Pensamentos aleatórios #24

Da Felicidade

O que é felicidade, O que faz você feliz, O que é essa tal de Alethes Eudaimonia (felicidade verdadeira) que você tanto fala?

Roupas caras? Música? Pessoas em volta? Fotografia? Dinheiro, muito dinheiro? Bebida? Carros? Livros? Armas de destruição em massa?

Hoje a tarde estava lendo a Época, lendo uma reportagem sobre felicidade e resolvi escrever aqui sobre isso.

É para manter minha sanidade mental que gosto de definir como ‘causa da felicidade’ tudo aquilo causa que bem estar; seja por contentamento, seja por júbilo irracional; já disse anteriormente que dinheiro não trás felicidade; a matéria complementou certos pontos do meu pensamento, a psicologia positivista lança uma pergunta interessante a cerca do mito da felicidade pelo capital:

“Se dinheiro trás felicidade por que bill gates, Eike Batista  e Carlos Slim não são os homens mais felizes do mundo?”

Então você pergunta, meu filhote:

“Sei lá, por que eles trabalham muito e não tem tempo para gastar?”

Bem observado, filhote, creio que desde quando nos conhecemos seu QI subiu, você começou a ler, como eu pedi?

Mas não, não é assim, por que observemos os Índices GINI por país:

Nota: Observe que quanto mais próximo de 100, mais desigual é o país e quanto mais próximo de 0, menos desigual ==

0 – Comunismo

100 – Plutocracia

Olhe só, que interessante:

A população dos paises mais ricos do mundo (principalmente os nórdicos) tem a maior ‘igualdade’; engraçado como as maiores taxas de suicídio são justamente desses paises:

A Lituânia, 42 suicídios por 1000 hab; tem um PIB de US$  59,644 bilhões e renda per capta de 19,730 dólares/hab;

O Japão tem 23.8 suicidios por 1000 hab; PIB de US$ 4,289 trilhões e renda per capta de 39,040 dólares/hab;

Já o glorioso Azerbaijão tem 1.1 suicídios por 1000 hab ;PIB de US$ 52,35 bilhões e renda per capta de 6,476 dólares/hab.

O que podemos concluir? Podemos concluir que dinheiro não é o fator mais importante para a manutenção da felicidade, creio que muitos suicidas tiram suas vidas por depressão e, pelomenos de onde vim, suicidas não são criaturas saltitantes e coloridas.

Progredindo o pensamento, vemos que dinheiro não trás tanta felicidade quanto imaginamos; na década de 70 pesquisadores da universidade de Massachusetts e Northwestern compararam o quanto se sentiam felizes os recentes ganhadores da ‘sena’ e de paraplégicos acidentados há pouco tempo. A curto prazo os ganhadores estavam eufóricos e os paraplégicos estavam deprimidos (claro, quem daria graças a Deus depois de se tornar paraplégico?); após 3 meses ambos estavam com mais ou menos o mesmo nível de felicidade.

Hm…

O problema é que nosso amado Lobo Frontal gosta de superestimar os acontecimentos, consideramos importantíssimas coisas ridículas; sonhamos com vidas profissionais brilhantes, esposas perfeitas e muito dinheiro (Eu apenas sonho com a Björk); ele se desenvolveu muito durante nossa evolução e, irônicamente, não desenvolvemos pé no chão para acompanhar o que é possível e o que inviável.

O giro frontal inferior (parte do hipocampo) apresenta duas porções distintas em termos de funcionalidade:

  • Parte inferior e medial – relacionada com o sistema límbico, apresentando relações com o hipocampo através do feixe unciforme.
  • Parte lateral – relacionada com os mecanismos de memória recente, sendo uma zona de associação.

Espere, Então esse maldito me fez associar dinheiro, amor ou qualquer outra coisa a felicidade, por exemplo?

É, é exatamente isso, pequeno Einstein!

Começamos a associar a riqueza ao cotidiano, associamos gosto melhor aos vinhos que estão numa embalagem com uma etiqueta de preço maior; mesmo sendo este vinho igual ao da embalagem de preço menor!

Com o passar do tempo começamos a nos acostumar, afinal, a riqueza antes rara, hoje é algo comum; quem sabe por isso os homens mais ricos do mundo não são os homens mais felizes do mundo…

Então, como estamos constantemente acostumados ao dinheiro nós começamos a nos acomodar (disse isso post passado e agora pouco), deixamos de achar graça nas coisas, tudo que pode se comprar (e quase tudo pode ser comprado) começa a ser menos interessante a cada vez que utilizamos ela: MORTE AO IPOD 16 GB, PRECISAMOS DE UM DE 32 GB, ou um Ipad/Iphone –  PRECISAMOS DE MAIS PARA SAIR DO BANAL!

Quem sabe por isso consumimos tanto…Não concorda?

Hm, e qual a tua escapatória para essa contradição do ter para ser feliz, anarco-discípulo de Confúcio?

Ah, chegamos ao ponto que eu queria chegar, filhote, há alguns meses estava falando com o meu filhote, esse filhote disse que quem sabe nunca foi feliz na vida; não compreendo este filhote e não o conheço tanto quanto gostaria; e, do alto da minha pseudo psiquiatria sociológica, não consigo diagnosticar o que causa este drama na sua vida – o que será que causou essa infelicidade seja ela contínua (desde seu nascimento) ou algum tipo de pseudo infelicidade (quem sabe esse filhote não consegue compreender a felicidade)?

Mas acredito que existe uma maneira de driblar esse comodismo, ó sim, camarada filhote.

Como, devo começar a usar crack apartir de agora?

Não, gaste sua fortuna (Gates, sei que você está lendo isso…) em experiências; em vez de comprar um avião, por que não comprar rosas? – Vamos ver um filme? Vamos cozinhar? Vamos conversar? Vamos viajar? (Eu, pessoalmente, gostaria de visitar a Islândia, a Polinésia Francesa, a Grécia, o Reino Unido…) Ou ligar para alguém? Ou ajudar um cego? Ou jantar naquele restaurante?  Ou curtir aquele livro de 500 páginas que você não teve coragem de abrir?

Por que não investir em uma relação?

Ah, meu caro filhote, a felicidade está mais associada a frequência em que se é feliz do que com a intensidade; 60 garotas a mais na tua lista durante uma noite não vai te deixar mais alegre do que qualquer relacionamento estável de verdade.

Portanto vemos que se deve aproveitar as coisas simples da vida, é muito mais importante viver com dignidade, que bens materiais não trarão para nós a felicidade absoluta ou qualquer tipo de  felicidade verdadeira; esta última está diluída nos pequenos acontecimentos e nas pequenas boas ações, em atitudes espontâneas e palavras francas, quem sabe?

Também em Flores, Rosas, mãos dadas, Sorrisos Verdadeiros; sejamos exigentes com os outros de uma vez!

“Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo que amar e algo que esperar…”

[Aristóteles]

“A melhor maneira de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.”

[Confúcio]

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