Pensamentos aleatórios #22

Something dont feel right

Ou

“Eles”

Leia isto:

http://observareabsorver.blogspot.com/2010/09/que-democracia-o-estado-democratico-e.html

Há algum tempo estava falando com meu filhote quando ela fala que estava usando uma jaqueta de couro, depois de ouvir meu comentário contrário ao uso das jaquetas de couro ela diz:

“Já faço isso, ai Cure, não entendo esse pessoal vegan ou pseudo vegan, o mundo não vai parar de fabricar couro ou carne porcausa de vocês. Hello!”


Confesso que prezo muito a convivência com essa amiga, que ora ou outra conversa sobre os diversos temas filosóficos, livros, unhas vermelhas e inúmeros outros assuntos. Dentro do campo da filosofia já falamos de pessoas ignorantes, falamos de Sócrates (MEU grande amigo) e de como as pessoas não costumam questionar as coisas – mas confesso que fiquei decepcionado e resolvi fazer um tópico sobre isso; apenas isso.

O que leva uma pessoa a desejar algo que não possui?

É possível que ela deseje aquilo por que crê que precisa daquilo, a necessidade daquilo é um item secundário na escolha ; ou que deseja possuir algo que aquilo proporciona, analisemos:

  • Desejo dinheiro para ser feliz (discordo disso, mas tomemos como exemplo); não desejo o dinheiro em si, mas desejo o que ele pode me proporcionar.
  • Desejo o dinheiro para ter poder, para manter o meu status; não desejo o dinheiro em si mas, novamente, desejo o que ele pode me proporcionar.
  • Desejo a Björk, desejo a Björk por que não tenho ela; por que quando tiver ela eu não mais desejarei te-la ( por que eu já a tenho), assim, eu desejaria apenas manter o que já possuo, isto é, manter a manutenção do meu desejo primário; desejo mante-la perto de mim – por que eu voltaria a desejar ‘te-la’ e isso significaria um retrocesso.

Prosseguindo:

Se ligasse para status e mídia, eu ligaria também para a popularidade que eu teria quando me relacionasse com a bela Islandesa – desejaria também me projetar, me tornar famoso e influente. Neste caso eu usei a Björk para me alavancar, coisa tão comum hoje em dia.

Do outro lado existe outra maneira de conseguir o que eu quero sem depender dos outros – o dinheiro; quando nascemos nossos pais disseram:

“Filho(a), você TEM de ser feliz.”

O problema que os pais ignoram é que muitas vezes nem eles nem a criança sabe o que é felicidade; Eu me pergunto todos os dias o que é felicidade verdadeira e como consegui-la; sem grandes avanços mesmo depois de muito tempo pensando nela.

A criança, nesta sociedade gentil em que vivemos, crescerá associando felicidade a muitas coisas como um bom trabalho, como um bom casamento, como uma vida em sintonia com o divino, com muito dinheiro – Espere, dinheiro compra tudo dentro do capitalismo, certo?

E como tudo tem preço as pessoas vão se esquecendo da boa e velha ética para ter dinheiro e serem ‘felizes’, ou não?

  • Como a garota (“Natalie Dylan”, nome falso) que leiloou sua virgindade por 3,7 milhões de  US$?
  • Como a mulher que tatuou a testa por 10 mil dólares?
  • Ou como os queridos pesquisadores bélicos que acordam todo o dia para projetar armas que matem mais homens em menos tempo, ou como os homens que pagam 3 centavos de dólar para os chineses que fabricam seus tênis, os que fabricam notícias e manipulam os outros; os que produzem remédios que farão mal mas comerciam apenas para lucrar antes que todos descubram que aquela tal de Talidomida faz mal aos fetos.

Aqui (vide a ‘leitura obrigatória) se expressa bem como vivemos:

‘Mantém-se o povo ignorante, desinformado, desmoralizado e amedrontado. Ignorante, negando-lhe uma educação que mereça esse nome; desinformado, controlando a mídia e as comunicações, deturpando informações, omitindo, distorcendo, de acordo com o interesse dos poucos que dominam; desmoralizado, criminalizando qualquer movimento que agregue, esclareça, conscientize e defenda a maioria, dividindo e isolando os indivíduos com a ideologia da competição e do consumo compulsivo através de uma publicidade massacrante, repetitiva, insidiosa, desonesta; amedrontado, entre a exclusão social e o aparato da “segurança pública”. ‘


Em algum momento você já deve ter se encontrado com “Eles”, “Eles” são um grupo de cavalheiros nada gentis para quem o dinheiro não é importante, para quem o dinheiro é uma maneira de chegar (ai sim) onde eles querem: O Poder.

O poder pode ser manifestar de muitas maneiras; “Eles” acreditam não pertencer a raça humana: São seres iluminados, dotados de poderes ilimitados, inspirados pelo divino “Deus-Vaga-Lume-Aspirador-De-Pó-Astral”, “saia da frente do meu carro, plebeu! – “Meu pai é dono do Acre [Bla,Bla,Bla]!”; estes são os homens que (neste pequeno caso) colocam seus desejos acima das necessidades da sociedade; colocam o Eu acima do Nós (Espere! O ‘Eu’ está contido dentro do ‘Nós’; mas quem liga para estes detalhes?).

“Huh, e dai?”

E dai que estas pessoas estão dentro do exemplo dos ‘produtores de casacos de bois’; estas pessoas que só ligam para si, que depois de ver seu lucro caindo pela primeira vez na história investem em Mc Café’s ; com suas xícaras de porcelana – por que “Os malditos começaram a pensar, temos que fazer eles esquecerem! Temos que inovar”; por que temos que fazer vocês não saberem o que são organoclorados (dai a necessidade de investir 160 bilhões de dólares/ano para evitar que vocês saibam o que é um organoclorado), por que temos que fazer vocês não pensar em como o seu casaco de Boi é feito; compre e não questione o nosso trabalho humilde.

Façamos como a Dow: Investiremos milhares em propaganda para os outros acharem que ligamos, quando aquele incidente em Bhopal na India está há anos esquecido por nós, homens do Ocidente; mas as mulheres de 40 anos de idade que  habitam a cidade e entram na menopausa agora estão muito antenadas na realidade delas.

Este é o problema da ignorância: Quando não se conhece algo não se tem como ligar para algo – Não posso ligar para algo que nunca ouvi falar (psiu, Israel segura mantimentos dos Palestinos para ‘avaliação’ até as peças estarem corroídas e as vestes não poderem ser utilizadas; mas não fui eu que te disse isso, hein?) .

Acredito que fui demasiadamente bruto com ela, ela é jovem ainda, não parou pra pensar ou não compreendeu totalmente os desdobramentos da compra de casacos de couro; as vezes o conforto não vale o preço que se paga; as pessoas estão morrendo por ai por causa das riquezas de outro país; pedi para ela pensar no assunto – não posso obrigar ela a pensar em um assunto que não lhe interessa ou obrigar ela a pensar como eu; um dia conversaremos denovo sobre isto.

Tenho uma estranha ‘habilidade’; se chama pensar : Lhe é apresentada uma idéia, e você consegue extrair não só a conclusão óbvia da idéia como a idéia embrionária por trás da idéia original e as idéias afluentes por trás da idéia embrionária.

Por trás da idéia da minha amiga (que não é o problema principal) existe uma idéia de comodismo (quem sabe ela nunca tenha pensado nisso)-  Eu tenho raiva do comodismo por trás da idéia de que ‘os homens do casaco não vão parar’, eu tenho raiva da passividade, tenho tédio mortal do conforto da rotina diária; o problema nunca é a rotina em si, o problema é o que vem com a rotina: A rotina automatiza o homem, o homem já não questiona por que segue para lado A no metrô em vez de ir para B; já está tão acostumado com a rotina que já não sabe por que faz o que faz, por que se está ali matando famílias de Iraquianos, nem sabe como aquilo funciona – só sabe que aquilo faz tudo dar certo.

Kafka uma vez disse:

‘De um certo ponto adiante não há mais retorno.Esse é o ponto que deve ser alcançado.’

E Eu creio que estou chegando cada vez mais perto dele: Não consegui não pedir desculpas para essa amiga, aliás, sempre que faço besteira eu peço desculpas dela – são desculpas verdadeiras; não aguento o peso da culpa de fazer algo errado; acredito que todos deveríamos lutar para chegar a este ponto; a ultrapassar esse ponto e ir longe:

Devemos nos informar, devemos agir, devemos nos responsabilizar pelo que fazemos –  devemos nos responsabilizar por tudo que nos é conhecido e pesquisar o que não conhecemos. Devemos buscar a felicidade de cada um; devemos deixar o desnecessário de lado (o casaco, por exemplo) e devemos  começar a buscar a verdade de agora em diante.

“Só podia encontrar a felicidade se conseguisse subverter o mundo para o fazer entrar no verdadeiro, no puro, no imutável

-Kafka

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s