O normal #5

Como diz François duc de la Rochefoucauld:  “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. E não poderia concordar mais com isso, é como se François estivesse descrevendo o normal, só que no século XVII. O normal é a pessoa que é hipócrita, que faz de suas atitudes as mais morais em seu mundo, e assim, se vê no poder de julgar àqueles que não seguem suas práticas e/ou ideias.  Os normais também podem ser aquelas pessoas pseudo-diferentes, ou seja, que mostra-se diferente da sociedade,  se mostra uma pessoa “viajada”, mas que na verdade, quando o jogo vira contra essa pessoa, ela não se mostra diferente, apenas se mostra mais um (a) normal, coberta com uma máscara da pseudo-diferença. Porém, tal máscara que esse normal tem medo de tirar, pode ser facilmente retirada por algum anormal, basta pressionar tal pessoa. Normais não aguentam pressão, à primeira vista eles se mostram resistentes, mas depois acabam desistindo e mostrando todo o acerco de senso comum que possuem dentro de si.

O anormal social, é a pessoa que usa a hipocrisia a seu favor, ele a usa para que possa se habituar a um certo meio, para que enfim, depois de habituado (a), possa tirar a máscara e mostrar o seu verdadeiro eu. Ele não é hipócrita, apenas não vê sentido em mostrar seu verdadeiro eu de imediato, até mesmo porque não faria sentido (ele seria intitulado como o anormal e seria excluído do grupo, é preciso pensar e ser precavido).

A postura do normal em relação à hipocrisia sempre será o mesmo: “Não aturo tal coisa! Odeio hipócritas”. Sim, todos nós odiamos a hipocrisia,porém, para quem sabe dominá-la e desmascará-la, não é um mal completo. É apenas tentar ver por um outro ângulo, um ângulo menos normal e convencional. E que por sinal, é exatamente desse jeito que o anormal vê as coisas, pelo jeito convencional (o senso comum) e pelo não-convencional, só assim ele terá certeza que poderá fugir da hipocrisia do normal e não deixar que ele vire um.

Trilha do dia:

Versão orquestrada de um obra belíssima de piano. Ouçam-na.

2 thoughts on “O normal #5

  1. A hipocrisia pode transmutar-se em meio para se alcançar determinados fins – quando tais fins são fins elevados. Eu corro dos idealistas e de suas palavras venenosas: “acabemos com a hipocrisia”, “condenemos a mentira”, “a vingança é indigna, um verdadeiro atentado contra a virtude”, “nao minta, não odeia, não vingue-se, tudo isso é por demais penoso e mal”, etc. Aprecio o sabor de uma boa vingança e de uma boa mentira. A mentira também nos é útil e essencial. Concordo plenamente com House: “everybody lies”. A mentira é de importância pública e deve ser incentivada. Mas os moralistas protestam: “não! Nós jamais mentimos, abominamos a mentira e prezamos sempre pela verdade; e a vingança? Ah, é um atentado contra o espírito santo”. Eis a maior mentira de todas: a dos moralistas. É preciso ter dentro de si um maqueavelismo nobre (refiro-me à Maquiavel), do contrário, morre-se pelas presas da sociedade.

    • Um grande fato isso, é uma grande pena que a grande massa da sociedade que vive transbordada de senso comum não consiga enxergar isso, basta você ver a quantidade de comunidades no orkut contra a hipocrisia e seus derivados. Poucos e afortunados são aqueles que conseguem usar isso em seu benefício ^^

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