Pensamentos aleatórios #18

Do ódio (parte 3).

Ou,

Um conto sobre as igualdades.

Creio que disse no ultimo post que fui para o exército no frio intenso e na escura madrugada do dia 18.

Agora digo o que refleti sobre os acontecimentos que se passaram lá:

Tudo começa no fatídico dia 18 de agosto, uma madrugada fria, uma manhã perdida e uma tarde vazia de sentido que poderia ser usada para dormir ou estudar; Uma hora e meia no 10º lugar da fila (achei engraçado como todos os homens do exército se pareciam muito…) e às 6 horas eu já estava sentado em um banco ao lado de 5 desconhecidos que dividiriam a mesma tortuosa aventura democrática não facultativa que era ficar sentado passando frio ouvindo dois oficiais perguntando qual era o time da galera, falando do processo de seleção pelo qual passaríamos, de música, de lutas, de como a vida no exército é ótima [afinal, podemos fazer testes e entrar na parte ‘high class’ do exército, onde poderíamos facilmente ascender ao posto de comandante) e pedindo nossos formulários – muita ação pra 3 horas de molho em uma cadeira e relativo silêncio.

Após o processo de seleção e avaliação fui dispensado por não poder fazer atividades físicas pesadas e fiquei das 10h até meio dia e bolinhas sentado na cadeira conversando com outros ‘perdedores’ – até que por volta das 11h um chiado começa (o motivo, deduzo eu, era o tempo de espera para ir embora) e um dos oficiais levanta, dizendo que não há diferença entre ninguém naquele lugar e que há discriminação e que todos os homens eram iguais ali dentro.

Ok, dude, estávamos em fila para sermos dispensados (sem bonés e com mochilas seguradas na mão esquerda) quando um oficial de patente superior aparece e pergunta a multidão aonde está o filho do sub-comandante de tal batalhão (que não era o nosso – note que ele não disse o nome do sub-comandante), uma exclamação surgiria acima da minha cabeça naquele momento:

Se não há discriminação alguma então como um oficial de patente superior procura o filho do sub-comandante? Isso não deveria acontecer, por que se não há discriminação entre ‘candidato a soldado’ por que o oficial superior (que não conhece o nome do sub-comandante, logo não conhece pessoalmente ele) procura o filho do homem?

Mais, acho engraçado como o exército me lembra de algumas lendas sobre as ações de Stalin quanto a ‘igualização’ do povo:

“Vamos vestir eles iguais, vamos cortar seus cabelos curtos; eles se parecerão iguais e não haverão diferenças!

Vamos doutrina-los, vamos fazer eles obedecer os superiores, vamos fazer eles lutar pela nação’

Espere, isso é igualdade?

Vamos padronizar tudo? Vamos destruir a individualidade deles vestindo todos iguais? Treinando não seus cérebros, mas seus corpos apenas? Ensinando obediência total e a ignorar as consequências de seus atos?

Tudo a serviço da ‘pátria’, pelo ‘Brasil’ (e pelos interesses de quem realmente manda aqui)!

E se nós desejarmos a minha escolha de igualdade?

E se dermos oportunidades a todos? E se tratarmos todos justamente, sem discriminação? E se treinarmos também seus cérebros, criando criaturas pensantes a serviço da humanidade e não acima de uma ‘pátria’?

E se começássemos a trabalhar menos e resolvêssemos investir este tempo para sentir mais,

Pensar mais,

ajudar mais os outros?

Não seria reconfortante sair do conforto da rotina,

Ler um livro, talvez?

E se for melhor sermos mais iguais sendo mais diferentes?

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