Pensamentos aleatórios #14

Da ‘arte’ de não sentir.


Ah, a sociedade, o apogeu da civilização passa em frente aos meus olhos como um carro desgovernado como um motorista totalmente alcoolizado que passa sobre os pedestres; vejo coisas consideradas sagradas como instituições,assim como a sociologia me ensinou; vejo o comportamento psicológico dos homens e o classifico conforme li aqui e ali, vejo as leis da física e me assombro com a aplicabilidade de algumas delas para trazer benefícios ao dia a dia, filosofo e tento estabelecer a ordem sobre o caos.

É infelizmente uma constante no meu modo de pensar que existe um preço para tudo que se obtém:

Sempre perdemos algo ao adquirir um conhecimento, uma experiência – não falo de dinheiro.

Falo de tempo.

Temos todos um certo tempo neste planeta esquecido por Deus e todos nós perdemos tempo ao realizar algo.

Eu, enquanto digito isso as 04:14 da manhã estou ‘perdendo’ tempo de vida – poderia estar dormindo, mas não ligo (acabei de digitar isso exatamente uma hora depois, são 5:13 e o tempo urge).

Porém não venho falar de tempo, venho falar de experiências, venho falar de coisas estimadas que eu perdi durante este árduo percurso que sigo; já não sinto mais como antes, já não amo mais como antes – desconheço o real significado do amor (será que ele existe?!)!, já não considero algum alto antes incontestável de amizade tão incontestável assim.

Me descobri mais cético, me descobri mais duro e mais observador quanto a realidade, Eu rio e sorrio menos do que antes, comecei a catalogar as coisas e a analisar minúciosamente  as atitudes das pessoas que me cercam; quem sabe para me proteger da aparente maldade de alguns seres humanos, para peita-los?, quem sabe para me libertar de um inimigo que se esconde atrás de muros de concreto, cercas de arame farpado e seguranças que lutam Krav-Magá.

Eu cheguei a conclusão que o causador desses acontecimentos foi justamente a sociedade e como esta vive respirando com a ajuda de aparelhos; bastou apenas um plug removido para começar minha eterna dor.

Não pense, porém que eu dramatizo o que sinto, ou que aumento para que alguma boa alma passe a mão na minha cabeça. Eu ainda sim vejo os demônios que andam por ai, tentando me mostrar que a sociedade está ligando para mim, Que o belo conto-de-fadas-romântico-utópico-anti-realista é possível.

Estava certo de que voltar para os escombros não era a opção mais sensata. Comecei a reconstruir tudo o que estava em pedaços: A família, A fé, etc…; e acabei chegando a outra conclusão:

Não tenho mais aonde me segurar, não tenho sonho ou desejos a alcançar, não acredito em um salvador, não acredito em dinheiro trazendo felicidade, títulos e qualquer outro tipo de posse para ser feliz, não quero a família perfeita, não quero um Deus que me fulmine com um raio e diga que é bom, não quero um Estado, não quero um casamento com uma noiva de corpo escultural; nada disso pode resgatar o que perdi ou me dar a ilusão que nunca tive.

O que me resta é me agarrar a algo que ainda está lá (não muito bem da cabeça, mas ok) e pode ser mudado: O ser humano.

Tratarei futuramente ‘toda’ a minha filosofia. O que convém saber agora é que decidi após esta destruição total da minha antiga base de sustentação é que o melhor é me agarrar a ele ( o ser humano), por que sei que ainda com a minha mente fora dos padrões eu ainda estava inserido na sociedade e ainda sim teria alguns que tornariam a minha viagem menos difícil, pelomenos eu poderia rir entre novos apocalipses e crises financeiras mundiais.

Também descobri que estes vem e vão (falei disso aqui) e que todos sob certos aspecto são únicos, porém, alguns tem personalidade forte – algo que muito me interessa. são estas as pessoas com quem posso conversar abertamente sobre tudo o que penso, pessoas estas que me modificam e são modificadas; pessoas que de fato marcam e valem a pena serem lembradas.

Descobri também que estes, infelizmente, se vão também; perdi um irmão há dois anos atrás em uma batida de carro – Adendo: considero apenas uma frase marcante nesses diversos anos em que li a revista Veja ‘Até quando Walls Street perde Wall Street ganha’ – cogitei então em uma nova visão sobre os fatos:

“E se você pudesse sempre tirar algo bom de algo ruim? Você, portanto, sempre ganharia.”

“Por Buda”, foi o que Eu disse,”Eu sempre fiz isso por toda a minha vida!”

Hoje vivo minha vida tentando desejar o mínimo possível, irônicamente dia desses me peguei considerando namoro com  uma amiga (não falei que a amo [tanto que nunca nos vimos cara a cara]; para mim amar vem de uma série de complexos processos: conhecer, respeitar, ser amigo, ser companheiro,etc…) , não sei por que pensei isso dentro de um vagão de metrô as 2 da tarde, não faça mais perguntas; não tenho respostas.

Descobri dentro desse meu devaneio que nem todo o holocausto social poderia matar um sentimento, eles só ficam escondidos – dissemos que nunca fomos felizes, mas quem sabe nós simplesmente não observamos ou pensamos nas pequenas coisas que podem tornar nossa vida boa de se viver- as pequenas ações: um sorriso, um abraço, uma gentileza, atenção, companheirismo, respeito, amor.

Quando digo que quero fazer revoluções sem armas e mortes a sociedade atual ri por que não entende que ao contrário dela as pequenas ações nunca morrerão, pois ficarão marcadas em nós.

Dedico este post a todos que me influenciam e são influenciados por mim, desde Sócrates, Patch Adams e Einstein ao filhote Zi,Blue e vocês, leitores que dão o ar da sua graça e dedicam seu tempo a ler meus pensamentos.

One thought on “Pensamentos aleatórios #14

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