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Há alguns dias veio-me à cabeça algumas questões no que dizem respeito a criação ou educação que o Estado fornece ao seu povo; nosso estado “laico” conta com uma bancada Evangélica que, recentemente, sancionou a “Lei do Ensino Religioso” que, por um acaso, me é muito curiosa; muito embora seja esta lei estreitamente “neutra” em pauta, seria possível também ser na prática? O que me questiono é a ambivalência da lei; ora, seria maravilhoso se nossos filhos crescessem em um futuro próximo conhecendo as religiões e desvirtuando todo e qualquer tipo de preconceito que possa existir mediante a isto… mas funciona? Difícil dizer. Tomemos como exemplo o fato de crescermos sobre uma inconsciente moral judaico-cristã e alguns paradigmas religiosos que predominam: os sobre o Espiritismo (macumbeiros de uma figa, adoradores do capeta!) ou sobre Evangélicos (só querem dinheiro! Malditos sejam!); seria possível implantar tal coisa, de modo que, não haja influência?

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O normal #12

Aquilo que perdemos há tempo

Uma coisa bem certa que Huxley diz em seu horrível livro, “A Filosofia Perene”, é que nós perdemos a capacidade de silêncio. Em sua época, pelo que parece, não havia ainda muita televisão, mas o rádio já era bem popular.

Todos essses equipamentos servem, tão-somente, para nos livrar do silêncio. Sempre alguma música, alguma notícia, alguma coisa precisa de estar no fundo para que não possamos mergulhar no autoconhecimento [...]“

E não seria verdade? Esses aparelhos eletrônicos não seriam uma fuga do silêncio e da solidão? Se se está entendiado: ligue a TV; vá pro computador ou iPad. Dificilmente admiramos as caminhadas silenciosas e solitárias em ruas vazias: lá fora é tudo muito perigoso. Mas aqui dentro também é tudo muito perigoso; logo, decide-se por ficar no meio termo, decide-se por entrar na internet. Mas por que isso tudo?

Leia, inquiete-se

O normal #11

Tenho andando com uma certa grande angústia de ficar na internet. Antigamente eu via muitos textos como uma possibilidade de aprender algo – talvez eu ainda fosse muito ignorante, ou apenas uma criança pouco vaidosa. Mas o que aconteceu com esses textos? Grande maioria deles era de jovens, pessoas ativas, ou que ao menos o desejavam ser, de pessoas com ideias, vontades etc. Talvez eu fosse ignorante ainda – uma criança que ainda não sabia o que queria direito ainda. Mas aos poucos essa criança cresceu, não de tamanho, mas de algum tipo de maturidade, alguma vaidade invadiu seu peito e seus desejos. Aos poucos essa criança começou a abrir seus brinquedos e analisar com certa atenção lúdica os mecanismos que moviam ou que permitiam a existência do brinquedo. Quando ela abriu muitos desses brinquedos, ela percebeu que os brinquedos não possuíam nenhum tipo de mecanismo de engrenagens, não possuía algum tipo de bateria – nem sequer algodão ou outro tipo de estofamento tinha lá. Continue a leitura

O sonho

Há um sonho que nunca me deixou. Escrevê-lo-ei aqui.

:O

 

Em pleno século XXI as sociedades de controle alcançam o nível de modelo societal par excellence e as tecnologias de informação, típicas desse modelo, alcançam o seu apogeu; capazes de chegar onde em outras décadas seria inimaginável, nos impressiona – ou talvez não mais impressionem, pois já nos habituamos a elas. Contudo, observa-se um fenômeno aparentemente contraditório: ao mesmo tempo em que graças a essas tecnologias alcançamos os saberes que tornaram-se alcançáveis por um grupo cada vez maior – a tal democratização do saber propiciada pelas tecnologias de informação -, a ignorância aparece como o símbolo da nossa época. Com o advento da internet, por exemplo, podemos ler sobre Filosofia, Sociologia, História, Geografia, Economia; fazer downloads de trabalhos acadêmicos dos mais variados e de diversas Universidades do Mundo; tudo muito prático, ao alcance da mão. É intrigante, e caberia aqui uma problematização mais enfática nessa área.

Tomemos como exemplo, nomes da literatura e da Filosofia. Tem-se, hoje, a possibilidade de comprar, seja em lojas virtuais, ou em livrarias, obras de Kafka, Marx, Freud, Nietzsche, Sartre, Platão, Deleuze, Foucault, entre tantos outros, por até menos que R$10 – nem todos, obviamente -, mas pouco se tem visto da potência crítica que tais autores liberam. Lê-se Sartre, mas não há quem “viva” Sartre. Com Marx ou Nietzsche – talvez mais com Nietzsche – sucede-se o mesmo. Há mais leitura, obviamente, mas leituras cada vez mais vazias. Para onde foi, então, a potência crítica desses pensadores? Por qual razão se lê mais nomes tão consagrados, mas não se vê as rupturas que esses autores provocam? Dizer que a culpa é dos próprios pensadores certamente não é a resposta.

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Vida e Conhecimento

 

I

 

A vida como meio de conhecimento. Nietzsche acreditava que vida e conhecimento não constituíam pares opostos, mas uma unidade fundamental que caberia ao filósofo do futuro restituir, uma vez que a oposição – mais aceita, afirmada, com credulidade e orgulho, do que provada, diga-se de passagem -, havia sido imposta à vida, como instrumento para sua total negação. A história da filosofia é a história de terríveis golpes deferidos contra a vida, a história de incomensuráveis erros acerca do valor da vida; erros dos quais ainda não nos libertamos; para constarmos isto que vos digo basta observar como a canalha vê o pensador ou o estudante de filosofia: como um lunático, um fora de órbita, preso ao “mundo das ideias” (ideia capenga advinda de uma imagem distorcida do platonismo, que de modo algum se define pela distinção entre dois mundos, o aparente e o inteligível). A “vida contemplativa” – a do filósofo ou do cientista – seria como um adeus pomposo à vida – o filósofo como aquele que se recusa a viver para – para quê? – pensar. Pensar tornou-se um meio de negar a vida! O golpe de gênio dos filósofos foi terem descoberto como fazer do pensamento uma prática niilista par excellence.

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Breve crítica à crítica

É muito comum entrarmos em um blog e percebermos que há algum post ou imagem que fale sobre a juventude de hoje, algo que a deprecie e fale sobre ela com aquele escárnio típico de pedantes. Devemos ver, agora, o que é que está sendo dito sobre essa juventude, como os jovens veem os jovens, os adultos, os senis. Infelizmente não disponho de material do que uma criança tem a dizer sobre a juventude de hoje – uma pena, de fato.

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