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	<title>Era uma vez Chaplin...</title>
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		<title>Escritos Aforismáticos</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 18:43:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rico]]></category>
		<category><![CDATA[Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Niilismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Vida e Conhecimento   I   A vida como meio de conhecimento. Nietzsche acreditava que vida e conhecimento não constituíam pares opostos, mas uma unidade fundamental que caberia ao filósofo do futuro restituir, uma vez que a oposição &#8211; mais aceita, afirmada, com credulidade e orgulho, do que provada, diga-se de passagem -, havia sido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2230&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><strong><em>Vida e Conhecimento</em></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><em>I</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A vida como meio de conhecimento</em>. Nietzsche acreditava que vida e conhecimento não constituíam pares opostos, mas uma unidade fundamental que caberia ao filósofo do futuro restituir, uma vez que a oposição &#8211; mais aceita, afirmada, com credulidade e orgulho, do que provada, diga-se de passagem -, havia sido imposta à vida, como instrumento para sua total negação. A história da filosofia é a história de terríveis golpes deferidos contra a vida, a história de incomensuráveis erros acerca do <em>valor</em> da vida; erros dos quais ainda não nos libertamos; para constarmos isto que vos digo basta observar como a canalha vê o pensador ou o estudante de filosofia: como um lunático, um fora de órbita, preso ao &#8220;mundo das ideias&#8221; (ideia capenga advinda de uma imagem distorcida do platonismo, que de modo algum se define pela distinção entre dois mundos, o aparente e o inteligível). A “vida contemplativa” – a do filósofo ou do cientista – seria como um adeus pomposo à vida – o filósofo como aquele que se recusa a viver para – para quê? &#8211; pensar. Pensar tornou-se um meio de negar a vida! O golpe de gênio dos filósofos foi terem descoberto como fazer do pensamento uma prática niilista <em>par excellence</em>.</p>
<p><span id="more-2230"></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><em>II</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Não nos enganemos quanto aos limites do niilismo, ele engole com sua boca escancarada e cheia de dentes também as artes, tanto quanto a filosofia e a ciência. Não há limites para aquilo que é o motor da história da humanidade. Muitos artistas foram rechaçados pela ousadia com que abdicaram das <em>pinturas nobres</em> (costumava-se pintar membros da corte e das classes abastadas, batalhas ou episódios históricos, ou, ainda, personagens mitológicos) para então se depararem com a vida &#8211; gritando, gemendo, sorrindo, chorando, morrendo, sangrando etc. O corpo nu que agora inspirava os artistas não era o da adorável e eterna Vênus de Milo, mas o de muitas mulheres, conhecidas ou desconhecidas, pouco importava a eles a popularidade de suas Musas: seus corpos vibravam, eram vivos, majestosamente vivos – era isso o que importava a essa nova safra de artistas. Do mesmo modo os impressionistas saíram para pintar ao ar livre e descobrir na natureza, na pintura da natureza, o que há muito tempo faltava à arte: cor, luz, alegria. Ainda, pintar pessoas não mais em poses grandiloquentes, apartadas das vivências quotidianas, como se as pessoas fossem modelos mortos, mas em seus gestos mais banais&#8230; homens, mulheres, crianças – havia muita vida pulsando nos camponeses de Van Gogh, numa garota a passear pelo campo, nos bares e na rua. Nisto Renoir, por exemplo, era mestre e seus quadros são um testemunho fiel de como arte e vida se confundem. Dizia ele, com sabedoria e graça, de modo que Nietzsche certamente o aplaudiria de pé: “(&#8230;); para mim, um quadro deve ser uma coisa amável, alegre e bonita, sim bonita. Há bastantes coisas aborrecidas na vida, para que nós fabriquemos ainda outras”. Ser trágico sem o saber. Não se trata de teoria, mas de vida.</p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><em>III</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><strong><em></em></strong>O que ainda nos falta, hoje, é esta consciência – artística, trágica, feliz, chamem-na como quiserem &#8211; de que pensar e viver não são excludentes. Fazer filosofia não é abdicar da ação, das experimentações do mundo humano, demasiadamente humano, é, ao contrário, mergulhar na pura imanência da vida para dela retirar uma obra, que pode ser de filosofia, de arte ou de ciência. O que matou Nietzsche não fora a doença, a loucura que lhe acometera em seus últimos anos de vida, mas o excesso de vida, de experimentações&#8230; Algo demasiadamente pesado para que um corpo tão frágil como o de Nietzsche fosse capaz de suportar. Uma vida grande demais! É a vida, o peso de uma vida grandiosa, que nos mata, não o contrário. O filósofo não é um padre. Os padres são personagens desgraçados, deveras infelizes, dos quais os filósofos devem escapar. O ascetismo mata a filosofia, é ele o verdadeiro algoz do pensamento. Hume criticava na filosofia abstrusa sua falta de atenção à vida. Voltaire, igualmente, acreditava que filosofia nada tinha a ver com abstrações. Mas foi Nietzsche o filósofo a pôr definitivamente as cartas na mesa &#8211; ele protestava: <em>conhecer, não é renunciar à vida!</em> Foi o que os filósofos, desde Sócrates e Platão, não compreenderam. Os poetas, os literatos e os filósofos malditos são uma tentativa de resgatar o pensamento de seu estado niilista. Liberar a vida, e, por conseguinte o pensamento, de todos os fantasmas do negativo. Se Bukowski escreve sobre prostitutas, corridas de cavalo, bêbados, viciados, porres, mulheres pouco ou nada valiosas, amores ruins, não é por vulgaridade, por falta de moral, de gênio ou de estilo – diz-se de alguns escritores: eles não têm estilo. Mas são eles os verdadeiros estilistas; é que o estilo pertence àqueles que comumente se julga não terem estilo &#8211; mas para trazer à literatura, à poesia a vida que lhes faltava – a vida dos guetos, da marginalia americana, dos pobretões, dos fracassados, dos sem eira nem beira, dos que não participam do concorrido círculo dos homens de negócios e dos investidores da bolsa. É vida&#8230; pobre, triste, quiçá besta, mas é vida – e há, ainda, uma gota de alegria nessa vida, pois Bukowski não facilita nada, não se satisfaz em dizer que esta vida não é bonita, ele vai mais além e diz: vejam, há ainda uma flor neste deserto ou nesta montanha de cadáveres. Bukowski, como todo grande escritor, é um sintomatologista: ele fala da doença da terra. No fundo, o que se expõe, aí, é o paradigma dos modos de vida contemporâneos: <em>pensar e viver como porcos</em>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2230/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2230&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rico</media:title>
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		<title>Juventude perdida</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 21:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipemp93</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[juventude perdida]]></category>

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		<description><![CDATA[Breve crítica à crítica É muito comum entrarmos em um blog e percebermos que há algum post ou imagem que fale sobre a juventude de hoje, algo que a deprecie e fale sobre ela com aquele escárnio típico de pedantes. Devemos ver, agora, o que é que está sendo dito sobre essa juventude, como os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2225&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://eraumavezchaplin.files.wordpress.com/2012/02/juventude-perdida.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2227" title="juventude perdida" src="http://eraumavezchaplin.files.wordpress.com/2012/02/juventude-perdida.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Breve crítica à</strong> <strong>crítica</strong></p>
<p style="text-align:justify;">É muito comum entrarmos em um blog e percebermos que há algum post ou imagem que fale sobre a juventude de hoje, algo que a deprecie e fale sobre ela com aquele escárnio típico de pedantes. Devemos ver, agora, o que é que está sendo dito sobre essa juventude, como os jovens veem os jovens, os adultos, os senis. Infelizmente não disponho de material do que uma criança tem a dizer sobre a juventude de hoje – uma pena, de fato.</p>
<p><span id="more-2225"></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Os jovens</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Bem, agora precisamos separar esses jovens entre aqueles que são &#8220;sabidos&#8221; e &#8220;ignorantes&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- </strong><strong>Sabidos</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Esses são os jovens que agem pedantemente. Há exceções, naturalmente. Eles apregoam um amor pelos tempos passados, tempos esses que seria de maior participação política, revolta política, conhecimento, ciência, cultura etc. Ou seja, a intenção alta e clara deles é botar o passado no presente – ou trazer as coisas boas do passado para o presente, não? Mas essa é uma tentativa improfícua; então eles se põem a lamentos eternos. Algo bem ao estilo de Hegel – o homem-histórico.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Ignorantes</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Carpe diem</em> ^^y</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- &#8211; Crítica</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Não quero criticar os &#8220;ignorantes&#8221;; continuem assim. Os sabidos, por sua vez, ao falharem em trazer o passado para o presente – tal qual, como diz um amigo, um &#8220;museu conservador&#8221; – eles acabam por se esquecer do presente e acabam se tornando os jovens que eles tanto odeiam. Olharam tanto para o abismo, procuraram por outros abismos, que acabaram por se tornar um, e agora o abismo procura por novos abismos, nunca olhando para frente ou para cima.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas qual o ponto que eles não conseguem enxergar? Talvez seja aquele ponto que diz o seguinte: as revoluções não são comuns, os grandes pensadores não são comuns. Eles querem que todos os dias, meses e anos sejam os de maio de 1968 ou, para melhorar, todo a década de 60. Não entendem que os jovens de hoje não são tão diferentes dos jovens da época de Epicuro – ou não existiam libertinos?  É muito difícil de compreender que os jovens não são uma máquina de revolução. Não ao jovem e homem-histórico; sim ao jovem e homem-devir: eis minha revolução.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Adultos e senis</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Não vejo necessidade de separá-los, pois ambos possuem a mesma opinião. Diria que são quase que as mesmas do &#8220;jovem sabido&#8221;. A diferença talvez seja que estes sentem falta dos jovens de suas épocas, uma época melhor, mais ativa, menos homossexual, mais cristã, mais austera, mais educada, menos libertinos, mais apreciadores da boa música, segundo eles, óbvio. Assim, a diferença é que o passado deles não é tão distante do passado dos &#8220;sabidos&#8221; (apesar de, aqui também, lógico, haverem exceções). Assim, a minha crítica se mantém a eles.</p>
<p style="text-align:left;">_</p>
<p style="text-align:left;">Trilha sonora do dia:</p>
<p style="text-align:left;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/02/13/juventude-perdida/"><img src="http://img.youtube.com/vi/qFO5Uxkp6-Q/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:left;">_</p>
<p style="text-align:left;">Citação do dia:</p>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;Considerando-se o quanto a energia dos homens jovens necessita explodir, não admira vê-los decidir-se por essa ou aquela causa de modo pouco refinado e seletivo: o que os atrai é a visão do fervor que envolve uma causa, e como que a visão do rastilho em fogo – não a própria causa.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:right;"><strong>Nietzsche</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2225&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Paredes divisórias &#8211; um breve pensamento</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 19:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vittie</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vitor Almeida Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Homossexualismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Valores]]></category>

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		<description><![CDATA[Resgatei hoje alguns pensamentos relacionados à simbologia e Jung. Não estreitamente suas simbologias, mas o seu modo glorioso e desprovido de preconceitos de interpretar tudo à sua volta. Uma das coisas que sempre me trouxeram grande fascínio pelo Jung era o que dantes disse em uma de suas mais gloriosas frases: &#8220;A diferença entre a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2215&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Resgatei hoje alguns pensamentos relacionados à simbologia e Jung. Não estreitamente suas simbologias, mas o seu modo glorioso e desprovido de preconceitos de interpretar tudo à sua volta. Uma das coisas que sempre me trouxeram grande fascínio pelo Jung era o que dantes disse em uma de suas mais gloriosas frases:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">&#8220;A diferença entre a maioria dos homens e eu, reside no fato de que em mim as &#8216;paredes divisórias&#8217; são transparentes. É uma particularidade minha. Nos outros, elas são muitas vezes tão espessas, que lhes impedem a visão; eles pensam, por isso, que não há nada do outro lado. [...] Quem nada vê não tem segurança, não pode tirar conclusão alguma, ou não confia em suas conclusões.&#8221;</p>
<p><span id="more-2215"></span></p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Lembro-me em primeira estância do homossexualismo. A não-aceitação do mesmo não diz respeito somente ao contemporâneo, mas parece que só tomou forma e nos veio à tona agora. Ligue o noticiário, alguém provavelmente surrou um ser igual à ele por ser homossexual. O mesmo ocorre com as divergências de raça, afinal&#8230; se você é negro, asiático ou qualquer outra coisa assim&#8230; merece ser punido, não?</p>
<p style="text-align:justify;">Não. Aliás, lembro-me, à primeira estância do que Jung tratava em “O homem e seus símbolos”, talvez em seu primeiro capítulo, não me lembro com clareza, mas sim, era o misoneísmo. Trata-se do medo e/ou fobia do novo – e me parece muito com o que vejo hoje em dia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, o que seria o amor&#8230; antes de tudo?</p>
<p style="text-align:justify;">O amor, incondicionalmente da sua forma ou representação, parece-me algo estreitamente arcaico e primordial. A necessidade de amor se faz dantes ao nascimento, pois é desta necessidade que surgimos – e não importa a maneira, afinal, um amor doentio também é um amor. E pós ao nascimento, o que procura o bebê, se não o prazer no amor e na necessidade do próximo (seus parentes)? Não importa seu gênero, sua raça, o que busca o bebê – e por conseguinte, a criança – é amor, carinho e outras coisas mais que são de função parental, tal qual é ensinar-lhe os valores da vida, e aí entram os valores judaico-cristãos.</p>
<p style="text-align:justify;">Na família, antes mesmo da sociedade, nascem os valores que a criança levará para a vida toda, pois ali está sua educação, seus pais são seus modelos. <em>Tábula rasa</em>. Quer queiramos ou não, de modo furtivo e inconsciente, uma tênia apoderou-se do pensamento das pessoas, trata-se da moral judaico-cristã do nosso ocidente. Um bom exemplo é o que vimos no <a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/28/a-favor-de-nan-goldin/" target="_blank">texto do Pacheco</a> sobre a visão ocidental do corpo, que fala de forma clara e sucinta sobre esta moral judaico-cristã que execra o corpo nu, a nossa mais natural forma de ser. Lembro-me agora, sobretudo, da simbologia em Jung. O homem é muito capaz de muito mais, mas as roupas – por mais que não nos sejam úteis em determinados momentos – são “necessárias”. Uma ótima simbologia da sociedade e a repressão que o homem causa em si mesmo. Por que há de condenar a nudez de um homem, se desde criança constitui-se assim? Por que condenar a mulher, se desde bebê constitui-se assim? Por que condenar o ato sexual, então, se foi este o procedimento que nos trouxe à vida?</p>
<p style="text-align:justify;">E é aí que começa a infelicidade do homem, a sua impossibilidade de <em>ser</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Vimos no <a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/30/pensamentos-aleatorios-62/" target="_blank">mais recente post do Cure </a>também uma reflexão sobre o motivo pelo qual nos tornamos tão frios; a desconstrução, cada vez maior, da possibilidade e da impossibilidade de expressar a mais arcaica forma de relacionar-se com o próximo: o amor. E por que então discriminar o amor entre homossexuais, se ele desconhece julgamentos e é parte de nosso instinto? Já me disseram uma vez que “Amar é distrair-se”.</p>
<p style="text-align:justify;">O que nos falta para tornarmo-nos homens melhores? Ser como Jung foi&#8230; homem com paredes divisórias transparentes, pois quem nada vê não tem segurança, não pode tirar conclusão alguma, ou não confia em suas conclusões.</p>
<p>-</p>
<p>Trilha sonora do dia: <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/02/13/paredes-divisorias-um-breve-pensamento/"><img src="http://img.youtube.com/vi/nYJKlqXU08o/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2215/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2215&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Livreto</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 20:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipemp93</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe]]></category>
		<category><![CDATA[cinema japonês]]></category>
		<category><![CDATA[considerações]]></category>
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		<category><![CDATA[Vingança]]></category>

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		<description><![CDATA[(uma ideia de um amigo meu postar aqui o que já foi postado no Vis Ainertiae) Estou aqui para apresentar meu novo e primeiro livreto: “‘É só brincadeira’ – Considerações sobre o cinema japonês e a vingança”. Gostaria muito de agradecer ao Raony (prefaciou a obra de forma única), Alice Erber (escoliou a obra com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2213&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>(uma ideia de um amigo meu postar aqui o que já foi postado no <a title="o post" href="http://visainertiae.wordpress.com/2012/02/04/buchlein/" target="_blank">Vis Ainertiae</a>)</em></p>
<p style="text-align:justify;">Estou aqui para apresentar meu novo e primeiro livreto: “‘É só brincadeira’ – Considerações sobre o cinema japonês e a vingança”. Gostaria muito de agradecer ao Raony (prefaciou a obra de forma única), Alice Erber (escoliou a obra com um grande prazer), Vitor Lopes (editou a capa e me deu dicas sobre a obra). Gostaria de pedir desculpas ao Gean – ele sabe do que se trata.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo o que eu poderia pensar e falar (e talvez muito mais) sobre a obra o prefaciador e a escoliasta falaram e pensaram. Tenho nada a complementar senão que espero que vocês leiam essa pequena obra de modo imoral, ou seja, tentem ao máximo não trazer a moral que vocês possuem enquanto no ato de leitura – e isso apesar de eu fazer uma crítica moral do ocidente. Espero que vocês aproveitem a obra e amem-na por seus erros e acertos. Critiquem-na bastante – não há amor maior em relação a uma obra do que a sua possibilidade de crítica e de criação duma reflexão. Ao final de cada aforismo há um kanji que significa “vida”.</p>
<p style="text-align:justify;">Não se esqueçam do principal: “é só brincadeira”.</p>
<p style="text-align:center;"><a title="&quot;'É só brincadeira' - Considerações sobre o cinema japonês e a vingança&quot;" href="http://www.mediafire.com/download.php?2b3y2177xsh37pi" target="_blank">Download do livreto</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2213/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2213&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Conto de Dostoiévski</title>
		<link>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/02/07/conto-de-dostoievski/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 03:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipemp93</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoiévski]]></category>
		<category><![CDATA[Marie]]></category>
		<category><![CDATA[Míchkin]]></category>
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		<description><![CDATA[Havia, lá onde eu estive, um bando de crianças. Eu estava sempre com as crianças! Somente com as crianças!&#8230; Era a criançada da aldeia. Toda uma revoada de escolares. Não que eu cuidasse delas. Oh, não; havia um professor para isso, Jules Thibault. Mas de certo modo não deixava eu de lhes ser útil, passando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2203&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-2203"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Havia, lá onde eu estive, um bando de crianças. Eu estava sempre com as crianças! Somente com as crianças!&#8230; Era a criançada da aldeia. Toda uma revoada de escolares. Não que eu cuidasse delas. Oh, não; havia um professor para isso, Jules Thibault. Mas de certo modo não deixava eu de lhes ser útil, passando a maior parte do tempo no meio delas. Durante aqueles quatro anos posso dizer que convivi com elas. Para mim nada mais me interessava que isso. Costumava falar com elas a respeito de tudo, não as enganando em nada. Os pais e os conhecidos delas implicaram logo comigo, só porque as crianças não podiam passar sem mim e estavam sempre me rodeando, a tal ponto que o professor se tornou meu inimigo ferrenho. Tive muitas outras inimizades lá, pelo mesmo motivo, e o próprio Schneider [, meu médico,] se voltou contra mim. Não sei o que temiam! Às crianças se pode dizer tudo, tudo! Sempre me chocou verificar como os adultos não as compreendem, o pouquíssimo que os pais entendem de seus próprios filhos. Nada se deve ocultar às crianças, nem mesmo sob o pretexto de ser ainda muito cedo para que nos entendam. Isso é uma ideia triste e mesquinha. Sim, logo se dão conta de que os pais as consideram pequeninas demais para compreender as coisas! E todavia&#8230; sabem tudo! Há gente crescida que ignora que mesmo no caso mais difícil uma criança pode dar um conselho acertado! Reparem bem não é uma vergonha decepcionarmos esse pequenino pássaro que nos olha com tamanha felicidade e confiança? Digo pássaro porque não há coisa mais bela no mundo. Mas o que na verdade indispôs toda a gente contra mim foi o seguinte: Thibault tinha inveja e ciúme de mim. No começo, ele apenas meneava a cabeça, não podendo atinar como era que a meninada compreendia tudo através de mim e quase nada do que ele ensinava. Deu então em caçoar, só porque lhe disse que nenhum de nós podia ensinar fosse o que fosse às crianças, e que delas sim, tínhamos de aprender tudo. Como pode esse homem, vivendo por ofício entre as crianças, vir a ter ciúmes, chegando a me intrigar tanto? Pois se a alma só se robustece no convívio com as crianças, não é mesmo?&#8230; Havia na instituição de Schneider um homem muito infeliz. Duvido mesmo que haja outra infelicidade comparável à dele. Estava em tratamento lá por causa de loucura. A meu ver, não era louco, mas sim medonhamente desgraçado. Isso é que ele era. Se ao menos as senhoritas imaginassem o que a criançada fez por ele no fim&#8230; Mas, sobre esse paciente será melhor eu falar em uma outra ocasião. Eu lhes vou dizer, agora, como foi que tudo aquilo começou. No início, as crianças não se sentiram atraídas por mim. Eu era tão grande! Sou sempre tão desajeitado! Eu sei também que sou feio&#8230; E, ainda por cima, eu era estrangeiro. No começo elas caçoavam de mim e, depois que me viram beijar Marie, deram em me jogar pedras. Eu só a beijei uma vez&#8230; Ora, por que estão rindo? – e Míchkin se apressou em deter o sorriso de suas ouvintes. – Não se tratava de namoro, não. Se chegassem a saber que criatura infeliz ela era, teriam compaixão, como eu tive. Vivia na nossa aldeia, com a velha mãe. Das duas janelas da sua casa em ruínas uma estava reservada, com licença das autoridades locais, que tinham dado permissão à velha para a venda, ali, de cordões de sapatos, linhas, fumo e sabão. Rendia uma bagatela, mas era com o que elas viviam. A velha era inválida; tinha as pernas inchadas, viva entrevada. Marie, sua filha, era uma rapariga de vinte anos, fraca e magra. E apesar de há muito tempo tuberculosa, ia de casa em casa, para trabalhos pesados: esfregava assoalhos, lavava roupa, varria quintais e tratava do gado. Um caixeiro-viajante francês a seduziu e a levou consigo, para acabar, uma semana depois, abandonando-a. O tratante desapareceu! Teve ela de voltar para casa, esmolando, toda enlameada e em frangalhos, os sapatos em petição de miséria. Levou uma semana para chegar; teve de passar noites nos campos apanhando um frio espantoso. Trazia os pés cheios de feridas, e as mãos gretadas e inflamadas. Antes, já não era bonita; apenas os olhos eram suaves, doces e inocentes. E como era calada! Lembro-me de que, uma vez, trabalhando, se pôs a cantar! E não posso esquecer como todo o mundo desandou a rir, com essa surpresa. “Maria está cantando! Ora essa, Maria cantando!&#8230;” Ficou tão desconcertada que nunca mais entreabriu os lábios. Naqueles outros tempos o povo ainda era bom para com ela, mas quando voltou, escangalhada e doente, ninguém mais teve pena. Como, em tais circunstâncias, o povo se torna cruel!? Como é grosseira a noção que as criaturas têm dessas coisas! Para começar, a própria mãe a recebeu com desprezo e cólera. “Tu me desgraçaste!” E foi a primeira a abandoná-la à sua vergonha. Mal souberam que Marie tinha voltado, todos vieram logo ver, e a aldeia em peso se aglomerou diante do casebre da velha. Todos! Velhos e crianças, mulheres e raparigas, todo o mundo, uma gentalha sequiosa e movediça. Maria jazia por terra, aos pés da velha, esfomeada e em andrajos, toda em lágrimas. Vendo-os chegar, cobriu o rosto com a cabeleira, a cara grudada no chão. Ficaram ali, pasmados diante dela, como diante de um réptil. Os velhos a censuravam e os moços se riam. O mulherio a espezinhava com ultrajes, olhando com asco, como se a pobrezinha fosse uma aranha. E a mãe permitia tudo isso, ali ao lado, acenando com a cabeça, concordando com todos, embora o estupor da velha já estivesse bastante doente e quase moribunda. Tanto que, dois meses depois, morria. E sabendo que estava para morrer, até à data da morte não sonhou sequer em se reconciliar com a filha. Nunca lhe dirigiu uma palavra; pô-la a dormir no alpendre, quase que lhe negava comida. Como, porém, precisava de escalda-pés, Marie lhe fazia isso sempre pronta; a velha aceitava o serviço em silêncio, sem jamais lhe dirigir uma palavra amável. Marie resignou-se a tudo e, quando vim a conhecê-la, tive informações de que achava isso muito certo, considerando-se a mais ínfima das criaturas. Já quando a velha nem se podia mais levantar, as velhotas da aldeia se revezavam para ficar com ela um pouco, como é de hábito entre essa gente. Nenhuma deu mais comida a Marie, e na aldeia todos se afastavam dela; e ninguém lhe quis dar mais trabalho, como antigamente. E assim, cada qual cuspia nele; os homens, não a olhando mais como a uma mulher ao menos, diziam-lhe indecências. Às vezes, mas poucas, quando voltavam bêbados, aos domingos, eles se divertiam em jogar-lhe moedas, atirando-as perto, no chão. Maria apanhava-as, sem dizer, palavra. Começou a escarrar sangue, nessa época. Ultimamente, as suas roupas eram andrajos só, o que ainda a envergonhava mais de aparecer na aldeia. Desde que regressara, andava descalça. Então, a criançada principalmente, todo o bando – eram cerca de uns quarenta escolares – começou a apupá-la e a jogar-lhe porcarias. Ela pediu ao vaqueiro que a deixasse olhar pelas vacas, mas o a enxotou; mesmo assim, deu em sair, o dia inteiro, com o gado, por deliberação própria, ainda que sem licença. E como isso convinha ao vaqueiro, que logo percebeu a vantagem, não a enxotou mais e, uma vez ou outra, lhe dava do pão e do queijo que lhe sobrava do jantar. Considerava isso um grande favor de sua parte. Quando a mãe lhe morreu, o pastor não teve escrúpulo de envergonhar Marie na igreja, defronte de todo o mundo. Marie estava chorando ao lado do ataúde, em trapos, como andava. Uma porção de gente se tinha juntado para vê-la assim ao lado do caixão a chorar. E então, o pastor (ele era ainda moço e toda a sua ambição era vir a se tornar um grande pregador!) apontou para Marie e, dirigindo-se a todos, disse: “Ali vedes a causa da morte desta prestante mulher (o que era uma mentira, pois havia dois anos que ela estava doente), ali está ela, defronte de vós e não ousa olhar-vos, pois sabe que está marcada pelo dedo de Deus; ali está ela, os pés descalços e a roupa em trapos! Seja isso uma advertência a todos a fim de preservarem a virtude. Eis o desgosto que uma filha pode causar a sua mãe!” E assim por diante, sempre neste estilo. E, acreditem, mesmo que lhes custe, tal infâmia agradou sobremodo! Mas&#8230; nisto, as coisas seguiram um curso diferente. A criançada tomou sozinha uma deliberação, e, como já estava tida do meu lado; começou a gostar de Marie.</p>
<p style="text-align:justify;">E eis como isso aconteceu&#8230; Eu desejava fazer alguma coisa por Marie. Ela estava bem necessitada de dinheiro, mas eu nunca tinha comigo uma nota sequer, nesse tempo. Lembrei-me de um alfinete com um diamantezinho e o vendi a um bufarinheiro que andava de aldeia em aldeia vendendo e comprando roupa velha. Deu-me oito francos, e aquilo valia bem uns quarenta. Tratei logo de encontrar Marie sozinha. Por fim dei com ela perto de uma sebe, fora da aldeia, em um atalho da montanha, atrás de uma árvore. Entreguei-lhe então os oito francos e lhe disse que tomasse cuidado, pois me seria impossível arranjar mais. Foi então que a beijei e lhe disse que não pensasse que eu era algum mal-intencionado. Expliquei0lhe que a beijava não porque estivesse enamorado, mas porque tinha muita pena dela; e afirmei que nunca, desde o começo, a tinha julgado culpada, mas somente infeliz. Pretendi confortá-la, ali mesmo, e persuadi-la a que não se considerasse inferior a qualquer pessoa; creio, porém, que ela não me entendeu. Percebi isso imediatamente, embora não me respondesse quase nada todo o tempo, assim, diante de mim, a olhar para o chão, horrivelmente confusa. Quando acabei, ela beijou minha mão, e eu imediatamente segurei a dela, e a teria beijado se ela não a retirasse. Foi então que o bando das crianças nos viu. Percebi depois que nos estavam espiando desde alguns momentos antes. Começaram a assobiar, a rir e bater as mãos. Marie fugiu. Eu quis falar às crianças mas elas se puseram a atirar-me pedras. Naquele mesmo dia, todo o mundo soube disso, em toda a aldeia. O peso de tudo caiu sobre Marie, de novo; antipatizaram com ela ainda mais. Cheguei mesmo a ouvir que pretenderam que as autoridades a castigassem; mas, graças a Deus, tal não se deu. Todavia as crianças não a deixaram em paz; atormentavam-na ainda mais e até lhe atiravam imundices. Enxotavam-na; ela fugia, com aqueles seus pulmõezinhos fracos, arfando, e quase sem fôlego. Corriam atrás dela, gritando e xingando. Até que, uma vez, tive uma briga, deveras, com eles. Pus-me a falar-lhes. Falava-lhes todos os dias e o mais possível. Às vezes paravam e escutavam, embora ainda me escarnecessem. Fiz-lhes ver quanto Marie era infeliz; deixaram logo de debicar e se retiraram calados. Pouco a pouco, começamos a conversar juntos. Não lhes ocultava coisa alguma, contei-lhes toda a história. Ouviram com toda a atenção e logo começaram a ter pena de Marie. Alguns até a saudavam amistosamente à medida que a encontravam. É um hábito de lá, quando uma pessoa encontra outra, conheçam-se ou não, inclinarem-se e se desejarem bom dia. Posso imaginar como isso causou admiração a Marie. Duas menininhas, um dia, trouxeram comida que lhe ofereceram; e depois vieram me dizer. Contaram-me que Marie chorou e que a amavam, agora, muito. Imediatamente todos começaram a querer bem a ela, e a mim, também. Deram em vir ver-me, sempre, e me pediam que lhes contasse histórias. Creio que me saí bem nisso, pois se puseram a escutar0me, muito contentes. Foi depois disso que comecei a ler e a estudar, simplesmente para ter o que lhes contar e, nos três anos seguintes, acostumei-me a inventar-lhes histórias. Depois, então, quando todo o mundo, inclusive o próprio Schneider, me repreendia por falar com elas como a pessoas crescidas, não lhes escondendo absolutamente nada, eu afirmei que era uma vergonha decepcioná-las; que elas viriam a saber tudo, de qualquer maneira, mesmo que muitas coisas lhes fossem ocultadas, e que talvez vissem a sabê-las por um meio mau; ao passo que, comigo, não. Basta que cada qual se lembre da própria infância&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Não concordaram&#8230; Eu beijara Marie, umas duas semanas antes de sua mãe morrer. Na ocasião em que o pastor pronunciou a sua arenga, já a criançada toda estava do meu lado. Imediatamente lhes contei a má ação do pastor, explicando-lhes bem. Ficaram zangadas com ele, e algumas se enfureceram tanto que apedrejaram e quebraram os vidros das janelas dele. Fi-las parar, pois isso não estava direito. Mas todos na aldeia vieram a saber disso e começaram a me acusar de estar corrompendo as crianças. E tendo percebido que as crianças gostavam de Marie, ficaram horrorizados. Marie, porém, era feliz, agora! Proibiram as crianças de se encontrar com ela. Mas escapuliam para onde ela guardava o gado, aproximadamente meia milha fora da aldeia. Levavam-lhe iguarias. E uma  ou outra, isoladamente, vinha a correr, só para abraçá-la e beijá-la e dizer-lhe “<em>Je vous aime, Marie</em>” [Eu te amo, Marie] e logo voltava a correr tão ligeiro quanto as suas perninhas lhe permitiam. Marie quase ficava fora de si, ante uma felicidade para ela nunca vista. Pois se nem sonhara com tal possibilidade! Ficava ruborizada e radiante. Do que as crianças mais gostavam, especialmente as meninas, era correr até ela para lhe dizer que eu a amava e lhes tinha falado muito dela. Contavam-lhe que eu lhes tinha relatado tudo a seus respeito e que por isso, agora, lhe tinham amor e compaixão. E que para sempre isso seriam assim! Corriam, depois, para mim,  com seus rostinhos alegres e compenetrados, e participavam que tinham acabado de ver Marie e que Marie me enviara lembranças.</p>
<p style="text-align:justify;">De tardinha costumava eu ir passear até à cascata. Era um lugar bem escondido da aldeia, todo rodeado de álamos. Lá costumavam se reunir à minha volta algumas dessas crianças que vinham às escondidas. Acho que o meu sentimento por Maria lhes causava imenso prazer; e este foi o único ponto em que as decepcionei. Pensam que lhes disse que elas estavam enganadas, que eu não estava namorando Marie? Que somente tinha muita pena dela? Não lhes disse nada a tal respeito, pois fácil era perceber que queriam que as coisas fossem conforme suas imaginações e de acordo com o que julgavam como lógico. Quanta delicadeza e ternura naqueles coraçõezinhos! Mas uma coisa não lhes entrava nas cabecinhas: que Marie, sendo amada pelo querido Léon, devesse andar tão mal vestida e descalça. E, querem saber? Conseguiram arranjar-lhe sapatos, meias grossas, roupa branca e até mesmo um vestido. Como, não sei. A verdade é que conseguiram. E o bando inteiro a trabalhar sempre. Quando eu, maravilhado, as interrogava à cata de esclarecimentos, apenas davam risadas gostosas; as menininhas, essas então batiam com as mãos e me davam beijos. Algumas vezes eu também me abalançava a ir ver Marie, mas sempre às escondidas. Ela já estava então muito mal; quase não podia andar. Impossível lhe era já agora trabalhar na casa do pastor, mas ainda saía todas as manhãs com o gado. Costumava sentar-se um pouco apartada. Preferia instalar-se em uma espécie de saliência, entre rochedos quase a pique. Sempre se sentava acolá, fora da vista, em um canto, permanecendo quase o dia inteiro, desde manhã cedinho, naquele seu retiro. Saía só na hora de recolher o gado. Mas já estava tão fraca, por causa da tuberculose, que encostava a cabeça contra a rocha e fechava os olhos dormitando, com a sua respiraçãozinha penosa. Seu rostinho era tão transparente que parecia uma caveira. Havia sempre suor a lhe escorrer da testa e das têmporas. Eu a encontrava quase sempre assim. Mal eu aparecia, ela despertava, abria os olhos e não parava de me beijar as mãos. Eu quase não demorava porque não queria que ninguém me visse. Quedava-me ali, sentado ao seu lado, não tentava sequer recolher as mãos, pois Marie se sentia feliz em mostrar com aqueles beijos a sua gratidão. Uma vez ou outra ela experimentava dizer qualquer coisa&#8230; Mas nunca cheguei a compreender aquelas palavras engroladas. Parecia uma criatura em transe, em uma terrível crise de ânsia ante tão pequena mas para ela tamanha felicidade. Às vezes eu levava comigo algumas das crianças. Estas ficavam por perto, vigiando os arredores, como que a proteger-nos de alguém, ou de alguma coisa, sentindo com isso um extraordinário prazer. Quando nos íamos, Marie ainda ficava, tão sozinha, com os olhos fechados, a cabeça reclinada contra o rochedo, sonhando talvez com alguma coisa&#8230;<br />
Certa manhã já não pôde sair com as vacas; ficou em casa, na sua solitária choupana. As crianças souberam disso imediatamente e quase todas vieram perguntar por ela, nesse dia. Estava deitada, completamente só. Durante dois dias foi guardada apenas pelas crianças que se revezavam em turnos; mas quando a notícia se espalhou pela aldeia e houve indícios de que Marie estava à morte, todas aquelas velhas da terra vieram e se instalaram na sua cabeceira. Penso que então aquela gente começou a sentir pena de Marie. Ainda assim, ralhavam com as crianças e a proibiam de vir vê-la, como já tinha feito antes. Marie estava quase todo o tempo adormecida, mas o seu sono era entrecortado por uma tosse terrível. As velhotas escorraçavam com as crianças; mas estas apareciam do lado de fora da janela, algumas vezes, um momento só que fosse, para dizerem “<em>Bounjour, notre bonne Marie</em>” [Olá, nossa querida Marie]. E mal as pressentia, ou as ouvia, ela parecia reviver e, apesar das velhas estarem ali, experimentava levantar-se apoiada nos cotovelos, acenava-lhes e lhes dizia “<em>Merci</em>”. Deram em lhe trazer guloseimas, como antes, mas raramente ela comia alguma coisa. E, em verdade, lhes posso garantir que foi graças a elas que Marie morreu quase feliz! Graças a elas, pôde esquecer o seu amargo sofrimento. Elas lhe trouxeram, com isso, uma como que absolvição, pois até ao fim se considerou uma grande pecadora. Ah! as crianças pareciam aves, batendo com as asas contra a janela, chamando por ela, todas as manhãs: “<em>Nous t’aimons, Marie!</em>” [Nós te amamos, Marie!]</p>
<p style="text-align:justify;">Morreu muito cedo. Eu esperava que ela durasse mais. Na véspera da sua morte fui vê-la, ao pôr-do-sol. Parece que me reconheceu quando lhe segurei e apertei a mão pela última vez. Como seus dedos se haviam descarnado! Na manhã seguinte vieram participar-me que Marie tinha morrido. Não houve quem pudesse conter as crianças. Elas lhe enfeitaram o caixão com flores e lhe puseram uma grinalda na cabeça. o pastor, na igreja, não cometeu nenhuma aviltação desta vez. Não foi um funeral concorrido, havia pouca gente, atraída pela curiosidade; mas quando o caixão teve de ser carregado para fora, a criançada investiu para o carregar. E conquanto não fossem suficientemente fortes para aguentar o peso, sozinhas, ajudaram a levá-lo, e caminhavam atrás do ataúde, chorando. Desde então, as crianças zelaram pela sepultura de Marie. Plantaram rosas em toda volta, e cada ano a cobriam de flores.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi, porém, depois do enterro, que eu fui mais perseguido pelos aldeões, por causa da criançada. O pastor e o mestre-escola os atiçavam. As crianças ficaram estritamente proibidas de se encontrarem comigo, e Schneider empregou todo o seu esforço para que tal proibição fosse efetiva. Mas nós nos víamos, assim mesmo; comunicávamo-nos a distância, por sinais. Enviávamo-nos pequenos bilhetes. Por fim as coisas se aplainaram. Mas foi esplêndido, todo esse tempo. Essa perseguição ainda me aproximou mais das crianças. No último ano, o pastor e Thibault estavam quase reconciliados comigo. E Schneider argumentava muito comigo a respeito do “meu sistema” pernicioso para com as crianças. Como se eu tivesse algum “sistema”! Por fim, Schneider revelou um muito estranho pensamento, o que fez pouco antes de eu vir embora. Confessou-me que tinha chegado à conclusão de que eu era uma completa criança, eu próprio. Nem mais nem menos do que uma criança; que era adulto apenas na cara e no tamanho, mas que, no desenvolvimento, na alma, no caráter, e talvez até na inteligência, não tinha crescido, e que permaneceria sempre assim, mesmo vivesse até aos sessenta!&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Ri-me muito. Ele estava errado, é lógico, pois não sou nenhuma criança. Mas em uma coisa ele tem razão. Não gosto de ser como as pessoas crescidas. Notei isso, desde muito. E não gosto, porque não sei como agir diante delas. Digam-me seja o que for, por mais gentis que sejam comigo, sempre me sinto de certo modo oprimido diante delas e fico medonhamente alegre quando posso voltar para os meus companheiros; e os meus companheiros têm sido sempre as crianças, não porque eu próprio seja uma criança, mas porque sempre me senti atraído por elas. Quando eu era novato na aldeia, ao tempo em que empreendia melancólicos passeios pela montanha, sozinho, e me acontecia, especialmente por volta do meio-dia, encontrar o bando barulhento saindo da escolha, a correr, com suas sacolas e com suas lousas, entre gritos, jogos e risadas, imediatamente a minha alma corria para eles. Não sei como se dava, mas a verdade é que tinha uma espécie de intensa e feliz sensação cada vez que os encontrava. Ficava parado, quieto, sorria com felicidade vendo-lhe as pequeninas pernas sempre voando por aí afora, meninas e meninos correndo juntos, com seus sorrisos e com suas lágrimas (pois muitos deles armavam rixas, choravam, interrompiam as brigas, passavam a brincar de novo, à saída da escola, de volta para casa) e isso me fazia esquecer todos os meus lúgubres pensamentos. Depois do que, nos três últimos anos, eu nunca pude compreender como e por que há gente triste. O centro de minha vida foram as crianças.</p>
<p style="text-align:justify;">Não contava ter de deixar a aldeia e nem me passava pelo espírito que um dia teria de regressar à Rússia. Pensava permanecer sempre lá. Mas por fim acabei vendo que Schneider não podia continuar me conservando consigo. Foi então que as coisas viraram subitamente, e tão importantes foram elas em sua evidência, que o próprio Schneider instou comigo para vir embora e garantiu a minha volta. Vou examinar essas coisas e aconselhar-me com alguém. Minha vida talvez mude completamente. Deixei muita coisa lá, muita, mesmo! Ao tomar o trem, pensei: “Vou agora me encontrar com o mundo. Ignoro tudo, por assim dizer, mas uma vida nova começou para mim”. Tomei a resolução de fazer a minha tarefa resoluta e honestamente. Deve ser duro e difícil viver no mundo. Em primeiro lugar, resolvi ser cortês e sincero como todo o mundo. “Ninguém deve esperar mais do que isso, de mim. Talvez aqui também me olhem como uma criança; não faz mal”. Todo o mundo me toma por um idiota e isso também pela mesma razão. Outrora estive tão doente que realmente parecia um idiota. Mas posso eu ser idiota, agora, se me sinto apto a ver, por mim próprio, que todo o mundo me toma por um idiota? Quando cheguei, pensei: “Bem sei que me tomam por um idiota; todavia tenho discernimento e eles não se dão conta disso!&#8230;” Muitas vezes tive este pensamento.</p>
<p style="text-align:justify;">Mal cheguei a Berlim, recebi algumas cartinhas que as crianças tinham conseguido me escrever, e então compreendi quanto gosto de crianças. A primeira carta Sá sempre muita saudade.  Como as crianças lamentavam a minha ausência! E todavia tinham tido um mês, de antemão; para se preparem para minha partida. “<em>Léon s’em va, Léon s’em va pour toujours!</em>” [Léon se vai, Léon se vai para sempre!] Como antes, encontrávamo-nos sempre na cascata e falávamos da nossa separação. E, certas vezes, tão radiantes como outrora! Era só quando nos separávamos, à noitinha, que elas me abraçavam e beijavam com mais calor do que o faziam antigamente. Uma ou outra vinha me ver sozinha e em segredo, simplesmente para me beijar e abraçar sem ser diante das demais. Quando vim embora, elas todas, todo o bando me acompanhou à estação. A estação da estrada de ferro distava da aldeia cerca de uma verstá. Esforçavam-se por não chorar, mas algumas não se puderam conter e soluçavam alto, principalmente as meninas. Apressamo-nos para não chegar atrasados; mas aqui e além uma delas saía correndo de uma azinhaga, pulava para os meus braços, beijava-me, obrigando toda a procissão a parar, simplesmente para isso. E embora tivéssemos pressa, parávamos, esperando que este, ou aquele, me dissesse adeus. Quando me acomodei e o trem partiu, todas elas exclamaram “Hurra!” e permaneceram lá até perderem o trem de viste. Eu também não tirava os olhos delas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>&#8220;O Idiota&#8221; &#8211; Capítulo 6</strong></p>
<p>_</p>
<p>Trilha sonora do dia:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/02/07/conto-de-dostoievski/"><img src="http://img.youtube.com/vi/JAVyKDDsM3s/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Nada mais lúdico que Debussy.</p>
<p>_</p>
<p>Citação do dia:</p>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;Mas em uma coisa ele tem razão. Não gosto de ser como as pessoas crescidas. Notei isso, desde muito.&#8221;</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2203/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2203&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pensamentos aleatórios #62</title>
		<link>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/30/pensamentos-aleatorios-62/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 22:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cure</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cure]]></category>
		<category><![CDATA[banksy]]></category>
		<category><![CDATA[pandas]]></category>
		<category><![CDATA[ponto central]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre a intervenção urbana, arte e a desconstrução das relações sociais. Onde eu estava? Bem, eu estava ausente. Por quê? Porque eu estava com preguiça. Leia mais, sei que você estava com saudades de mim. - Originalmente eu pretendia escrever sobre sexualidade, mas ninguém liga pra sexualidade e um assunto mais interessante fácil acabou surgindo: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2168&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Sobre a intervenção urbana, arte e a desconstrução das relações sociais.</strong></p>
<p>Onde eu estava? Bem, eu estava ausente.</p>
<p>Por quê? Porque eu estava com preguiça.</p>
<p>Leia mais, sei que você estava com saudades de mim.</p>
<p>-</p>
<p>Originalmente eu pretendia escrever sobre sexualidade, mas ninguém liga pra sexualidade e um assunto mais interessante <del>fácil</del> acabou surgindo: Intervenções nas ruas.</p>
<p>Só de ouvir falar de intervenções normalmente pensamos em intervenções armadas tipo UPP ou guerra do Iraque, porém raramente pensamos em intervenções urbanas.</p>
<p>O que são essas coisas coisas urbanas ai?</p>
<p>Intervenções são manifestações artísticas de qualquer tipo, geralmente expressas com mensagens pintadas nas paredes, grafite, estátuas vivas e <del>pandas vestidos de humanos</del>, talvez, até por meio de flashmobs.</p>
<p>Dois exemplos (os únicos que me vêm em mente) são os gêmeos:</p>
<p><img class="aligncenter" title="os gemeos" src="http://www.osbornejeans.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/os-gemeos1.jpg" alt="" width="442" height="649" /><span id="more-2168"></span></p>
<p><img class="aligncenter" title="os gemeos 2" src="http://blog.globeshoes.com.br/wp-content/uploads/2011/05/os-gemeos-mural-bowery-art-1.jpg" alt="" width="620" height="414" /></p>
<p>e o Banksy (aliás, veja o livro dele &#8220;Existencialism&#8221;):</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.arquitetonico.ufsc.br/wp-content/uploads/banksy__1273933375_0008.jpg" alt="" /></p>
<p>e, o ponto central do post:</p>
<div id="attachment_2169" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://eraumavezchaplin.files.wordpress.com/2012/01/banksy_graffiti_change_01.jpg"><img class="size-full wp-image-2169" title="banksy_graffiti_change_01" src="http://eraumavezchaplin.files.wordpress.com/2012/01/banksy_graffiti_change_01.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">But it changed, my friend, it changed</p></div>
<p>Bem, estava discutindo calorosamente com a companheira sentimental enquanto esperávamos o ônibus, não com aquela vontade de jogar gasolina no parceiro e acender o fósforo, sabe? Mas com os ânimos muito acima do que deveriam estar. Até que a tal companheira para por um instante, encara uma das pilastras do ponto e fala:</p>
<blockquote><p>&#8220;Olha lá o que tá escrito&#8221;</p></blockquote>
<p>E o que estava escrito? Bem, a pilastra dizia: &#8220;Já deu seu abraço hoje?&#8221;</p>
<p><strong>Santa.</strong></p>
<p><strong>Mãe.</strong></p>
<p><strong>De.</strong></p>
<p><strong>Deus.</strong></p>
<p>Acabou que demos um abraço e a discussão acabou, mas eu fiquei pensando aqui com os meus botões:</p>
<p>Por que estamos tão frios?</p>
<p>É verdade, pro que estamos tão frios?</p>
<p>Diabos, o que está acontecendo de errado? Seria Nietzsche?</p>
<p>Hoje li na volta do ônibus, dentro do metrô, uma crônica do W.Carrasco dizendo que já se rendeu às redes sociais e descobriu que produzia menos por que estava ligado nelas.</p>
<p>Não seria esse o problema com a sociedade? Não conseguir se desplugar?</p>
<p>É um &#8216;must&#8217; de todo smartphone ter conexão para a internet, mas, curiosamente, essa conexão só isola as pessoas fisicamente. Muita gente conhece ou é alguém que conversa com um membro da família que está a 10 metros de distância pelo msn/facebook/orkut ao invés de falar.</p>
<p>Nas ruas,  não olhamos para o lixeiro como um prestador de serviços, mas como um serviçal, como uma pessoa a ser ignorada justamente por ser inferior. Será que é correto ignorar o lixeiro do seu prédio como ele &#8216;não tem estudo&#8217;?</p>
<p>Em Portugal existe um ditado que diz que se queremos ver como um homem trata seus iguais devemos dar a ele um chicote e ver como ele trata seus inferiores. Será que o problema é o homem ou o chicote que o torna assim?</p>
<p>Cego, orgulhoso e ignorante?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2168/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2168&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">curef</media:title>
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			<media:title type="html">os gemeos</media:title>
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			<media:title type="html">os gemeos 2</media:title>
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		<title>A favor de Nan Goldin</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 13:30:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipemp93</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe]]></category>
		<category><![CDATA[arte moderna]]></category>
		<category><![CDATA[ódio ao corpo]]></category>
		<category><![CDATA[desprezo do corpo]]></category>
		<category><![CDATA[diane arbus]]></category>
		<category><![CDATA[mary ellen mark]]></category>
		<category><![CDATA[Nan Goldin]]></category>

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		<description><![CDATA[A visão ocidental sobre o corpo Como de costume, eu acordei cedo para ir comprar jornal. Gosto principalmente do &#8220;Segundo Caderno&#8221; e o &#8220;Prosa e Verso&#8221; do Globo. Neste último há uma matéria falando sobre a exposição de Nan Goldin que o Oi Futuro cancelou e que acontecerá no MAM (Museu de Arte Moderna). Mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2155&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>A visão ocidental sobre o corpo</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Como de costume, eu acordei cedo para ir comprar jornal. Gosto principalmente do &#8220;Segundo Caderno&#8221; e o &#8220;Prosa e Verso&#8221; do Globo. Neste último há uma matéria falando sobre a exposição de Nan Goldin que o Oi Futuro cancelou e que acontecerá no MAM (Museu de Arte Moderna). Mas o que importa aqui é o motivo de ter sido cancelada a exposição no Oi Futuro. Supostamente haveriam fotografias de crianças e jovens nus e em outras situações do cotidiano que acabaram por ferir bastante a ética ocidental, mais especificamente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas antes precisamos saber sobre a proposta da fotógrafa com essas imagens e o argumento de alguns especialistas, argumentos estes bastante precipitados e que, apesar de fazerem algum sentido, não constituem uma verdade por completo. Comecemos com o primeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Nan Goldin é uma fotógrafa pós-moderna que segue a linha de outros fotógrafos como Diane Arbus e Mary Ellen Mark, que se propõe a fotografar pessoas da classe média em situações do cotidiano que não são muito retratados de forma expositiva como fazendo sexo, usando drogas etc. Ou seja, ela procura mostrar o ser humano como ele mesmo em seus diversos atos naturais, mostrando o corpo de forma natural e saudável, em seu todo esplendor. E o mesmo acontece com o corpo das crianças e jovens que se propuseram, voluntariamente, a participar do projeto da norteamericana. Essa proposta, de longe, é mais radical do que as das fotógrafas ditas; talvez por ela ser mais explícita em sua proposta – e por que deveria ela ser tão recalcada quanto o ocidente com sua visão cristã e limitada acerca do corpo; apesar de já entendermos bastante sobre o próprio?</p>
<p><span id="more-2155"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Alguns especialistas em antropologia acabaram por dar entrevistas acerca do que acham sobre a exposição e seu cancelamento no Oi Futuro. O argumento da grande maioria pode ser reduzido a um só: é preciso ter registro (no mesmo sentido de registro linguístico), ou seja, é preciso saber o que mostrar em determinado contexto, p.ex.: é normal aparecer fotos de pessoas nuas num livro de anatomia, mas seria totalmente inapropriado aparecer em um livro da alfabetização. Bem, por onde começar com tamanha demagogia? Basta que nos perguntemos uma simples coisa, a qual parece ter passado batido pelos intelectuais: por que fotos de pessoas nuas estariam em um livro de uma turma de alfabetização? A primeira coisa a notar é a típica falácia <em>non sequitur</em> de tais intelectuais, porque não podemos comparar um livro de anatomia com um livro de alfabetização e pensar o mesmo sobre a sociedade em relação a um museu. Haveria primeiro o argumento de que a exposição não estaria ao ar livre, mas estaria num local fechado em que as pessoas iriam por vontade própria – podemos comparar isso ainda a um livro usado com a intenção de ensinar os signos linguísticos? Só se pensássemos através do argumento de <em>credo quia absurdum</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora vem a questão da amostragem do corpo de uma criança, assunto principal que levou a curadora a cancelar a exposição; aqui eu quoto um psicanalista: &#8220;Em qualquer época, o Ocidente sempre duvidará da capacidade da criança&#8221;. O que quero dizer não é que devemos então passar a amar ver crianças peladas, mas sim que não devemos ver nada de errado nisso; afinal, o que há de errado nisso? Nosso corpo é tão odioso assim? O corpo de uma criança é tão odioso assim? É legal pensar nisso comparando com um filme chinês chama &#8220;Little Red Flowers&#8221;, que se passa em um lugar em que as crianças ficam 24 horas porque os pais não têm tempo de cuidar delas (chamam de jardim de infância, lá). É interessante notar como o oriente possui uma relação mais direta com o corpo e mais amorosa com ele: as crianças dormem lá com a parte debaixo descoberta, apenas com um manto que as cobre até um pouco abaixo da cintura. O que acontece é que os meninos e as meninas acabam por ter um relacionamento mais aberto com o corpo do outro, percebendo suas semelhanças e diferenças. A grande pergunta está no porquê de vermos o corpo como algo tão nojento e que deve ser escondido sobre várias camadas, principalmente os órgãos genitais e, no caso das mulheres, os peitos. Ora, que o pênis seja equivalente a um braço ou perna! Cada um possui suas particularidades, por que devemos esconder alguns por suas particularidades também? É desnecessário ao extremo dizer que o desprezo ao corpo é algo característico da cultura cristã, a qual promulgou um ideal ascético em massa – ao contrário do budismo que o faz apenas com aqueles que aceitam tal tarefa, não havendo repressão contra quem não o deseja. Qualquer um que for observar as esculturas, tanto do ocidente quanto do oriente, vasos e outros ornamentos antigos poderá constatar que todos eles reproduzem o homem em seus vários atos: um ótimo exemplo disso é a própria pederastia, há muitos vasos e pinturas ocidentais e orientais antigos que retratam isso com a maior clareza e que vai muito além das fotografias de Goldin (alguns vasos representam explicitamente o ato sexual). E é claro que a maioria, ou todas, essas obras foram constituídas em épocas em que o cristianismo não dominava, mostrando a própria culpabilidade desta.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, fica aqui a minha dúvida: por que odiar o belo corpo de uma criança em seu esplendor? ou de uma mulher? ou de um homem? ou de um adolescente? Será que eles representam mesmo tudo aquilo que achamos? Será que temos tanto medo mesmo de ver fotografias em um museu de pessoas de classe média (e que fossem de baixa e alta!) em seu cotidiano e intimidade? Mas a intimidade deles não é a mesma que a nossa? O sexo deles não é o mesmo que o nosso? O corpo da criança não é o mesmo que já tivemos ou temos (se tiver hipopituitarismo, por exemplo)? Por que desprezar quando podemos amar o corpo?</p>
<p style="text-align:justify;">_</p>
<p style="text-align:justify;">Trilha sonora do dia:</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/28/a-favor-de-nan-goldin/"><img src="http://img.youtube.com/vi/2sPvR6obg_4/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">_</p>
<p style="text-align:justify;">Citação do dia:</p>
<p style="text-align:center;">“É preciso respeitar as crianças. Os adultos falam com elas como se fossem todas retardadas”</p>
<p style="text-align:right;"><em><strong>Quino</strong></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2155/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2155&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Devir-poeta: Poemas Quebrados I</title>
		<link>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/19/devir-poeta-poemas-quebrados-i/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 11:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rico]]></category>
		<category><![CDATA[Humildade]]></category>
		<category><![CDATA[Valor]]></category>
		<category><![CDATA[Vingança]]></category>

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		<description><![CDATA[Dos Humildes Lançaram-me à lama, impavidamente, com um sorriso cínico nos lábios! Eles [todo mundo], com ódio e rancor, forçaram-me a esconder todos os meus tesouros; disseram-me que eu não era o melhor, que eu&#8230; não&#8230; podia&#8230; ser: nunca! Nada deve elevar-se acima dos porcos [deles]. É o que disseram também. Há neles crueldade &#8211; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2148&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dos Humildes</strong></p>
<p>Lançaram-me à lama, impavidamente, com um sorriso cínico nos lábios!<br />
Eles [todo mundo], com ódio e rancor, forçaram-me a esconder todos os meus tesouros;<br />
disseram-me que eu não era o melhor, que eu&#8230; não&#8230; podia&#8230; ser: nunca!<br />
Nada deve elevar-se acima dos porcos [deles]. É o que disseram também.</p>
<p>Há neles crueldade &#8211; e paixão &#8211; o bastante para fazer o mundo inteiro arder em chamas;<br />
afirmo-vos: nem o próprio Deus seria capaz de empreender vingança mais sublime.<br />
Ceifam vidas puras e belas e protestam: ímpios! diabólicos! <em>maudites</em>!<br />
Os mais alegres morrem em suas fogueiras sob a marca da bruxaria e da imoralidade.</p>
<p>Eis o seu imperativo categórico: sejais o mais baixo e assim será o mais feliz,<br />
ponha-se à humilhação diante do teu ideal [Deus], execre-se, mortifique-se.<br />
Lambuze-se com as pútridas águas da moral dos exíguos<br />
e afastai de ti todo sentimento de superioridade: ele é mau!</p>
<p>Torna-te pequeno,<br />
torna-te rato,<br />
torna-te inseto,<br />
torna-te bicho.</p>
<p>(Raony F. Moraes)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2148/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2148&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Tao te King</title>
		<link>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/05/tao-te-king/</link>
		<comments>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2012/01/05/tao-te-king/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 20:03:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vittie</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vitor Almeida Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Aforismos]]></category>
		<category><![CDATA[Lao Tse]]></category>
		<category><![CDATA[Quotes]]></category>
		<category><![CDATA[Tao te King]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro de Lao Tsé, Tao te King, contém oitenta aforismos que traduzem a sua filosofia e suas crenças. O nome do livro significa, em nosso português: &#8220;O livro que revela Deus&#8221;, mas não deixe isso afetar a leitura, pois nela, não moram apenas sabedoria relativa à Ele, ou ao Alguém. Esse homem foi um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2135&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro de Lao Tsé, Tao te King, contém oitenta aforismos que traduzem a sua filosofia e suas crenças. O nome do livro significa, em nosso português: &#8220;O livro que revela Deus&#8221;, mas não deixe isso afetar a leitura, pois nela, não moram apenas sabedoria relativa à Ele, ou ao Alguém. Esse homem foi um sábio.</p>
<p>Postarei alguns dos oitenta aforismos aqui para incitar a leitura deste belíssimo livro.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Pg. 23, do aforismo: O uno e o verso do universo]</strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;A diferença entre Ser e Existir<br />
É apenas de nomes.<br />
Misterioso é o fundo<br />
Da sua unidade.<br />
Eis em que consiste a sabedoria suprema&#8221;</p>
<p><span id="more-2135"></span></p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Pg 26, do aforismo: Síntese das antíteses]</strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Só temos consciência do belo,<br />
Quando conhecemos o feio.<br />
Só temos consciência do bom,<br />
Quando conhecemos o mau.<br />
Porquanto, o Ser e o Existir<br />
Se engendram mutuamente.<br />
O fácil e o difícil se completam.<br />
O grande e o pequeno são complementares.<br />
O alto e o baixo formam um todo.<br />
O som e o silêncio formam a harmonia.<br />
O passado e o futuro geram o tempo.<br />
Eis porque o sábio age<br />
Pelo não-agir<br />
E ensina sem falar.<br />
Aceita tudo o que lhe acontece.<br />
Produz tudo e não fica com nada.<br />
O sábio tudo realiza &#8211; e nada considera seu.<br />
Tudo faz &#8211; e não se apega à sua obra.<br />
Não se prende aos frutos de sua atividade<br />
Termina a sua obra,<br />
E está sempre no princípio.<br />
E por isso prospera.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Pg 34, do aforismo: Todos os vivos nascem e morrem - mas a vida é imortal]</strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Imperecível é o espírito da profundeza,<br />
Como o seio profundo da maternidade.<br />
Céus e terra radicam no seio da mãe.<br />
São a origem de todos os vivos,<br />
Que espontaneamente brotaram da Vida.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Pg 40, do aforismo: Fazer o necessário e não o supérfluo]</strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Só se pode encher um vaso até a borda -<br />
Nem uma gota a mais.<br />
Não se pode aguçar uma faca,<br />
E logo testar sua agudeza.<br />
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas,<br />
Sem ter lugar seguro para guardá-los.<br />
Quem é rico e estimado,<br />
Mas não conhece a sua limitação,<br />
Atrai a sua própria desgraça.<br />
Quem faz grandes coisas,<br />
E delas não se envaidece,<br />
Esse realiza o céu em si mesmo.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong><strong>[Pg 41, do aforismo: Rumo à profundeza da vida]</strong></strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;O poder do espírito<br />
E a harmonia das forças<br />
Preservam da disperdão a vida.<br />
Assim procedendo, se torna o homem<br />
Semelhante à criança,<br />
Clarificando sempre sua visão<br />
E purificando sempre sua vida.<br />
Segue as suas veredas<br />
Sem jamais aberrar.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong><strong>[Pg 43, do aforismo: A atuação do invisível no visível]</strong></strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Trinta raios convergentes no centro<br />
Tem uma roda,<br />
Mas somente os vácuos entre os raios<br />
É que facultam seu movimento.<br />
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,<br />
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.<br />
Paredes são massas com portas e janelas,<br />
Mas somente o vácuo entre as massas<br />
Lhes dá utilidade -<br />
Assim são as coisas físicas<br />
Que parecem ser o principal<br />
Mas o seu valor está no metafísico.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong><strong>[Pg 47, do aforismo: Atitude reta, suposição para atos corretos]</strong></strong></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Favor e desfavor geram angústia.<br />
Honras geram dissabores para o ego.<br />
Por que favor e desfavor geram dissabores?<br />
Porque quem espera favor paira na incerteza,<br />
Sem saber se o receberá.<br />
Quem recebe favor também paira na incerteza:<br />
Não sabe se o conservará.<br />
Por isso causam dissabor<br />
Tanto o favor como o desfavor.<br />
Por que as honras geram dissabor?<br />
Todo dissabor nasce do fato<br />
De alguém ser um ego.<br />
E não é possível contentar o ego<br />
Se eu pudesse libertar-me do ego,<br />
Não haveria mais dissabores.&#8221;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/eraumavezchaplin.wordpress.com/2135/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2135&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Manifesto à uma Esquerda Porvir: o Porquê de minha Renegação do Marxismo do Ponto de Vista Histórico</title>
		<link>http://eraumavezchaplin.wordpress.com/2011/12/28/manifesto-a-uma-esquerda-porvir-o-porque-de-minha-renegacao-do-marxismo-do-ponto-de-vista-historico/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 17:04:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rico</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rico]]></category>
		<category><![CDATA[Anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[Esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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		<description><![CDATA[      Perguntaram-me certa vez &#8211; com estupefação e ódio &#8211; o porquê de um homem como eu &#8211; anarquista, isto é, de esquerda -, detestar – falo, evidentemente, do leninismo, do trotskismo e do stalinismo &#8211; os marxistas; na hora, não ousei responder e simplesmente saí de cena tal qual um lorde inglês [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=eraumavezchaplin.wordpress.com&amp;blog=15753317&amp;post=2128&amp;subd=eraumavezchaplin&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;" align="center">      Perguntaram-me certa vez &#8211; com estupefação e ódio &#8211; o porquê de um homem como eu &#8211; anarquista, isto é, de esquerda -, detestar – falo, evidentemente, do leninismo, do trotskismo e do stalinismo &#8211; os marxistas; na hora, não ousei responder e simplesmente saí de cena tal qual um lorde inglês que se despede de seus amigos, quando percebe que é hora de partir. Não o fiz por uma única, porém suficiente, razão: abomino responder às questões que me colocam como que num tribunal da Razão. Não se tratava de uma pergunta inocente e/ou curiosa, de alguém que anseia saber algo que, com efeito, não sabe, mas de uma artimanha vingativa de um homem perverso e ressentido&#8230; Eu precisava, então, responder, tal como um réu responde às acusações que lhe são feitas por um advogado de acusação. Ele – advogado de acusação e, simultaneamente, juiz e júri -, ouvir-me-ia, mas tão-somente para decretar minha culpa – nada justifica, diria ele, uma tal repugnância e, assim, seria eu necessariamente culpado. Lembro-me de Kafka: a culpa é sempre indubitável.</p>
<p style="text-align:justify;">      Imagino que para ele, eu não passava de um traidor do ideal revolucionário; um garoto burguês mascarado de revolucionário ou mesmo um burguês sem identidade fixa, que busca sua identidade num território que lhe seria estranho; um ardiloso inimigo infiltrado entre seus aliados para fazer frustrar a tão prometida revolução (que nunca vem, tal como o messias dos cristãos); um homem perigoso e de planos perversos etc. Os marxistas mais ortodoxos são paranoicos, assassinos, monstros terríveis com implacável fome de carne humana: devoram aos outros e a si mesmos. E quanto a mim? Uma presa saborosa! Se ele pudesse, executar-me-ia ali mesmo, com toda a frieza de um bom e obediente socialista científico – e ainda gritaria: “Viva a revolução!”.</p>
<p><span id="more-2128"></span></p>
<p style="text-align:justify;">      Ora, não entendo esse desconhecimento sobre a razão pela qual repugno os marxistas. Não é difícil de saber, a história o mostra muito bem: anarquistas foram torturados e mortos <em>premeditada</em> e <em>sistematicamente</em> pela esquerda marxista dita revolucionária. Se eu, por exemplo, vivesse na Rússia leninista, certamente seria preso, enviado à Sibéria como inimigo do povo, ou seria fuzilado por traição (o fuzilamento foi o destino, inclusive, de muitos marxistas acusados – por vezes sem razão &#8211; de traição e insurreição). Os marxistas pedem nosso apoio, nossa amizade, nosso consentimento, nosso respeito, ao mesmo tempo em que nos mataram impiedosamente, ao mesmo tempo em que nos trataram como cães vira-latas indignos de qualquer consideração. Não somos cães! E tampouco somos vossos amigos, senhores marxistas! Jamais seríamos amigos daqueles que nos matam e nos trucidam. Os marxistas têm sobre suas mãos o nosso sangue!</p>
<p style="text-align:justify;">      E a insolência é tamanha, que se ofendem quando declinamos seus pedidos, quando nos recusamos a nos aliar a eles. Dizem que somos seus camaradas. Que piada! Ora, senhores marxistas, desde quando camaradas executam friamente os seus? Não sou aliado de meus algozes. É irrisório! Os anarquistas sonhavam com liberdade, com justiça, com uma sociedade porvir, e deram seu sangue pela revolução&#8230; Para quê? Para serem esmagados como formigas pelo exército vermelho. Enquanto eles [os marxistas] não tinham conquistado o controle da máquina estatal, éramos tratados como camaradas, como amigos e aliados, mas tão logo ascenderam ao poder, iniciaram-se as perseguições, os espetáculos públicos de morte que nem mesmo o suplício superaria em horror; as acusações infundadas de traição e assassinato; se nós fracassamos foi graças ao levante comunista <em>contra nós</em>. A revolução anarquista foi duramente rechaçada por aqueles que deveriam apoiá-la e prolongá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">      Ora, mas o que se sabe tão bem nos tempos atuais, é que não há aliança possível entre anarquistas e marxistas. O que temos em comum? O inimigo, tão-somente o inimigo. Mas ter um inimigo em comum não basta para que sejamos amigos. Assim, oponho-me ao marxismo, e proponho uma relação com a teoria marxista que não consiste em tornar-se marxista – reitero: falo do leninismo, do stalinismo e do trotskismo. O marxismo esvaziou toda a sua força crítica e revolucionária? Com efeito, não. Mas há de se distinguir a teoria marxista – e o uso que dela se faz – de seus “representantes”, de seus idólatras e seguidores fanáticos. Afinal, já não acreditamos mais no antagonismo de classe, no reducionismo economicista e na ideia de revolução implicada na teoria marxista, ideia essa que já nos levou a muitos disparates.</p>
<p style="text-align:justify;">      À noção de luta de classes opomos a noção de <em>linhas de fuga</em> (conceito deleuzeano utilizado para explicar processos sociais que escapam ao antagonismo de classe preconizado por Marx e pela teoria marxista); ao reducionismo economicista opomos toda sorte de <em>fluxos</em> econômicos, políticos, sociais e libidinais que são irredutíveis à lógica reducionista da economia, os fluxos se entrecruzam, se implicam mutuamente etc.; e, finalmente, à ideia de revolução, opomos a ideia de um <em>devir-revolucionário</em> que de modo algum tem a ver com as revoluções, com seu passado e seu futuro, liberto, então, da estultícia e do disparate. A nova situação política contemporânea – descrita pelos intelectuais contemporâneos, alguns marxistas, como Agamben, Negri e Hardt, como um regime biopolítico – exige-nos uma renovação de nosso aparato teórico-conceitual, bem como das práticas de resistência das quais nos valemos. Isso vale, igualmente, à nova situação na qual se encontra o capitalismo contemporâneo, situação que exige de nós uma nova crítica, adequada às novas configurações do capitalismo desterritorializado da sociedade pós-moderna.</p>
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