Pensamentos aleatórios #26

Já não era sem tempo.

Do relacionamento e disputa entre personalidades fortes

Tudo começa no ano da era comum de número 2010 – 4 horas antes do amanhecer, estou sentado na frente da máquina maligna observando as lâmpadas que ascendem e apagam, formando caracteres de uma estranha língua tupiniquim.

A  máquina maligna entoa um cântico tribal com trombones, pianos e um negro de notoriedade mundial, cujas faixas musicais já receberam uma versão de uma desconhecida banda do novo mundo chamada ‘ramones’ e cujo nome da canção em si eu já não me lembro, preciso das minhas vitaminas para reavivar meu velho espírito e minha memória.

Enquanto isto jantava e conversava entre outras pessoas com minha amiga, que por algum acaso do destino conheci pela máquina maligna; discutimos sobre inúmeros assuntos até que dos desentendemos -Veja bem, leitor: Eu e Ela somos homens da ciência, dotados da mais magnífica lógica, privilégio que certas mentes liberais e subversivas do novo mundo não possuem.

O que cabe aqui é que discutimos sobre determinado assunto muito delicado e, enquanto criaturas superiores começamos a discutir sobre tal assunto com a racionalidade, tal qual digna de um Lorde e uma Lady da nossa envergadura . Porém esta classe  foi jogada no chiqueiro e o assunto se tornou pessoal; infelizmente a jovem visitante se retirou para seus aposentos ou entrou em algum sonho causado por narcóticos que esta consome com voracidade.

Então, pensando nisto resolvi escrever diversos textos sobre assuntos que brotaram de minha mente neste meio período de 4 horas, enquanto filosofava no meio dos intervalos das aulas, são eles:

  • Do relacionamento e disputas entre personalidades fortes
  • Racionalidade e Sabotagem: Uma visão sobre a ‘filosofia(?)’ de Alberto Caeiro
  • Discursos sobre a liberdade e o respeito, subdividido em categorias menores:
  1. Tatuagens e Piercings
  2. Política
  3. Literatura
  4. Música

“Em toda relação humana existem dois tipos de fatores que definem pobre e simploriamente as pessoas – umas dominam e outras são dominadas e as dominadoras dominam as dominadas”

Não, espere, determinista – Que tal imaginar algumas pessoas em determinadas situações que se comportam de determinado modo visando defender com unhas e dentes seu ponto de vista?

E imagine agora pessoas que predominantemente adotam esta ‘filosofia’ de valorização de si confinadas em um espaço hipotético.

Agora imagine que são orgulhosas ou são auto depreciativas, o que pode sair dai?

A) Ambas são Orgulhosas:

Não vão ceder a menos que não seja possível evadir de maneira alguma (irão ceder mesmo encurraladas?); não vão dizer o que realmente sentem, não vão deixar de lutar para ficar um em cima do outro.

B) Uma Orgulhosa e uma Auto depreciativa:

O ‘forte’ ataca o ‘fraco’, cada um sai ‘feliz’ – o ‘forte’ se reafirma e o ‘fraco’ se contenta em confirmar o que sente.

C) Ambas Auto depreciativas:

Ambas sofrem por sua ‘pequenez’ em meio ao mundo cruel.

“Hm, e ai? Não entendi…”

Bem, creio que de algum tempo pra cá formulei minha teoria sobre os ‘homens da razão, da sabedoria, do humor mordaz, do predomínio da razão sobre a crença’ e creio que descobri que somos mais fracos que o Auto depreciativo.

Por que? Por que,  depois de muito tempo, eu vi que o sarcasmo, o humor ácido e a máscara da indiferença eram mentiras, mentiras que com o tempo eu adotei como um novo eu; quem sabe o antigo Cure está escondido em baixo dos escombros do novo Cure – Um gigante orgulhoso de seu conhecimento ‘vasto’, de seus campos de interesses e de seu material de pesquisa farto, envolto em sua pesquisa e inerte aos acontecimentos considerados desimportantes como o passeio do final de semana com os amigos ou o novo escândalo político.

Quem sabe o novo Cure foi a máscara adotada pelo primeiro para se defender da sociedade, quem sabe ela pisou tanto em seu calo que este resolveu sair da posição de dominado para dominante, parafraseio aquele que não deve ser nomeado:

“Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”

(Ah, se você escreveu alguma coisa digna de nota, F. foi esta frase e apenas ela.)

Como bem disse Gordon em V de Vingança:

“Ás vezes usamos a máscara por tanto tempo que nem sabemos mais quem somos na verdade”

A esperança (do pequeno e simplório Cure do passado?) é que o porão ora ou outra abre e ele pode sair para dar um passeio  em meio a orla das árvores e voltar a sentir que ainda vive e sente o ar leve do bosque; raramente lhe é permitido sair do porão – o novo ele não gosta de encarar sua pequenez, sua ignorância, sua fraqueza, sua dependência, sua diminuta insignificância perante o caos e o eterno.

Oras – sob determinadas circunstâncias, observamos que também guardamos algo pequeno dentro de nós, que não gostamos de encarar – Choramos em bares pela pessoa amada, choramos abraçados no travesseiro por quem se foi; ou simplesmente não choramos ficamos abalados, tristes, cabisbaixos; isso é normal – ou deveria ser.

Prometemos ser fortes, prometemos nos recuperar, prometemos não ligar para o que os outros pensam; nosso objetivo era esconder os sentimentos tão fundo até esquecer da sua existência — Mas é uma ilusão, meus caros ouvintes e quem sabe futuros algozes:

Depois de anos de análise eu me convenci de que não conseguiremos nunca pensar mais do que sentir – pelomenos por longos períodos de tempo não – Freud dizia que não podemos guardar os demônios no porão por muito tempo.

“Menos sentimento, mais pensamento” Possível?

Quem sabe todos nós somos iguais em pequenez frente ao eterno e ao caótico, quem sabe tomamos decisões melhores ou piores quanto a aceitar o que deve ser feito com nossas vidas e tocar adiante:

Oprimir ou respeitar o próximo?

Oprimir ou respeitar o que somos de verdade – se é que somos algo em si.

Dia desses minha amiga e eventual paciente falava do namorado – de como ele não saia de casa com ela de final de semana e de como ela parecia algo sempre em segundo plano – quem sabe ela é tratada como sendo inferior ao tratamento (que considero o mais justo entre não ser nada e ser o centro das atenções) de amiga e confidente, sentenciei o namoro ao fracasso sem hesistação.

“Como assim não se amam?”

“É, não nos amamos, mas vou aprender a amar ele”

“É, claro que irá”

Em outro momento do tempo espaço falamos dela não mostrar o quanto estava efusiva com o namoro para o menino por não receber o mesmo em volta – eu infelizmente vejo ai parte do que eu infelizmente sou; vejo pessoas que se recusam a sentir para não se frustrar, se é que há algo para ser sentido foi construído anteriormente ou se estamos apenas unidos pela atração física – estudos comprovam que relacionamentos baseados no interesse pelas características físicas duram em média 7 meses; quem sabe não deveríamos confiar apenas no sentimento nem no racional.

A mente nos trai, nosso córtex frontal imagina infinitos desdobramentos que enchem nossas mentes de possibilidades não necessariamente reais do que poderá vir a acontecer, se sentimos pouco e pensamos muito como devemos restaurar o equilíbrio?

Emoção ou Razão pura? Existe equilíbrio entre ambos – É possível sentir e pensar racionalmente?

Será que Sherlock Holmes poderá refutar a anti filosofia de Alberto Caeiro?

Estarei eu louco ou existe uma ligação entre os dois – será um Heterônimo de Fernando Pessoa, o Mestre, derrotado por um detetive Londrino?

Uma tentativa de resposta no próximo pensamento aleatório, obrigado por ler e boa tarde!

4 thoughts on “Pensamentos aleatórios #26

  1. “‘Menos sentimento, mais pensamento’ Possível?”

    É preciso também suplantar as paixões. As paixões que nos degeneram não são boas paixões, daí a necessidade de suplantá-las. Por outro lado, não somos seres capazes de uma postura puramente racional, não há como ficarmos libertos das paixões – estou mais para Spinoza que para os racionalistas: “o homem é um ser apaixonado”. As paixões e a razão são apenas instrumentos do nosso corpo, é através deles que interpretamos a realidade. Mas não existe uma superioridade entre razão e paixão. A razão instrumental é a prova de que a razão imperiosa também pode ser destrutiva. Se tens um meta, meça sua razão e suas paixões, veja o que daí pode servir a tal fim, o que for obstáculo, deve-se esmagar impiedosamente. A questão é: qual paixão lhe proporciona um bom encontro?

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