Dizem que a beleza está nos olhos de quem vê. Mas creio que a beleza está nos olhos de quem não vê, de quem mais sente, de quem mais se controla e sabe quando não se controlar. A beleza está na mente dos desafortunados, e no material dos afortunados.

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Trilha do dia:

Lindo.

2 thoughts on “O normal #6

  1. Caralho, os poemas incríveis, anedotas!
    Trabalhos impressionantes, aplaudo generosamente, ofegantemente!
    Está muito interessante o site, pessoal! Que continuem essa boa iniciativa, as pessoas têm o direito de dizer o que bem entendem, mesmo sendo os pensamentos mais anormais e estranhos aos olhos de terceiros.
    Concordo bastante com seu texto, muitas pessoas correm muito atrás do que querem, seja família, dinheiro, ostentar uma casa e um carro de primeira, mas acabam esquecendo dos detalhes importantes da vida, e no processo vão ficando fúteis e previsíveis.
    A pessoa tem que cultivar sua individualidade, fazer o que gosta de fazer, enxergar as boas coisas da vida, deitar numa rede, olhar pro mar, estar com um bom amigo provando um bom vinho. Isso é vida, não o padrão americano que tanto vemos na televisão!

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