Pensamentos aleatórios #4

O que eu penso/O que eu quero

O Blue me veio com uma idéia de um tema interessante: O que eu penso/O que eu quero.

Não quero dissertar sobre o que é pensar nem sobre quem pensa, nem sobre como sempre é benéfico pensar, enquanto é maléfico não pensar.



Pensamos bastante, fantasiamos muito coisas que não podem e nunca serão reais:

  • A Björk se casando comigo
  • O corinthians ganhando a libertadores
  • Aquele encontro maravilhoso, aquela pessoa perfeita, a volta de quem se foi, a pedra jogada, a palavra dita, a ocasião perfeita, o tempo perdido.

-A Björk está casada e tem dois filhos.

-O Corinthians não vai ganhar a libertadores nunca (Que bom, tenho como tirar sarro até o fim da vida).

-A pessoa perfeita não existe, existem pessoas com afinidades parecidas (ou não) que levam uma amizade ‘mais aproxegada’; quem morreu está morto; a pedra já foi atirada, nos resta pedir desculpas pelos erros cometidos; o que se aplica a pedra se aplica a palavra; o que se aplica a pessoa perfeita se aplica a ocasião; o tempo não volta, aproveite o que você tem.

Sempre gostei de Sherlock Holmes, de uns tempos pra cá ando lendo ‘bastante’; uma das suas frases que eu mais gosto é :

“É um erro imenso fazer teorias sem dados suficientes. Inevitavelmente, você começa a deformar os fatos como a lei as teorias em vez de alterar as teorias como a lei aos fatos”

E, irônicamente, Sherlock (Poe?) acerta em cheio quando defende que não é bom pensar sem ter todos os fatos em mãos. Nós sem querer deformamos a realidade e exigimos de mais dos outros: criamos caso por que devido as provas A, B, C, D que IMAGINAMOS serem reais nos levaram a um pensamento ilusório sobre o que PODERIA ter acontecido e não ao que, de fato, é real.

Partindo dessa reflexão eu chego a conclusão que um dos motivos dos relacionamentos acabarem em semanas, meses é justamente o romantismo ocidental (PLATÃO, POR QUE VOCÊ INVENTOU UM MAL DESSES!?) :

Inventamos uma pessoa que queremos amar; isolamos ela como o objetivo a ser alcançado, deformamos o que ela realmente é para desejar o que ela efetivamente nunca vai ser. Ao saber da cobrança, o outro apaixonado, ao invés de criticar a tamanha besteira, se desdobra para se modificar e agradar o insaciável ser que ‘o ama como ele é’.

Ao pressupor algo com UMA premissa errada estaremos sempre tendo conclusões erradas; estaremos sempre considerando algo que nos atrapalha; julgar sem pensar e considerar algo falso como verdadeiro chegam ao mesmo triste fim. Quando sabemos que o que defendemos é errado estamos nos iludindo, nos escondendo do que realmente buscamos – estamos buscando um conforto inexistente: consideramos a toca um palácio,  nossa ignorância se torna um empecilho na nossa caminhada, nossas ‘verdades e valores’ são imposições sem base alguma, acreditamos que refutamos um adversário ignorando o que este diz e repetindo nosso discurso sem nem considerar que seu argumento pode desencadear um movimento tão grande de idéias e nos mover alguns passos em direção a verdade – só realmente vemos se estamos certos ao passar pelos testes e, é claro, pagar um preço pelo o que adquirimos; mas o preço que pagamos pelo conhecimento será assunto de outros pensamentos aleatórios.

P.S.: Dedico esse post a todos que já tiveram a má sorte de se envolver com um ‘platonico’ e a quem tenta abandonar (assim como eu) o vício de fantasiar o que algo pode ser e não o que algo é.

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