O normal #1

O que é a realidade?

O que é o normal? O que faz da pessoa um normal? O normal pelo que percebi é não ser diferente…mas do que? De nós mesmos? Então quer dizer que o diferente de nós é anormal? O que é que faz de uma pessoa anormal? Não ter sentimentos fraternos? Ser sádica? Estudar muito é uma anormalidade? Gostar da escola?

Segundo Hegel, “A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente“. Mas o que seria esse desarranjo no interior da razão? Pra mim um desarranjo no interior da razão são as pessoas que acham bonito usar calça laranja fluorescente com um tênis preto com cadarço verde piscina. Não vejo uma razão lógica para a pessoa se vestir desse jeito.

Mas então essas pessoas são loucas?

Não, hoje em dia essas são as pessoas normais socialmente. Não me surpreende mais ver uma pessoa com esse tipo de roupa colorida, assim como o homossexualismo que não me surpreende mais ver tantos homens e mulheres de mãos dadas e se beijando na rua, virou algo normal que não atinge mais moralmente a sociedade (ou ainda não?).

Mas não nos esqueçamos também que Hegel falou que a loucura/anormalidade é pertinente ao ser humano, que a razão humana só se realizaria através dela. Seria um jeito de falar, na minha opinião, que não existe genialidade sem a loucura. Exemplos? Nietzsche, Mozart, Beethoven, Albert Einstein, etc..

Acho interessante uma frase de Nietzsche que diz: “Se minhas loucuras tivessem explicações, não seriam loucuras.“. A partir disso dá para entender que para Nietzsche, a loucura é algo inexplicável. Na minha opinião, não só é algo inexplicável como também é algo que é incompreensível para terceiros, é algo que apenas a pessoa entende; terceiros as internam.

É engraçado ver na minha escola, pessoas que estão mais preocupadas com a formatura do que com as aulas. É-me incrível como tais tolos (as) passam, as vezes, quase um dia inteiro sem aula para ficarem conversando sobre a formatura. Normal? Sim, as pessoas de hoje estão jogando fora a questão do saber e estão se preocupando mais na questão do ter, mesmo sem perceberem que ao saberem, terão muito mais.

Após alguns dias, noites e manhãs pensando sobre esse assunto, eu cheguei à conclusão de que o anormal é mais interessante e superior que o normal. A loucura é mais que a sanidade.

Mas por que?

O louco é alguém independente e livre das amarras da sociedade, alguém que vê muito além do que os outros vêem e conseguem ser mais intelectualmente. O anormal de hoje seria a pessoa que se preocupa mais consigo mesma do que com os outros (vide eu), a pessoa que é egocêntrica e que desde que esteja feliz, o mundo é feliz, egocentrismo puro, mas acho mais interessante sê-lo do que ser um tolo que tem medo de admitir que o é.

O normal de hoje é alguém que vai na balada, pega várias e que já transou com muitas mulheres, essa pessoa é o estereótipo da pessoa que trocou o saber pelo ter. O normal é alguém muito caridoso, que gosta de ser o bonzinho e que apesar de fazer o “bem” para a sociedade, possui uma vida vazia (apesar de achar que tem a vida mais perfeita de todas). É o tipo de pessoa que ama matar aula pra ficar na rua sem ter o que fazer, a pessoa que sempre anda na rua e fica te olhando na cara, e se você olha na dele, ele já parte pra porrada, e se for negro, diz que é racismo.

Em suma, a normalidade é tudo aquilo que eu abomino. Na minha opinião não dá pra chegar ao seu eu máximo sem ser o anormal/louco, porque a genialidade está atrelada à loucura; não dá pra querer entender o mundo sem a loucura a seu lado.

O normal está me levando a anormalidade…

Trilha do dia:

12 thoughts on “O normal #1

  1. A loucura é a condição pela qual o gênio cria, que ele se supera; citando Nietzsche: “cria algo para cima e além de si mesmo”. Quando se indaga o que seria o normal – em oposição ao patológico -, é inevitável pensar logo num certo conjunto de arquétipos-ideais, segundo os quais se caracteriza a natureza humana. A psiquiatria, a pedagogia, a psicologia e até mesmo a psicanálise, todas essas disciplinas partem de um ideal do humano, e embora seus saberes busquem a empiria para se constituirem como saberes, é sempre a partir desse ideal que se pensa. O sujeito louco seria o sujeito desviado, aquele que vai de encontro – no sentido de choque – com o ideal que tais saberes constróem do homem. Foucault em História da Loucura salienta bem essa idéia: houve um período onde a loucura era temida, ligada à possesão, negativizada, depois, no período da Renascensa, houve um outro interese pela loucura, desenvolveu-se um encanto pela loucura, e depois, com o advento do direito penal do autor (que pensa o sujeito e não mais o ato), a loucura passou a ser compreendida como uma doença – aí veio os fenômenos da perversão, o suicídio, o neurótico etc. A oposição razão X loucura evidencia logo isso – e não haveria razão também na loucura? O homem dotado de razão é o homem bom, justo, correto, de acordo com sua natureza; o homem ausente de razão é o errante, o desviado, o monstro, a aberração (houve uma época em que maridos infiéis e bêbados eram presos junto com loucos). Há também um certo ar Iluminista nessas conjecturas. Já que você está bem interessado na questão do normal-patológico, sugiro a leitura do livro História da Loucura, do Foucault, ele faz uma análise bem diferenciada. Ah, bom post.

    ;D

    • Sim sim, eu ouvi falar nesse livro sim, procurarei lê-lo, estou com muitas coisas aqui em casa ainda pra ler e.e

      Iluminista? Nossa, eu praticamente não me baseei em nada pra fazer esse post, a não ser algumas coisas que eu pesquisei e outras que foram de cabeça mesmo 😄 Não sei se, pra você, esse artigo ser iluminista seja bom, mas sei lá, foi sem intenção nenhuma kkkk

  2. Não, você não etendeu o que eu quis dizer… rsrs

    Não é o seu post que que possui um ar Iluminista e sim as conjecturas acerca do homem racional, da razão enquanto primado que governa o homem e faz oposição com a loucura, loucura essa carregada de toda negatividade. Tanto que eu falo:

    “O homem dotado de razão é o homem bom, justo, correto, de acordo com sua natureza; o homem ausente de razão é o errante, o desviado, o monstro, a aberração (houve uma época em que maridos infiéis e bêbados eram presos junto com loucos). Há também um certo ar Iluminista nessas conjecturas.”

    O homem dotado de razão ligado a uma moralidade exímia é coisa Iluminista. E o homem desprovido de razão seria o selvagem. Isso é bem rousseauniano. E também carrega muito do racionalismo – doutrina do pensamento que Descartes se destaca.

    😄

  3. Ah… que bom ler um texto que não reclame denos, simples malucos… apesar de me entitularem assim so por não verem sentido nas minhas atitudes eu sei que tem, e muito.
    Pena não conseguir explicar mas pra que essa necessidade de entender e arranjar explicação pra tudo?
    as coisas não podem simplesmente ser?

    O ser humeno continua procurando preencher um vazio seja com Deus, ou com a vida em sociedade, sonhando…

    Pra mim é muito esquisito vc botar sua felicidade e confiança em algo q nao depende de si mesmo… nem é o fato de nao conhecer, mas de PRECISAR crer em alguma coisa alem de si…

    Sei la, acho esse tema subversivo demais e q o normal- anormal não tem diferença… o anormal seria tudo q não é entendido. Eu nao entendo o normal , pra mim ser normal é anormal.

    Já foi considerado homosexualismo e etc de crime ou doença… o que eu ate acho q deva ser. Se pararem pra analisar, existe reproduçao entre homem-homem ou mulher-mulher ou mulher-animal qualquer? Nao. entao REALMENTE nao é algo ‘normal ou natural’ do ser. Deve ser algum tipo de disturbio psico/neuroligico mas que ainda nao se sabe q alteraçao o causa e nem se de fato existe alguma maaas ninguem tem nada haver com a vida da pessoa, nem com a escolha de parceiro dela. Desde q todos acabem felizes maravilha !

    Essa preocupaçao com o q o outro faz ou deixa de fazer… as pessoas se preocupam mais com a vida alheia do q com sua propria! MUITA FALTA DO Q FAZER deve ser…

    Essa coisa de ficar julgando e desejar q outros sejam semelhantes é o verdadeiro problema.

    Ninguem ta certo e ninguem ta errado, as pessoas simplesmente sao e temos q deixar q elas sejam.

    • Sim, temos que deixar que sejam, mas se seguíssemos esse pensamento à risca, não existiria psicologia e nem psiquiatria, afinal, os malucos são malucos por “escolhas deles”, os psicopatas matam e não sentem remorso porque é a natureza deles, eles “desejam isso”.

      Não concordo muito com essa sua idéia de que “as coisas não podem simplesmente ser?”, sim elas podem, mas por que não tentar entendê-las também? Creio que seja isso que mova o mundo, a busca pelo novo e pelo inexplicável, pelo incompreensível, por algo que procure uma resposta exata, ou quase. Por isso não quero deixar de lado um assunto que me intriga, um assunto que me deixa perplexo.

      Que nem eu estava falando com meu amigo: “Por que você chama alguém de retardado?”, ele disse que é só brincadeira…mas a pergunta seguinte foi: “Mas o que te fez chamá-lo de tal?”, pronto, não soube me responder. A definição de normal e anormal é muito mais complexa do que o que aparece no wikipédia ou em alguns sites, não é a toa que Focault se dedicou tanto a tal, Nietzche, Freud, Hegel e entre muito outros! 😀

  4. Simplesmente permitir que tudo seja, não impedir nada, só leva a um lugar: ao caos da anarquia. Na teoria esse discurso é muito lindo, muito libertário, mas sabemos que a própria sociedade nos impõe lmites, restrições, é é bom que seja assim. Não somos livres – não plenamente. Esse discurso liberal que diz que somos senhores absolutos de si, não tem nada de empírico, só abre espaço para mais controle e sujeição dos sujeitos – Foucault já dizia que as relações de poder só se realizam num meio onde haja alguma liberdade, então, é útil que as pessoas se considerem livres, isso permite o exercício de poder. O sujeito está sempre sob tensão quando em sociedade. Devemos deixar os ricos serem ricos, serem aquilo que o ser rico pressupõe (contribuir com a miséria)? E os assassinos? E os estupradores? E os fracos e ignorantes? Eles também nos afetam – tudo nos afeta, para o bem ou para o mal, a indiferença é uma ilusão; não deixa de ser uma fuga como qualquer outra (anti-depressivos, deus, família, álcool, maconha, partidos políticos etc.).

  5. O louco quase sempre denuncia aquilo que o são recusa, por isso é tão mal visto. “Sábios chamaram-me louco…” ou seria o contrário?

  6. Sem duvida, permitir q todos façam oq querem sem a minima critica levaria ao caos total neh porra.

    Nada exagerado é bom…
    Temos de estudar as coisas, e é sim a curiosidade q leva o mundo a evoluçao (ou regressao?). Se nao fosse a curiosidade nada mudaria em hora alguma msm.

    A questão da liberdade… ela nem existe. Nosso limite é onde começa a liberdade do outro e por conta disso somos todos atrelados um ao outro afetando a vida um do outro tendo um efeito em cadeia.

    A pessoa tem o direito de fazer e de escolher oq tem vontade ate o momento q afeta a integridade fisica ou psicologica de outra de forma negativa para a mesma. Tirando isso temos de aceitar seus comportamentos seja la quais forem mas isso nao impede ninguem de estudar nada xD

    E a loucura, psicopatia, opçao sexual… nao sao escolhas.
    Sao sentimentos, impulsos. Isso nao é escolha, vc simplesmente os tem. As pessoas sao assim, a diferença é q existem os que conseguem controlar, os q sentem e nao conseguem e os q nao sentem daquela forma…

    “Todos são iguais nas suas diferenças individuais.”

    Tudo TEM de ter limites, do contrario é so desordem.

  7. Gosto muito de uma resposta que o Foucault dá em uma de suas entrevistas, quando perguntado acerca dos limites de uma sociedade:

    “Haverá sempre repressões que serão intoleráveis a certos membros da sociedade. O necrófilo acha intolerável que o acesso aos túmulos lhe seja proibido. Mas um sistema de
    repressões apenas se torna verdadeiramente intolerável quando os indivíduos que são submissos a esse sistema não têm mais os meios para modificá-lo. Isto pode acontecer
    quando sistema se torna intangível, seja quando se o considera como um imperativo moral ou religioso ou conseqüência necessária da ciência médica. Se o que Rieff quer dizer é que as restrições devem estar claras e bem definidas, então eu estou de acordo.”

    É por aí que devemos pensar. Ora, o que se deveria saber e compreender, é que jamais se tratou de alcançar um certo estado pleno de liberdade – somos ainda por demais inclinados pelo idealismo iluminista a se pensar num Paraíso na Terra, o que não é verdade -, e sim, de constituir um modelo de sociedade onde os indivíduos sejam dotados de poder para modificá-la, destituí-la, expandí-la ou fechá-la, tanto faz, desde que o indivíduo não se coloque à parte dos processos de produção das sociedades.

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