Pensamentos aleatórios #25

Violência

 

“Abaixo a Inteligência, Viva a morte!”

-Ditado Fascista Espanhol

Há algum tempo atrás estava falando com a minha amiga sobre os garotos da escola dela, que gostavam de brigar e cair na porrada, lembrei disso quando meu professor de história falou dessa frase e também lembrei de uma professora de sociologia que muito estimo, falando que vencer os outros pela força é muito menos prazeroso do que vencer pela argumentação.

“A violência fascina os seres moralmente mais fracos.”

Einstein e a minha professora estão certos – É muito mais fácil reprimir do que defender pacificamente um ideal, a força afugenta as pessoas e as leva para seu lado por meio do medo:

Foi assim com os Levellers, Diggers, com os liberais na URSS, com os Comunistas nos EUA, com os estudantes no Brasil, com os Judeus e Negros na Alemanha Nazista, com os Tibetanos e o Governo Chinês,com os Palestinos próximos a Israel; são alguns exemplos da força sendo utilizada para coagir os outros; e sabemos bem, pegando o exemplo dos Gulags ‘comunistas’ e dos campos Nazi já observamos que a violência não necessariamente justifica a verdade e o correto.

Então, o que move os homens a bater e não a argumentar?

Me parece claro que é ou a falta de argumentos ou a falta de vontade de argumentar; mas, tomemos primeiramente a falta de argumentos:

Se coage uma pessoa por que não se tem como provar que está certo por meio da lógica, isto é; vale a pena amedrontar e machucar para mostrar sua ‘superioridade’ física sobre a superioridade intelectual do outro – este pode até se amedrontar, mas não vai efetivamente mudar seu ponto de vista – o ‘problema’ da coerção física é que os laços que esta mantém são facilmente desatados.

Violência gera ódio e rancor, e o coagido, tal qual um mercenário, irá até certo ponto apenas para defender o tirano que lhe  oprime/mata.

Do outro lado se argumenta por que se sabe que o que se defende é verdadeiro; dai vale a pena dialogar e ‘perde’ (muitas vezes meses [sem nenhuma força de expressão]) meses argumentando para convencer o outro do seu ponto de vista; a vantagem das palavras é que elas ficam impressas na mente do ser humano, dai a dificuldade de reverter o processo na mente de um ser pensante.

Como disse a minha professora ‘Bethinha’:

“Fadel (Cure), legal mesmo é destruir as pessoas com as palavras!”

‘Bethinha’, você (repito) está certa; em vez de espancar meus ouvintes eu dialogo com eles, exponho o que acho e, espero que os leitores, absorvam parte do que penso e abandonem a violência e coerção em lugar dos argumentos.

5 thoughts on “Pensamentos aleatórios #25

  1. Nietzche e o Rico possuem uma idéia BEEEM diferente sobre a violência XDDD Dá pra perceber isso no post dele (e ele bem que podia falar algo sobre, mais especificamente, a violência \o).

  2. hahaha… Esse Felipe é foda (rsrs). Meu posicionamento é bem claro quanto a esse tema: há hoje um certo “tabu da violência”. Não se pode falar sobre ela – em sua defesa -, é algo como falar contra Deus numa Igreja, ou dizer-se liberal numa reunição marxista (XD) – e isso por que, falar em saídas pacíficas é muito mais fácil, cai como uma luva, por exemplo, se você for pastor ou político (XD). Acontece que a violência esteve sempre presente – não importando a sua forma de manifestação. Nem toda violência é válida, mas também, nem toda violência é tão somente expressão de ignorância. Não acho que a violência cometida pelos estudantes e trabalhadores, no famoso maio de 68, foi mera manifestação de ignorância e ausência de capacidade argumentativa. Outro exemplo significativo, foi o que ocorreu, há uns dois anos – creio -, na Grécia: grupos anarquistas e até mesmo não-anarquistas sairam juntos às ruas para protestar contra a violência policial, pois um adolescente anarquista havia sido assassinado pela polícia numa manifestação. Houve uma nova onda de violência, a população bateu de frente com a polícia, viraram carros e transformaram as ruas da Grécia num verdadeiro campo de batalha. Tá, então eu vou chegar e dizer que eles estavam errados? Que não passavam de trogoditas sem diálogo? As pessoas dizem que são contra a violência, mas eu duvido muito que se alguém vier em sua direção, com um fuzil, você apenas diga “hei, champs, vamos conversar”. Guerra é guerra, e não se faz guerra com rosas e violetas, e sim com fuzis tanques e mísseis. Não sei por que é que se insiste tanto nessa idéia de abolir a violência, de modificar, seja o que for, pacificamente. Eu, particuparmente, não mediria esforços para derrubar um tirano – todo o ideal democrático só se tornou o que é com o derramamento de sangue de milhares. Até mesmo para se derrubar um tirano, se faz necessário o uso da violência – isso é implícito. Se se quer determinados fins, deve-se acatar aos meios, e a guerra é, sim, um meio.

  3. ‘Outro exemplo significativo, foi o que ocorreu, há uns dois anos – creio -, na Grécia: grupos anarquistas e até mesmo não-anarquistas sairam juntos às ruas para protestar contra a violência policial, pois um adolescente anarquista havia sido assassinado pela polícia numa manifestação. ‘
    Rico, mas eu não falei que não posso revidar com força se atacado; os anarquistas de Exarchia tentaram o modo gentil (invasão pacífica de canais de TV) e depois caíram de porrada, o Estado não queria afrouxar os grilhões; Paciência vamos bater neles.

    Hm, quanto a via revolucionária opressora, bem, é uma contradição com os ideais de respeito mútuo (se bem que o estado não gosta de nos respeitar); e existem maneiras efetivas de emancipar certas regiões dentro do Estado sem violência alguma; isso foi usado dentro da áfrica do sul pra criar um estado dentro do estado e é válido aqui na terra tupiniquim também.

  4. “Hm, quanto a via revolucionária opressora, bem, é uma contradição com os ideais de respeito mútuo (se bem que o estado não gosta de nos respeitar); e existem maneiras efetivas de emancipar certas regiões dentro do Estado sem violência alguma; isso foi usado dentro da áfrica do sul pra criar um estado dentro do estado e é válido aqui na terra tupiniquim também.”

    Todo processo revolucionário em larga escala é violento, não há como fugir disso. Imaginemos que as pessoas se revoltassem, que uma revolta generalizada atingisse todo o país, e então, todos saissem às ruas para abolir o Estado e instaurar uma nova sociedade; o que esperar a partir daí? Não só a polícia seria acionada para conter os revoltosos como também o exército entraria na jogada, como meio de rechaçar a revolução. E a força só é vencida com a força. Ou seja, se os revolucionários não pegarem em armas e lutarem contra a reação contra-revolucionária, lá se vai a revolução. Vias não-violentas até certo ponto podem funcionar, mas a partir do momento em que o establichemant se vê em perigo, não haverá diálogo que vença os fuzis e os tanques nas ruas, atirando contra civis – nem um pouco desarmados, diga-se de passagem. A reação anti-revolucionária terá que ser reprimida, do contrário, serão os revoltosos os reprimidos. Se um grupo quer A e outro grupo quer B, e não há meio-termo, não adianta falar em paz e pacifismo, ou você subjuga o adversário ou será subjugado por ele.

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