O normal #2

Alegoria do Triunfo de Vênus

O normal é a típica pessoa que necessite acreditar em algo, para que assim, sua vida inútil possa fazer algum sentido. Ela precisa se firmar em algo para que possa sobreviver na droga de vida que possui. Essa pessoa ocupa a cabeça com preocupações idiotas e que a leva a necessidade de algo maior. Mas essa coisa maior e que a comanda é, ao mesmo tempo, um deus e escravo dos humanos; nos comanda mas ao mesmo tempo depende de nós. Pobre Agostinho, de útil mesmo apenas o solilóquio.

A pessoa que não possui essa ligação é denominada louca, anormal. “Como pode você não acreditar em deus?”. Já chegaram a me perguntar: “Como pode um músico não acreditar em deus?”, até hoje tento ver a conexão músico-deus. Enfim, a pessoa que não possui a necessidade de crer em algo, que comande o universo e toda a vida, são as pessoas malucas de hoje, nesse reino contemporâneo-cristão. Costumo a dizer que meus únicos deuses são os livros e a música, é neles onde minha vida gira.

Impossível eu dizer que o cristianismo é um mal completo, afinal, sem cristianismo, sem Vivaldi, e é impossível pensar num mundo musical e não imaginar alguns concertos para flauta e as 4 estações de Vivaldi. Não abomino o cristianismo, mas sim os cristãos que não sabem interpretar o simbolismo da bíblia, ficando que nem um bando de retardados pregando algo que eles nem sequer entendem. Pois é, esse é o normal de hoje, um normal onde os normais não sabem do que falam. Os anormais são os infiéis, aqueles que ousam questionar o por quê das coisas; impressiono-me ao constatar que quando os religiosos são questionados, eles se sentem ofendidos, como se ao questionar a fé, o anormal estivesse faltando com respeito, quanto a sua religião; bando de tolos. Isso até chega a me lembrar de alguns “machões” que, em festas, caso alguém esbarre nele, a sua masculinidade e poder são destituídos ao nada, e o único de jeito recuperá-la é enfiando a porrada no desgraçado que ousou desmasculinizá-lo.

O anormal é a típica pessoa fria e calculista, o estereótipo do pobre isolado, sem muitos amigos, ou então são aquelas pessoas com muitos amigos, o típico líder, destituído de inteligência, um exímio manipulador, não possui o medo de mostrar e escutar/aceitar idéias; a pessoa tipicamente líder.

Já o normal, é a típica pessoa que apenas escuta, nunca fala nada e apenas aceita como verdade tudo o que lhe dizem, aceita o senso comum como a verdade e já se satisfaz com tal; tolos, no mais.

Trilha do dia:

4 thoughts on “O normal #2

  1. Segundo Nietzsche “é preciso ter cá, um caos dentro de si, para fazer nascer uma estrela que brilha”; esse caos a que se refere Nietzsche, não seria justamente a loucura? Um estado onde as formas, as harmonias, se explodem e o que nos resta é apenas os pedaços, essas proto-formas das quais nos alimentamos para criar alguma coisa de novo? No posto onde você anuncia sua série de postagens acerca da normalidade, você usou uma frase de Nietzsche. Tal frase expresa uma das características basilares da filosofia nietzscheana: são as excessões que fazem a diferença, que criam, que modificam a realidade, que a pintam com novas cores… Nunca a massa amorfa dos homens e mulheres comuns, enfiados em seus próprios umbigos, cegos para qualquer coisa que esteja mais distante. Em Zaratustra, encontramos o seguinte trecho: “Quanto mais se quer erguer para as alturas e para a luz, mais vigorosamente enterra as suas raízes para baixo, para o tenebroso e profundo: para o mal”. Me parece esclarecedor também.

    • Nossa…adorei esse trecho de Zaratustra! Definitivamente, eu tenho que comprar logo esse livro! *-*

      E na moral, na medida em que termino de ler a revista da coleção “Grandes Filósofos” que é sobre Nietzsche, mais eu não consigo imaginar como ele não podia ficar louco. As idéias dele, o que ele acreditava, pensava e pregava, são coisas muito doidas, e que estão me deixando estarrecidos.

  2. hehe… Zaratustra é, para muitos estudiosos de Nietzsche, uma – se não a – das obras mais célebres do alemão – também uma das mais obscuras. Zaratustra é uma “síntese” de tudo o que Nietzsche havia desnevolvido filosoficamente até então. Está tudo lá, em maior ou menor grau: teoria da dinâmica das forças, teoria do ressentimento e da má-consciência, Übermensch, niilismo, último homem, eterno retorno, vondade de potência. Vale a pena lê-la, mas quando se tem já alguma experiência com Nietzsche.

    • É…mas por ora, eu comecei a ler ontem “A metamorfose” de Kafka que minha mãe comprou pra mim (e eu nem pedi *-*). To achando bem interessante o livro 😄

      Quando terminar Kafka, terminarei os de Paulo Coelho que ainda me faltam ler.

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