Pensamentos aleatórios #8

Do ódio (Parte 1).

  • Note que eu não tenho capacidade para inventar títulos, gosto do modelo DE (qualquer coisa).

“Ah, o ódio!

Ó arma fulminante, ó sentimento vil:  Tu és a pura verdade!

Desencadeando em sua passagem reações  que contrariam a racionalidade!”


Hoje vejo falar do ódio; mas não do ódio da decepção ou do ódio de um ser humano por outro, negando toda a racionalidade.

Vejo falar do meu ódio pela instituição que para mim é uma ofensa ao ser humano pensante e a qualquer pessoa que se considere filósofa ou qualquer outro título que bem te defina:

– Os homens de farda, os que preferem a morte pela pátria, aqueles de “Braço forte, mão amiga” (é esse seu slogan), os salvadores do mundo do inimigo!

Vocês os conhecem, vocês já viram eles na TV, no rádio, nos panfletos. Alguns até querem servir a essa instituição doentia e falida: O Exército.

Ontem fui obrigado a me apresentar as 7 da manhã nas portas de um posto convocatório do exército e muitas coisas passam pela cabeça deste humilde interlocutor:

1- Por que estou aqui as 7 da manhã?

2- Por que eu tenho que me alistar?

3- Por que tenho que morrer pela pátria (pelos interesses dos outros)?

Não gosto do Estado e isso não é segredo nem nunca foi; mas se existe algo que me dói mais do que a minha implicação com o Estado é o seu braço truculento e assassino.

Meu amigo, um dos maiores físicos do século XX expressou com palavras tudo que sintetiza o que eu sinto neste momento:

“A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir
qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem… Não merece um cérebro
humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa
possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência
gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me
assassinar a participar desta ignomínia. “

– Albert Einstein

Que os homens adoram se matar todos sabemos: Vemos guerras em todos os lugares, vemos sangue derramado e vemos os interesses financeiros sendo jogados acima dos interesses sociais e morais.

Observamos calados as bombas de Hiroshima e Nagasaki massacrar milhares de Japoneses civis (o que considero um atentado terrorista), vimos o napalm correr solto nas guerras do Vietnã, vimos também soldados americanos humilhando presos e matando civis Árabes – Observamos calados.

Observamos o fortalecimento dos colegas ditos socialistas das américas do sul, gastando dinheiro com caças Sukoi e até nosso companheiro Brasileiro pensando em comprar alguns caças Franceses e os homens que manejam estes aparatos letais são os nossos odiados amigos de farda.

Seu (falso) objetivo: Proteger a nação.

Seu (verdadeiro) objetivo: Matar e coagir.

Se não acredita em mim, filhote (somente filhotes homens, olha que sorte), espere até fazer 18 anos e veja o que será da sua vida:

Você  vai ter obrigação de ir até determinada data para ‘voluntariamente’ se oferecer para integrar o exército, vai ter que ‘voluntariamente’ acordar cedo e (como é meu caso) perder aulas sagradas de manhã para ficar numa fila quilométrica para receber um carimbo em uma folha de papel com a próxima data do martírio retorno ao posto.

Você também vai ser obrigado a votar (bela democracia!) em uma vasta gama de políticos que desejam ocupar uma cadeira e te ‘representar’ (existem exceções, mas não creio que estou para conhece-las).

Voltando a procissão, você deverá fazer vários testes em outro dia (o que implica em mais tempo fora das tão sagradas aulas), que implica em tirar as calças para um exame médico, em puxar peso e em fazer uma entrevista tentando justificar por que diabos seu lugar não é lá e sim dentro de uma faculdade.

Se seu destino má sorte ainda sim desejar seu sofrimento (se seu Deus exige que você pague seu Karma) deverás ai sim se alistar e ficar um ano correndo e fazendo outras coisas sem sentido interessantes: Médicos vão para o ambulatório, técnicos vão para o computador, os químicos para a seção de armas de destruição em massa e os que não tem vocação para nada vão morrer em nome de todos estes outros.

Após um ano de lavagem cerebral perdido você estará livre para fazer o que quiser, olha só que legal, não?!

Claro, depois de um ano sua visão da realidade será outra: Seu batalhão servirá de substituto pela sua familia, seu capitão será sua mãe e seu pai, seu  fuzil será uma extensão do seu braço e você ingressará para o time mais hardcore: Os nacionalistas.

Adoro os nacionalistas, acho eles pessoas deveras interessantes; pelomenos os que querem fazer algo democraticamente correto (Beth P., essa coisa de social democracia não existe haha! [Interna, relaxe, socialdemocrata ]) –  nossos amigos hardcore não estão para conversa, por isso estão em sua maioria no grupo dos nacionalistas extremistas -Seu amor pela pátria superou seu amor pelos seres humanos e estes estão a fim de tudo para garantir os interesses nacionais:

Torturas, sequestros, assassinatos, abuso de poder e corrupção são apenas alguns de seus crimes em nome da ‘Ordem e Paz’; observamos suas ações durante a ditadura militar, observamos suas ações nas repúblicas soviéticas, observamos ainda suas ações nos gloriosos suicídios martírios das tropas Americanas no exterior.

Por que devo amar algo que só me prejudica? Algo que me coage? Algo que me mata enquanto existe? Algo que me impede de viver e ser livre?

Se for para ter algo pelo que viver eu declaro aqui e agora que vivo pelos seres humanos e outras formas viventes, não importando sua nacionalidade e/ou sua natureza evolutiva.

Declaro aqui também que meu novo líder é o grandioso cão de bandana:

Meu líder, Auf!

Suas patas direitas e esquedas na luta contra a opressão são elas: as mulheres (ah, criaturas maravilhosas!), seus olhos e ouvidos são os homens da ciência, seu cérebro são os filósofos.

O grande Cão Guia é formado por todos nós: uma boa fração da sociedade que deseja se ver livre da opressão dos homens de farda que querem fazer sabão do nosso colega gentil, não devemos agir sozinhos pois não conseguiríamos acabar com os homens que são muitos e muito mais poderosos.

Mas poderíamos nos organizar e ai sim agir, podemos expandir nosso modelo de líder sábio, racional e amável para outras regiões, podemos nos soltar da coleira em que nos amarraram e libertar outros que logo virarão sabão nas mãos destes homens amorais!

Fecharei aqui minha estranha primeira parte do discurso com outro amigo famoso:

“Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. “

– Charles Chaplin

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s